terça-feira, 6 de junho de 2017

"Quando abres a tua clínica veterinária?"

Não sei se acontece um pouco com todos os veterinários, mas parece que toda a gente assume que, por ser veterinária, tenho de abrir a minha própria clínica! Se não é agora, é daqui a meia dúzia de anos, mas é inevitável. 

Pois, só há um problema: eu não quero abrir a minha própria clínica veterinária. Não queria quando terminei o curso e quanto mais tempo passa, menos vontade tenho. 

Talvez seja consequência de ser filha de patrões. Enquanto crescia bem via a responsabilidade e a "prisão", que a gestão de uma empresa muitas vezes acarreta e o desgaste que isso pode ter nas pessoas. Por outro lado, tem as suas vantagens, quando corre bem...pode-se viajar mais e ter tempo livre, se a coisa for bem gerida...

No entanto, para já gosto de puder pensar no meu futuro como algo sem compromisso. Claro que às vezes sinto-me perdida e sem saber o que vou fazer, mas prefiro isso do que ter o telemóvel sempre a tocar, contas e ordenados para pagar, empréstimos para liquidar, chatices para resolver... Quero sair do trabalho e deixá-lo lá no sitio dele. Mesmo que no final do mês chova pouco, desde que durma bem de noite já fico contente. 

Por isso, para todos aqueles que me perguntam quando vai ser? Não me parece que vá ser. Mais depressa abriria um hotel para animais do que uma clínica. Já existem tantas, para quê abrir mais uma, quando claramente não faltam? Se o fizesse seria daqui a muitos anos e num local do interior do país, longe dos centros urbanos, que é onde poderá faltar esse tipo de serviço. Mas daqui a muitos anos eu vou estar cansada e com vontade de me reformar. 

Se querem saber, preferia ser professora na minha área. Acho que me iria dar um grande gozo. Gosto de falar com pessoas e na parte das consultas propriamente ditas gosto de sentir que estou a educar as pessoas. 

Quem sabe o que o futuro me reservará. Para quê estar já a pensar em prisões? 


3 comentários:

Manuel João Cruz disse...

Ser patrão não é para todos

Eu também não invejo quem tem essa responsabilidade, mas percebo quem quer.

O potencial de compensação monetária é enorme e no final não tens de responder perante ninguém.

Tem as suas vantagens e desvantagens

Ângela disse...

Engraçado isso dos patrões. Eu também penso como tu. Mas há muita gente que é sempre contra os patrões. Acho que se experimentassem ser durante uns tempos, podia ser que mudassem de ideias.

Ana Luisa Alves disse...

Manuel - Penso que a parte de não teres de responder a ninguém é verdade quando não tens empregados, ou fornecedores, ou empréstimos ao banco (e que patrão é que não tem nenhuma destas opções?). Sim, podes tomar a decisão que quiseres, mas as consequências e implicações são maiores...acho que a dor de cabeça de ser patrão não justifica o extra...mas se calhar é porque sou preguiçosa e não gosto de me preocupar muito.

Ângela - quem é contra os patrões é porque nunca teve ninguém próximo que estivesse nessa situação e é incapaz de se colocar no lugar de um...