domingo, 24 de fevereiro de 2019

Novo Ano, Vida Nova - aquele post com 2 meses de atraso...

Este é aquele post com 2 meses de atraso, que devia ter sido escrito e publicado se eu fosse uma blogger decente. Infelizmente não sou.

Por isso, passando à frente todos os típicos votos de "feliz ano novo e boa sorte com as dietas e outros objectivos temporários", mea culpa, mea culpa, por não vir aqui tantas vezes como gostaria...anuncio que pretendo retomar o registo das minhas aventuras literárias e não só.

Nos últimos 2 meses estive a fazer algumas mudanças na minha vida, que não me deixaram muito tempo para leituras. Vejam lá que ainda nem estipulei o meu objectivo de número de livros a ler no Goodreads!?! #escandaloso!

Este é apenas um post para dizer que estou viva e isto não morreu. Continuarei a depositar neste baú parte das minhas memórias e ideias estranhas. 

Até já!


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

(500) Days of Summer (Com SPOILERS)

"(500) Days of Summer" é considerada uma comédia a fugir para o drama, que conta a história de Tom e Summer, um casal com muitos gostos em comum, mas com expectativas completamente diferentes em relação ao relacionamento que começam. Summer, é uma rapariga um pouco perdida, talvez desiludida com um antigo amor, que sabe que não pode oferecer nada de sério; Tom é o oposto: um rapaz sonhador, que acredita no destino, nas almas gémeas e no amor para a vida toda. 

Obviamente (spoiler alert), duas pessoas com objectivos tão diferentes, acabam por não ficar juntas. E é aí que começa o sofrimento de Tom. A certa altura na relação percebemos que este já só vivia de expectativas, que saem sempre frustradas e que aumentam a infelicidade de Summer. Tom assume o papel que realmente tem nesta história, o de vilão. Ignora propositadamente os pequenos sinais de distanciamento de Summer até que esta se decide pela ruptura. O amor é egoísta, mas será que isso era realmente amor, ou apenas uma ideia de amor?

E é por isso que este filme mexe comigo (e com muita gente). Eu sou o Tom. A minha cabeça está cheia de histórias e cenários que imagino para mim e para aqueles que me são próximos. Fico sem saber o que fazer, quando as coisas não acontecem como nos filmes e livros bonitos. Esses filmes e livros, que sempre me ofereceram a segurança de que algo sempre corre bem no final. 

O que é que eu faço? Que instruções devo seguir? Que escolhas devo fazer? Há realmente algum livro que nos valha? 

Paro no tempo. 

Perco-me no tempo e concluo que o livro somos nós e que o melhor é mesmo não criar expectativas, ou corremos o risco de ser o vilão da nossa própria história. 




domingo, 7 de outubro de 2018

A Casa - José Saramago

No ano em que Saramago partiu deste mundo, visitei Lanzarote pela primeira vez. Aquela paisagem negra imponente ficou-me na memória apesar de apenas lá ter estado durante umas horas. Oito anos depois, no ano em que se celebram 20 anos da atribuição do nobel da literatura, voltei. Desta vez ia com a liberdade da vida adulta e pude visitar "A Casa". 

Fomos numa manhã cinzenta de terça-feira. Estava curiosa, mas sem qualquer tipo de expectativa. Sempre gostei de Saramago, mas não estava preparada para esta visita. Já li várias obras do escritor e ainda hoje é uma constante nas minhas leituras. No entanto, não esperava emocionar-me, como aconteceu durante esta experiência. 

A visita tem duas partes diferentes: A Casa e a Biblioteca. Somos convidados pela simpática guia a entrar no hall de entrada de um homem e de uma mulher que partilham, entre outras coisas, uma paixão pelos livros e pela arte, que são evidentes em todos os compartimentos da casa. Sente-se uma atmosfera tão intima, que chegamos a achar-nos intrusos. Aprendi algumas coisas que não sabia sobre Saramago; ouvi a história do seu avô que se despediu das árvores antes de ir uma última vez para o hospital e que despoletou uma série de emoções em mim que não pude controlar; observei o cadeirão onde o escritor se sentou a escrever e onde todos os dias o seu cachorro lhe fazia companhia...Não ouvi tudo o que a guia dizia, porque estava demasiado atrapalhada a tentar esconder as lágrimas. Foi difícil, considerando que só estava eu, o meu namorado e a guia. Escusado será dizer, que não escondi nada.



No final de tudo, fomos conduzidos à cozinha de Saramago e Pilar, onde nos ofereceram um expresso. Não gosto de café, mas estava tão constrangida por me ter emocionado que acabei por beber, com vergonha de recusar. Foi uma oportunidade para me recompor de uma viagem pelas memórias de alguém que teria vivido mais se pudesse. É triste a falta de tempo que sempre há para se viver.

Durante o resto do nosso tempo em Lanzarote a sensação de calma com que saí da visita "À Casa" nunca me abandonou. Como um tímido fantasma nostálgico que assombra o espírito, relembrou-me todos os dias de que cada momento é precioso, quer se seja um nobel da literatura, ou um simples mortal, ou os dois - um nobel da literatura e um simples mortal. 

Fiquei muito feliz por ter tido a oportunidade de visitar a casa de Saramago, ainda que saia de lá com um sentimento de perda, porque a vida não dura para sempre. Até mesmo a de um nobel.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

"A Casa dos Espíritos", Isabel Allende

Sinto falta de alguém que partilhe o meu gosto pela leitura, quando acabo de ler algo como "A Casa dos Espíritos" da escritora chilena Isabel Allende. Quero gritar aos sete ventos que foi dos melhores livros que já li. Ri-me, zanguei-me e chorei e mais uma vez deixei-me encantar pela escrita sul americana. Que universo único é este?!

Por alguma razão, a maior parte dos meus amigos não lê muito. É estranho e fascinante, porque agora que penso nisso, as minhas amizades funcionam bem, porque toda a gente tem interesses diferentes. Interesses diferentes tornam a vida mais interessante, mas ao mesmo tempo pode ser um pouco solitário.

"A Casa dos Espíritos" segue a história da família Trueba, liderada por um homem pouco tolerante (e isso é dizer o mínimo), Esteban Trueba. Narra a vida deste homem colérico, da sua peculiar e sensível mulher, Clara, e dos seus filhos e netos. Se me perguntarem sobre o que é este livro, não vou conseguir dizê-lo de forma exacta: Este livro é sobre a vida. Simultaneamente fala sobre a história do Chile; o conservadorismo do governo, a ditadura, a tortura e morte de milhares de pessoas à garra desse regime. Fala também das mulheres. Apesar do domínio aparente do homem, é a nossa sensibilidade que comanda o mundo.  

Apesar de não ser o mesmo que "Cem Anos de Solidão", do extraordinário Gabriel Garcia Marquez, "A Casa dos Espíritos" tem muitos pontos em comum e a temática família e antepassados ocupa também um lugar de destaque na escrita de Isabel. Acho que é esta temática que de facto me fascina na escrita destes autores sul americanos; a insignificância e ao mesmo tempo significância de cada vida, a repetição dos acontecimentos e actos e a forma como o que fazemos já foi feito mil e uma vezes, mas para cada um de nós é único e irremediável - o ciclo sem fim (já faltava a referência a filmes da Disney!).

Gostava de ter mais palavras e maior talento para exprimir ao certo o quanto o meu coração ficou cheio depois de terminar este livro. Três semanas depois aqui estou eu, só e abandonada, sem ainda ter encontrado um bom substituto. 

PS - Aceitam-se sugestões!




domingo, 15 de julho de 2018

Yoga - A minha experiência

Há três meses atrás resolvi inscrever-me no Yoga. Andava cheia de stress e com dores de costas e tinha finalmente tempo para uma actividade extra trabalho.

Até então o meu único contacto com a modalidade (se é que se pode chamar isso ao Yoga), consistia nuns vídeos que vi no Youtube e numa aula que fiz há muitos anos atrás, que me deu imensa vontade de rir.

Por iniciativa própria, procurei um local especializado e acreditado pela Confederação Portuguesa do Yoga. Queria ter a certeza que estava a ter contacto com o verdadeiro Yoga e não com a modalidade alterada que trabalha apenas a parte física e descura a mente. 

Ainda assim, a primeira aula foi um choque. Não estava há espera de algo tão zen. Confesso que quase me parti a rir na parte em que fizemos exercícios que consistiam literalmente em fungar de forma vigorosa e em cantar palavras sem sentido, como se estivéssemos num qualquer culto de bruxaria. No entanto, com o passar do tempo, o que era motivo de riso, tornou-se normal e até útil. 

Nas aulas trabalhamos vários aspectos de nós mesmos: a parte física e de flexibilidade, o controlo sobre a respiração e o controlo sobre a nossa mente e os nossos pensamentos. Não há aula em que comece a suar de forma profusa, ou me sinta a desfalecer. Não é uma modalidade em que o objectivo seja perder peso (ou a barriga), ou em que sinta que a frequento com esse fim. Actualmente pratico Yoga, porque me ajuda a desligar um bocadinho do correrio e das tarefas mundanas. Sinto-me mais flexível, as costas não me doem tanto e ajuda-me a relativizar certas energias negativas. Mas atenção, não faz milagres por si só. O trabalho continua a ser nosso, mas cada ferramenta é preciosa.

Entretanto, resolvi experimentar praticar Yoga noutro local e com outra professora, e é sempre diferente. Por isso, se acham que não gostam de Yoga, porque já o praticaram em determinado momento e não se deixaram cativar, pode acontecer que não tenha sido com o professor/ra mais indicado/a. Pode também acontecer que o problema esteja na escola de Yoga, já que existem várias com filosofias bem díspares. Se mesmo insistindo, não gostarem, amigos á mesma! 







sexta-feira, 13 de julho de 2018

Projecto Gatil Simãozinho - Um exemplo a apoiar!

Há mais ao menos um ano e meio mudei-me para Guimarães. Vim eu e o meu namorado. Não conheciamos ninguém, mas foi fácil mudar isso. Viver nesta cidade é diferente de todos os outros locais onde vivi (e já vivi em pelo menos 3 cidades diferentes). Viver em Guimarães é como viver numa aldeia em ponto grande, onde toda a gente se conhece.

Claro que ser veterinária, também ajuda a conhecermos meio mundo, mas os vimaranenses tem um orgulho próprio que encanta alguns e consegue ao mesmo tempo repelir outros (Olá bracarenses!). No entanto, assim que se consegue ultrapassar essa carapaça de orgulho e fanatismo futebolístico, somos rapidamente bem recebidos.

Para além de um centro histórico lindíssimo, Guimarães tem também algo de único no país: um projecto de escola muito bem elaborado e estimado, que se encontra na Escola EB 2 e 3 Santos Simões - O Gatil Simãozinho.



O Gatil Simãozinho, não é uma associação, mas antes o refúgio para cerca de 50 gatos e gatas vitimas de abandono, negligência, e/ou maus-tratos. Foi criado há 9 anos, como um projecto de escola e é mantido pela Professora Luísa Veiga, que, juntamente com alguns voluntários e alunos, dá a qualidade de vida que estes animais não tiveram a sorte de encontrar noutro local. 

Lembro-me da primeira vez que fui ao Gatil Simãozinho. Fui chamada para ver as orelhas de um gatinho que detestava sair do seu local. Ao transpor o pequeno portão fiquei totalmente fascinada pelo local. Como amante de gatos, que não os pode ter (obrigada namorado por seres alérgico), entrar no gatil pela primeira vez e ser imediatamente rodeada por mais de 30 gatos curiosos, foi sem dúvida das coisas mais fascinantes que experimentei. 



Todos os dias estes animais tem de ser alimentados, os sanitários tem de ser limpos, e aqueles que tem alguma patologia tem de ser avaliados e tratados. Dá muito trabalho e trás muita despesa. Já para não falar dos tratamentos profiláticos: vacinações e desparasitações. Para tentar dar conta do recado, são inúmeras as iniciativas que a incansável Professora Luísa e os seus voluntários organizam: feirinhas semanais na escola, caminhadas solidárias, recolhas em alguns locais específicos (clínicas veterinárias, por exemplo), almoços e jantares solidários...Ainda assim é difícil dar resposta ás exigências destes animais.



A gestão do gatil torna-se ainda mais complicada com um dos maiores flagelos da sociedade portuguesa: o abandono animal. Só nesta semana foram 8 os gatinhos e gatinhas que foram abandonados ás portas do gatil: 4 numa caixa transportadora que penduraram nas grades da escola ao sol abrasador, sem água e sem comida alguma; 4 num saco de plástico preto. Estes últimos ainda mamavam e já estavam a ser comidos por larvas de mosca, quando foram encontrados. Todos acabaram por morrer.

Para estas pessoas cruéis e ignorantes é fácil atirar o problema para os outros. Acredito que dificilmente estes seres humanos possam ser salvos, ou reformatados a pensar de forma humanitária, mas talvez ainda se consiga fazer algo pela educação e pelo civismo dos filhos e netos deles. Porque enquanto a sociedade não compreender que a solução para o excesso de animais de rua e abandono, não é atirar o problema para as associações e para as outras pessoas, mas sim fazer parte da resolução desta calamidade pública, nada vai mudar. Quem se importa vai continuar a lutar até ficar sem forças e se sentir exausto, porque a bola de neve nunca vai ter fim. 

É por causa desta falta de educação, civismo e respeito pelos seres vivos, que projectos como o Gatil Simãozinho são muito importantes. A sensibilização das pessoas e, sobretudo das crianças, é aquilo que lentamente vai fazer com que a bola de neve que é a problemática do abandono animal, pare de crescer.

Deixo aqui o convite para que visitem a página de Facebook do Gatil Simãozinho, façam algum tipo de doação, ou simplesmente convidem os vossos amigos a fazer um "gosto" na página. É importante que estes projectos sobrevivam e se tornem a regra e não a excepção. 

Se souberem de mais projectos de escola semelhantes, por favor deixem a informação na secção de comentários, já que gostava imenso de conhecer!