quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Não vejo o telejornal

Não vejo o telejornal há vários meses e só ocasionalmente leio as notícias no jornal online. A principal razão é a de não ter televisão na cidade onde estudo e a segunda razão é a de não querer saber.

Não é que eu não goste de saber o que se está a passar no mundo, porque gosto de ter essa noção, mas digam-me: alguém acordou hoje de bom humor, ligou a tv (porque quando estou de férias, tenho-a disponível) e ficou deprimido por ver repetidas as mesmas notícias (que se repetem há anos...) e mais outras tantas sobre desastres, ou políticos mafiosos que nunca são condenados?

Sinceramente pensem bem e digam-me: porquê que queremos saber isso? Para podermos falar com os nossos conhecidos sobre algo mais que o tempo? Para podermos ter pena daquelas pessoas, enquanto os media facturam com a nossa peninha? Para saber de mais cortes e promessas? 

Para mim basta-me ler os títulos, para ter uma noção do que se passa no Mundo. Raramente leio um artigo na integra e, quando o faço, fico chocada com a quantidade de juízos de valor que são feitos num suposto artigo de informação - Manipulação a toda a hora!

Que mudanças notei depois de deixar as notícias? Para dizer a verdade...nenhumas. Tenho mais tempo para outras coisas e redirecciono a minha atenção para assuntos locais, para os quais eu posso contribuir, ou comentar, por conhecimento de causa. 

Se cada pessoa se concentrasse em ver menos televisão e em queixar-se menos, baseado no que vêem, talvez fossemos todos um pouco mais felizes.  

terça-feira, 8 de Abril de 2014

Desafio dos 30 dias!

Ontem estava a navegar e a ouvir algumas "conversas" no Ted Talks e deparei-me com esta, sobre tentar coisas novas durante trinta dias. Este procedimento simples pode ajudar-nos a construir uma força de vontade maior e a trazer novos interesses para a nossa vida...ou mesmo a excluir alguns elementos, que não são assim tão necessárias. 

Se pensarmos bem, 30 dias é o período ideal para nos habituarmos ou desabituarmos de algo. Como tenho tido dificuldade em encontrar o meu equilíbrio interior, nestes últimos tempos de stress com a universidade, resolvi criar uma lista de 30 coisas a experimentar em 30 dias (à vez):
 
1) Ler pelo menos 1hora por dia;
2) Não comer chocolate, ou algo com chocolate;
3) Ser vegan;
4) Uma fotografia nova por dia;
5) Assistir a uma palestras TED TALKS (30 min.por dia);
6) Dieta sem gluten;
7) Uma receita nova por dia;
8) Não andar de carro;
9) Escrever um diário;
10) Usar uma palavra nova por dia;
11) Cumprimentar/falar com alguém novo;
12) Dançar, mesmo que não tenha jeito;
13) Comer alimentos crus;
14) Sem Facebook;
15) Aprender uma língua nova uma hora por dia;
16) Um desenho por dia;
17) Gastar menos de 1€ por dia (excepto rendas e contas);
18) Plantar uma planta nova no jardim, ou em sitios à sorte;
19) Ver um filme por dia;
20) Não comentar a vida das outras pessoas, ou julgar;
21) Lista de gratidão diária;
22) Fazer cinquenta abdominais por dia;
23) Beber 8 copos (ou mais) de agua por dia;
24) Escrever um livro;
25) Sem televisão;
26) Elogiar alguém diferente;
27) Não usar o elevador;
28) 10 minutos de respiração controlada, por dia;
29) Um video de cirurgia por dia;
30) Não me queixar.

Esta é a minha lista. Vou mantendo o post actualizado!









sábado, 5 de Abril de 2014

"Leitores como nós" #3 - Cátia Ramos

"Leitores como Nós" é a nova publicação semanal do Baú dos Livros. O objectivo é dar a conhecer diferentes visões do mundo da literatura, dadas na primeira pessoa, pelas pessoas que vamos seleccionando. Só temos um critério de admissão: gostar de ler!

Esta semana, o Baú dos Livros foi conhecer o que pensa Cátia Ramos sobre o mundo dos livros:

Cátia Ramos, nascida no mês de Abril do ano de 1991, é uma confessa amante da cozinha e dos bons cozinhados, licenciada em Engenharia Zootécnica - há que saber produzir do campo até ao prato! - Adora a família e os amigos e faz-se acompanhar da sua fiel amiga de quatro patas, a Aurora; Não lê muito, mas gosta daquilo que tem oportunidade de ler e aceitou de bom grado compartilhar a sua opinião com o Baú dos Livros. 


BL: Lembras-te do teu primeiro livro sem imagens? Qual foi?  
CR: O meu primeiro livro sem imagens penso que foi “Amor de Perdição” de Camilo Castelo Branco. Era um livro já velhinho, que havia lá para casa e eu decidi arriscar.

BL: Que géneros preferes? 
CR: Gosto muito de livros de romance fantásticos e se forem daqueles que são sagas que vão ser reproduzidas em filmes, ou séries, então ainda melhor. 

BL: Qual o livro que mais te marcou e porquê? É o teu livro favorito? Se não for, então qual é? 
CR: Não tenho nenhum livro que me tenha marcado especialmente. A saga Harry Potter será sempre lembrada com muito carinho porque a adorei mesmo! Ainda assim, não tenho nenhum favorito, porque quando estou a ler um livro de que gosto embrenho-me de uma forma quase estúpida e, naquele momento, é aquele livro que eu amo. 

BL: Qual a melhor adaptação cinematográfica de um livro que já viste? 
CR: Acho que, até agora, nenhuma adaptação cinematográfica das que vi fez jus ao livro. Penso que talvez o segundo filme do “Hunger Games” tenha sido das melhores adaptações, ou então o “Verónica decide morrer” do escritor Paulo Coelho. 

BL: E a pior? 
CR: Sem dúvida alguma os filmes de “Harry Potter”; não fazem qualquer justiça aos livros, para não falar no facto de mudarem algumas coisas da história. 

BL: Se pudesses escolher um personagem e um livro onde morar, quais escolherias? 
CR: Se fosse pela personagem acho que escolheria a Beatrice Prior do “Divergent” porque acho mesmo giro a normalidade com que ela encara os desafios. Quase parece um super poder. Além disso ter o "Quatro" sempre ali ao lado não era nada mau (xD); ou então a Hermione Granger do “Harry Potter” porque é fantástica! Um livro para morar seria sem dúvida "Harry Potter". 

BL: Qual é aquele escritor que não suportas? Quais as razões? 
CR: Eu não tenho histórico literário suficiente para não suportar autores, acho que para já só não suporto alguns livros, principalmente os dramáticos. 

BL: Quando escolhes um livro, o que te atrai mais? 
CR: Atrai-me principalmente se é um livro com história, com criaturas e mundos fantásticos e se tem uma boa dose de romantismo. 

BL: Gostavas de ler mais? O que te impede de o fazer? 
CR: Sim gostava, não o faço porque quando começo a ler só pára quando o livro termina então se é uma saga já estão a ver o que acontece...não faço mais nada da minha vida. Depois torna-se complicado ter tempo para tudo. 

BL: O que achas que poderia fazer as pessoas lerem mais? 
CR: Acho que se uma pessoa não tiver disposição para ler não há nada que se possa fazer para ela ler. Quanto às pessoas que gostam de ler. acho que não lêem mais causa dos preços dos livros. Tudo bem que já há muitos livros online mas não há nada como sentir o cheiro de um livro. Por isso, penso que se houvesse forma de baixar o preço dos livros ou de haver mais partilha isso faria as pessoas lerem mais. 

E esta foi a nossa nova entrevista! O Baú agradece à Cátia e volta a convidar aqueles que gostariam de participar, a contactarem-nos via email, ou página Facebook!

quarta-feira, 2 de Abril de 2014

E "Foi Assim que Aconteceu"... (SPOILER ALERT)

Comecei a ver "How I Met Your Mother", há seis anos atrás. Não sei precisar exactamente, quando foi, mas foi por volta dessa altura. Quem me mostrou a série foi o meu ex-namorado e na altura achávamos que éramos a Lilly e o Marshall; o facto de termos crescido juntos, fazia com que fosse fácil saber o que cada um estava a pensar, tínhamos as nossas próprias piadas e manias e ás vezes acabávamos as frases um do outro. Adorávamos aquela série, porque era a nossa série - enquanto todas as pessoas mudavam de par, ficavam tristes e iam procurando "a tal", nós não precisávamos; éramos a Lilly e o Marshall.

Foram bons tempos, mas como casais como a Lilly e o Marshall não existem (pelo menos, que eu conheça), a vida aconteceu e cada um de nós seguiu o seu caminho. Deixei de ver a série durante algum tempo, porque era doloroso para mim ver a minha ex-personagem e saber que afinal não passava tudo de uma ilusão.

Quando recomecei a ver "How I Met Your Mother", estava com outro espírito. Foi numa época de crescimento pessoal e de evolução; uma época de dúvidas, algumas das quais ainda não esclarecidas, mas que me abriram os olhos para as restantes personagens da série; todas elas conseguiam ser mais reais e fascinantes que o casal maravilha



E foi assim que aconteceu. Voltei a seguir os episódios e a evolução destas personagens. Ficava espantada como o Barney, inicialmente uma personagem completamente oca, podia tornar-se tão interessante e "crescido"; acompanhei o Ted na sua busca pelo amor verdadeiro, pela sua alma gémea, que acabou por encontrar; vi a Robin abdicar um pouco da sua carreira e perceber que o que interessava eram as pessoas...até ao último episódio, no qual tudo foi por água abaixo.

Não me chateou terem morto a "mãe". Eu podia viver com esse final - trágico, mas romântico. O que me chateou foi que em quinze minutos conseguiram destruir toda a evolução de nove anos de temporadas! Porque no final tudo voltou à forma como começou; afinal, as pessoas nunca mudam; as pessoas nunca evoluem e ultrapassam obstáculos; as pessoas são o que são e tudo aquilo pelo que passam nunca as muda ou amadurece - guess what?! Estão errados argumentistas idiotas!

Se quiserem podem vir com histórias e argumentos, que defendem que o verdadeiro amor sempre existiu, porque o Ted ficou com a Robin, de quem gostava desde o inicio. Então fiquem sabendo que: o verdadeiro amor é feio! Este Ted é um grande egoísta; todos na série são uns grandes egoístas! Se fosse verdadeiro amor, ele não tinha esperado que a mãe morresse, ele não teria desistido e nenhuma destas duas mulheres teria sido uma "segunda escolha", porque só teria havido UMA escolha.

Não gostei deste final. Não gostei de como nos fizeram adorar a "mãe" durante toda a última temporada, para depois a relegarem para um plano tão feio; Não gostei de como este Ted afinal era um grande idiota; Não gostei de como deram um toque tão realista à última temporada e depois em alguns minutos a tornaram numa grande fantochada. 

Vou fingir que a temporada terminou, quando a Robin e o Barney casaram e viver em negação para o resto da vida.


quinta-feira, 13 de Março de 2014

Um passo de cada vez - Garraiada Académica

Ontem na minha universidade (UTAD) foi dado um pequeno grande passo na luta contra as actividades de Tauromaquia: a garraiada académica foi eliminada do cartaz da Queima das Fitas.

Para quem não sabe a garraiada não é o mesmo que tourada; a garraiada consiste em usar o "garraio" (um touro jovem) num cercado, onde podem entrar pessoas para o desafiar numa luta igual e justa.

Isto é o que dizem os pró-tauromaquia. A realidade das garraiadas é outra: a garraiada não é uma luta igual e justa. A começar pela palavra: cercado; seguida da palavra: álcool; seguida das palavras: conjunto de pessoas = O animal está num cercado, onde podem entrar e sair várias pessoas, muitas delas sob o efeito do álcool. Porquê que elas são tão apreciadas? Porque são as únicas vezes do ano em que algumas pessoas, se podem exibir; são uma futilidade que sobrevive à custa do bem-estar de outro ser vivo. 

Mas não é só pelo factor social que as garraiadas continuam a existir. Elas existem, porque contribuem para um monopólio comercial bastante alargado. Este monopólio tem a sua expressão máxima no sul de Portugal, onde existem famílias inteiras que se dedicam à criação da touros de raça Brava. Como tal, há que continuar a incentivar o gosto pela "tradição", porque se apedrejar mulheres também facturasse, então ainda se faria isso, pela "tradição", claro! 

Mas como e quando é que estas "tradições" vão terminar?  

Costuma-se dizer que para evitar zangas graves é melhor não se falar em religião, política ou futebol. O tema das touradas e garraiadas encaixa perfeitamente nestes temas que nunca irão reunir consenso, isto porque existe uma grande dificuldade em ambas as partes de se colocarem na pele uns dos outros: se um dia algum fulano começasse a dizer que o pão fazia mal à saúde e que todas as padarias deveriam deixar de existir, eu ficaria assustada, revoltada e preocupada, já que a minha família depende da venda de pão para sobreviver. Mas não seria puro egoísmo da minha parte achar que só isso era o suficiente para continuar a fazer mal às pessoas com o pão que eu lhes vendia? Sim.


A resposta para o fim das actividades de tauromaquia e para o fim do célebre argumento "estão a condenar a raça Brava ao seu fim, se não continuarem a "tradição" ", está em tornar a raça útil e valiosa por outros motivos, como por exemplo, pela qualidade da sua carne. Desta forma preserva-se a raça e sustentam-se as famílias. Acredito que, a longo prazo, este tipo de "tradição" se vá perdendo, não só porque cada vez existe mais gente sensibilizada e informada, mas também porque o próprio factor tempo é capaz de diluir muita coisa.

Numa discussão amigável, que tive em tempos sobre o tema, com alguém que tolerava a garraiada, mas não a tourada, apercebi-me de uma coisa sobre a qual nunca tinha reflectido: o ser humano não é perfeito. O ser humano tem ainda o seu lado animal, aquele que se delicia em subjugar os outros, ou as outras espécies; aquele que lado que acha piada às pessoas que são arrebatadas do chão pelos cornos de um touro. No entanto, cabe a cada um de nós definir onde termina o nosso lado animal e onde achamos que deve começar o nosso lado humano. É este último que nos permite expressar compaixão e amor pelo próximo. 

Sinceramente gosto mais desse lado humano e tento, em todas as ocasiões, combater o meu lado animalesco. E vocês?

sexta-feira, 7 de Março de 2014

"Leitores como Nós" #2 - Tomás Magalhães

"Leitores como Nós" é a nova publicação semanal do Baú dos Livros. O objectivo é dar a conhecer diferentes visões do mundo da literatura, dadas na primeira pessoa, pelas pessoas que vamos seleccionando. Só temos um critério de admissão: gostar de ler! 

 
 Esta semana, o Baú dos Livros foi saber o que pensa Tomás Magalhães sobre o mundo dos livros:

Desde muito cedo, um entusiasta das causas animais, Tomás Magalhães é hoje estudante do 4º ano de Medicina Veterinária na UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro). É um grande fã de cinema e de séries, mas não dispensa a companhia de um bom livro! Estar rodeado da família e dos amigos é algo a que dá grande importância, pelo que procura construir relações fortes e duradouras. Viajar é outra das suas paixões, ansiando sempre pela próxima viagem. Um jantar de amigos ou uma sessão de cinema estão entre os seus programas favoritos.


BL: Lembras-te do teu primeiro livro sem imagens? Qual foi?
TM: Não me consigo lembrar qual foi o meu primeiro livro sem imagens, porque durante muito tempo, numa primeira fase da minha vida, gostava de ler banda desenhada, começando pelas famosas revistas da Disney.
Depois, com o tempo, fui introduzido aos tais “livros sem imagens” por intermédio da escola e desde aí fiquei rendido à “experiência de ler”.

BL: Qual o livro que mais te marcou e porquê? É o teu livro favorito? Se não for, então qual é?
TM: São duas questões difíceis de responder…Vários livros me marcaram de diferentes maneiras através das suas histórias e respectivas mensagens subjacentes, pelo que não consigo nomear aquele que mais me marcou. Mas se tivesse que escolher um dentre esses que me tocou de maneira mais especial escolheria o livro “Uma amiga como Shiva”, que relata a história de uma cadela que se tornou uma verdadeira amiga e um pilar forte na vida de um rapaz de seis anos enquanto este atravessava uma fase de vida muito complicada, a luta contra um cancro.
Relativamente ao livro favorito, este é “A Rapariga quesonhava com uma lata de gasolina e um fósforo”, o 2º livro da trilogia “Millennium”. O primeiro livro desta saga já me tinha despertado muito interesse, principalmente de metade para o fim em que me deixou literalmente “agarrado”, mas o segundo foi aquele que mereceu a minha maior adoração. A trama é muito intensa e desenrola-se de uma forma cativante forte (e por vezes mesmo cruel e fria), despertando no leitor várias sensações e opiniões. A personagem principal é uma pessoa muito completa, repleta de conflitos interiores, de uma inteligência que sobressai em cada acção que realiza e de uma perspicácia e ironia que eu aprecio. Além disso possui inúmeros defeitos e partes menos boas, pois como todos nós, é imperfeita, o que permite ao leitor rir, sofre, torcer e acreditar junto dela ao longo das várias páginas que constituem esta obra de Stieg Larsson. É um livro que aconselho a qualquer pessoa que gosta de ler!!!

BL: Que géneros preferes?
TM: Gosto um pouco de tudo, mas tenho uma “queda” para o suspense / thriller. Adoro um bom policial, não fosse a minha escritora preferida a Agatha Christie, a “rainha do crime”.
 
BL:Tens algum hábito de leitura estranho?
TM:Penso que não tenho nenhum hábito de leitura estranho...apenas pego num livro e rapidamente me “embrenho” na sua história...e que bom que é!!!

BL: Qual a melhor adaptação cinematográfica de um livro que já viste?
TM:A adaptação cinematográfica que mais gostei foi, sem dúvida, aquela que foi feita dos livros da saga “Os Jogos de Fome”. Os filmes, tal como os livros, estão repletos de acção, de carga emotiva e de tamanha força que não deixam nenhum espectador/ leitor indiferente. Senti-me suspenso a cada virar de página e encontrei nos filmes uma sensação muito semelhante, como se conhecesse aquelas personagens diante de mim e como se de algum modo fizesse parte do que estava acontecer.
Um outro livro que penso ter sido muito bem adaptado à 7ª arte é “A Vida de Pi”, com efeitos visuais incríveis e muito fiel ao enredo que lhe está na base.

BL: Se pudesses escolher uma personagem a encarnar qual escolhias e porquê?
TM: Identifico-me quase sempre com algum traço de personalidade numa ou mais personagens dos livros que leio. Apesar disso não gostaria de encarnar nenhuma, até porque não me estou a imaginar numa arena como tributo a lutar pela minha sobrevivência, nem envolto numa investigação criminal!!!!
Cada um tem a sua história, e nós fora dos livros também temos a nossa! A “vida real” já é um verdadeiro livro que abarca todos os géneros literários!
 
BL: Qual é aquele escritor que não suportas? Quais as razões?
TM: Sem dúvida alguma, José Saramago. Não me identifico minimamente com a sua visão do mundo, nem com a sua forma de escrita. Infelizmente foi me imposto ler uma obra dele no 12º ano, mas terá sido o único e último livro que lerei deste autor. A maneira como descreve as situações e as convicções que coloca nas suas frases vão contra aquilo que aprecio e que procuro num livro. Sem querer ofender aqueles que gostam do seu estilo de escrita (os quais respeito), acho que este escritor jamais deveria fazer parte do leque de autores com obras de leitura obrigatória no ensino, porque definitivamente não escreve em “bom português”. apesar de ter sido galardoado com o Prémio Nobel da Literatura (algo que também não consigo compreender).
 
BL: Qual o pior livro que já leste?
TM: Essa é outra questão para a qual não consigo encontrar resposta. Já li vários livros que não me agradaram tanto e outros que acabei por desistir por não encontrar neles nada com que me identificasse. Contudo, acho importante ler de tudo um pouco para definirmos as nossas preferências e enriquecermos a nossa opinião. Nem sempre podemos gostar dos livros que lemos e nem isso seria bom, porque assim podemos dar valor àqueles que de facto são especiais e que nos marcam.
           
BL: O que achas que poderia fazer as pessoas lerem mais?
TM: Já existem muitos estímulos à leitura e iniciativas nesse sentido, por isso cabe às pessoas sentirem essa vontade para ler. Neste momento vivemos numa sociedade em que as pessoas optam por ocupar o pouco tempo livre que têm em programas mais fáceis ou que não exigem tanto do intelecto. Isto acontece, porque o emprego e as preocupações quotidianas já absorvem a maior parte da nossa atenção e paciência. É claramente mais fácil ligar a televisão e ver um filme ou uma série aconchegados no sofá (eu próprio muitas vezes opto mais por este cenário), mas acredito que ler “cultiva-nos” a mente e traz inúmeros benefícios psíquicos!!!
            De qualquer forma, se pretendesse estimular alguém a adquirir hábitos de leitura ou a ler mais, optaria por conduzir conversas pautadas pelo meu interesse e entusiasmo por ler e que permitissem transmitir a ideia de poder que os livros têm em nos despertar tantas sensações.
 

E esta foi a nossa segunda entrevista! O Baú agradece ao Tomás e convida aqueles que gostariam de participar, a contactarem-nos via email, ou página Facebook!