sábado, 13 de dezembro de 2014

Sobre o Manzarra ser Vegetariano

Não sou muito dada a acompanhar Facebooks de pseudo-celebridades portuguesas. Mas fiquei curiosa, quando o João Manzarra se tornou vegetariano e quis saber quais as suas motivações.

Ao que parece, viu um vídeo na Internet e decidiu tomar essa decisão em relação ao seu estilo de vida. Fico feliz por ele. Como ele, eu como pouquíssimo carne e não sou menos feliz por isso (limito-me às de frango, perú e ao peixe...muito raramente permito-me o luxo de comer bacon ou presunto, ADMITO!). Para além desta pequena diferença entre os nossos estilos de vida, está o de ele ser um rapazinho com a mania que é engraçado, que responde de forma bastante rude a quem não partilha da opinião dele.

Sim, concordo que muitas das coisas que ele (e muitos outros Vegan fundamentalistas) defende são verdades: a pegada ambiental associada à produção animal é gigante e de certeza, que num futuro próximo, não vai ser possível continuar a comer bifes, como se fossem bolachas (what?)

O que estas pessoas não percebem é que não vão conseguir, com argumentos fundamentalistas do género "os animais são como as pessoas", acabar com algo tão intrínseco como a produção animal, que existe praticamente desde que os humanos andavam na sua vida de nómadas; isso não vai simplesmente desaparecer! Para além do facto de a maior parte de nós simplesmente não ter força de vontade, ou mesmo vontade, de deixar de comer carne, existe o grande e poderoso lobby da Produção Animal. Mexe com biliões de euros por ano, com os interesses de muita gente e portanto, nunca vai desaparecer. Lamento informar-vos com a realidade.

Mas não se preocupem. Não sou comodista, nem acho que devemos ser. Existem coisas que as pessoas podem fazer, para alterar a situação. Coisas que, a meu ver, não precisam de ser tão radicais, para serem igualmente eficazes.

Em primeiro lugar, devem conhecer a realidade do vosso país e o que o distingue dos outros. O que me irritou naquela conversa no perfil do Manzarra, foi o facto daquele "menino da cidade", assumir que um vídeo que viu na Internet é verdadeiro, pela simples razão de estar na Internet. Custa a crer, que um ser humano de 20 e tal anos, supostamente viajado e instruído, não tem discernimento para assumir algo tão simples como isso, respondendo às pessoas que o comentam com "segundo este site", ou "pesquisa na Internet". 

Se uma pessoa, que trabalha na área da produção animal, lida com isso todos os dias e sabe do que está a falar, te comenta, se calhar não precisa de referências de Internet, porque viu, estudou e sabe mais do que tu, que viste um vídeo e leste umas coisitas nuns sites manhosos. Tentem conhecer a realidade, através da realidade, antes de a criticarem baseando-se em vídeos ou no diz que disse.

A produção animal, na maior parte da Europa, não está sujeita à mesma legislação dos países da América, ou Ásia. Nós (União Europeia), temos as nossas próprias regras, que estão cada vez mais direccionadas para o bem-estar animal (sabiam, por exemplo, que desde 2013 as porquinhas estão proibidas de estar presas em jaulas individuais, durante o seu período de gestação? Há uns anos atrás estavam presas por cintos num espaço minúsculo! As coisas estão a mudar!). É absurdo e completamente ilegal ter os hectares e hectares de animais em produção, como o que acontece na Argentina, ou no Brasil. Hectares esses, que estão na origem da crise de desflorestação e desertificação. Se querem tomar medidas efectivas, comprem apenas produtos com origem em países que tenham estas questões em atenção. Sejam consumidores atentos e responsáveis!

Uma das coisas que mais me custou durante estes cinco anos de Medicina Veterinária, foi sem dúvida visitar os Matadouros. No entanto, foi algo pelo qual me sinto grata, porque cada vez que meto um pedaço de carne na boca, faço-o em plena consciência de quanto é que aquilo custou. Sei como é que veio parar ao meu prato. 

A maior parte das pessoas desconhece como é que os animais são abatidos. É um mundo obscuro, à parte dos comuns mortais e é assim, porque interessa às empresas, que assim seja. Se toda a gente do planeta tivesse que passar um dia num matadouro, de certeza que pelo menos 1/3 delas deixaria de comer carne. 

Só para que saibam, os animais, antes de serem mortos (através da sangria), são insensibilizados. O problema dessa insensibilização, é que nem sempre é bem feita. Dos sítios que visitei, só um deles me deixou completamente descansada em relação ao sofrimento dos animais. Nesse local usavam um sistema de CO2, para adormecerem os animais até um estado de morte cerebral, totalmente indolor. O problema é que esse sistema é caro, por isso nem todos os matadouros o têm. Com o tempo, acredito que o panorama mude!

Ainda assim, apesar de acreditar que as mudanças devem ser graduais, e não querendo ser fundamentalista, há coisas a que me oponho totalmente. Uma delas é o comer "animais bébés". Só mesmo não tendo ideia de que um leitão é um porquinho de 2 meses, ou que um cordeiro é a coisa mais fofa do mundo, é que alguém os consegue comer! Tive a infelicidade de ter de assistir ao abate de mais de uma centena de leitões e cordeiros, de os ver vivos e em fila, e depois de os ver mortos e senti-me absolutamente revoltada. Comer leitão, cordeiro, ou vitela é um capricho! E mais uma vez volto a dizer sejam consumidores atentos e responsáveis!

Um dia vai existir carne sintética e os animais não vão ter de sofrer mais, mas enquanto isso não acontece, não é com acções fundamentalistas, ou baseadas em modas, que as coisas vão mudar. Há que começar pelas pequenas coisas. Como futura veterinária, espero conseguir assegurar a melhor vida possível aos meus "pacientes", mesmo que saiba que a sua vida terminará na panela de alguém. Não posso impedir isso, mas posso tentar trabalhar com o que existe e ajudar a mudar as coisas, um passo de cada vez. 

 


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

"Gone Girl" - Gillian Flynn

É raro quando começo uma crítica com a seguinte declaração: Gone Girl é dos melhores (talvez o melhor) livros que escolhi este ano para ler! Não é que eu tenha lido muito em 2014; li q.b., mas ainda assim, admitir isto quer dizer qualquer coisa sobre este livro da escritora Gillian Flynn (que eu achava, não sei porquê, que era um homem).

Já tinha ouvido falar deste nome, no ano em que saiu (2012) e foi um grande êxito, mas ocupada como geralmente ando, passa-me tudo um bocado ao lado. Resultado: só quando os meus amigos me perguntaram se tinha visto o filme e o que tinha achado, é que resolvi ler primeiro o livro (detesto ver o filme antes de ler o livro). 

A história relata a vida de Nick e Amy Dunne, um casal que, por diversas razões, enfrenta dificuldades matrimoniais e que está para celebrar o seu 5º aniversário de casamento. 

A primeira parte do livro está escrita na primeira pessoa, havendo uma alternância entre os relatos de Nick, a partir do dia em que a sua mulher desaparece misteriosamente, e os relatos de Amy, sob a forma de um diário, desde o momento em que conhece Nick, até desaparecer. 

Parece tudo bastante banal e previsível, até que, de um momento para o outro, a autora nos brinda com uma série de revelações, que nos fazem questionar toda aquela primeira parte do livro, supostamente tão espectável e sem gosto. 

É nesta segunda parte do livro que reside o factor maravilha de "Gone Girl"; fiquei espantada com a forma como Gillian Flynn manipula o leitor e o faz sentir tão enfadado, só para depois o deixar tão surpreendido e empolgado. A autora tem o dom de conseguir fazer-nos passar de um sentimento de simpatia por uma personagem, para um sentimento de ódio, num abrir e piscar de olhos - o que é, no mínimo, assustador!

Com o desenrolar da narrativa, apercebi-me de como tudo aquilo que parece, pode muito bem não ser, e a forma como as pessoas são rápidas a julgar e a acreditar em tudo o que ouvem/vêem, na televisão, na rua, em casa de amigos, nas outras pessoas...e nos livros. Aaté que ponto conhecemos aqueles com quem lidamos? Será que não vemos nas pessoas e nos eventos, apenas aquilo que queremos ver/nos fazem querer ver?

Estas são questões que me vem à cabeça sempre que penso em "Gone Girl". Com o final do livro não pude deixar de sentir um arrepio de medo. Medo de que um dia possa aparecer alguém assim na minha vida e torná-la num inferno, sem que eu dê por isso.

Em duas palavras: Amazing Amy... 



segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

"That Day"

Sempre que ouço a música "That Day" da Natalie Imbruglia,  penso no dia em que sairam os resultados da Mudança de Curso e eu vi que tinha finalmente entrado em Medicina Veterinária. 

Depois de três anos de incerteza e de insatisfação, tinha finalmente conseguido! 

Foi num dia depois do almoço. Eu e as minhas actuais colegas de casa estavamos na casa de uma delas, quando ainda não viviamos juntas, e alguém gritou "SAÍRAM OS RESULTADOS!"

A única de nós as cinco, que não tinha tentado, ofereceu-se para abrir a "coisa" e lá estava o meu nome am 4º lugar...Mas o nome delas não estava e apesar de eu ter ficado super hiper mega feliz, senti-me mal por ver que apesar de o meu sonho ter sido realizado o delas não. 

Foi um misto de alegria, com pena e revolta pela injustiça, que vi naqueles resultados.
 
Felizmente hoje estamos todas satisfeitas com o caminho que o destino e a sorte nos traçou. Porque apesar do meu trabalho, sei que tive muita sorte!

Agora custa a crer que já esteja no último ano. Costumava brincar que nunca ia passar para o segundo ano, já que estava sempre a saltar de curso em curso. À terceira é mesmo de vez!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

5 Formas de Manter a Sanidade Mental em Época de Testes/Exames

A época de testes/exames está a chegar (infelizmente), o que significa fazer uma grande ginástica entre estudar e ter vida prórpria. Aqui ficam algumas coisas que costumo fazer para manter a sanidade mental:

1) Dormir! - o meu método de estudo consiste em ler em voz alta e tentar axplicar a uma audiência invisivel, a matéria que estou a tentar memorizar. Já testei e comprovei, que quando estudo desta forma, intercalando as leituras com noites de bom sono, ou breves sestas durante a tarde, memorizo melhor as coisas. Quando não durmo em condições, para além de ficar de mau humor, desconcentro-me mais facilmente. 

2) Fazer Pausas - é importante fazer pausas do estudo, de preferência com actividades que não envolvam usar a cabeça. No meu caso, fazer exercicio, ir dar uma volta ou ir lanchar são as melhores opções (cuidado com as pausas demasiado frequentes para lanchar!). 

3) Evitar estudar nas horas que antecedem o teste/exame - quando eu era pequena lembro-me do meu pai me dizer: o último dia não é para estudar! E realmente, limito-me a fazer uma rápida revisão da matéria toda na manhã desse dia e depois passo o resto do tempo a divertir-me com séries televisivas, videos parvos no Youtube, ou a ler um livro. Isto ajuda-me a descontrair e a não sentir qualquer tipo de stress.

4) Organizar o estudo com antecedência -  antes de começar a fazer resumos, ou a tentar memorizar seja o que for, procuro descobrir qual será a estrutura do teste/exame. O tempo que preciso para estudar para um teste de escolha múltipla não é de todo o mesmo que preciso para um teste com perguntas do género "diga tudo o que sabe". 

5) Aproveitar os pequenos momentos com a família, amigos e namorado - Nem que seja durante meia horinha, é importante falar sobre outras coisas para além do teste/exame que vamos ter.

Estes são os pequenos truques que funcionam comigo. Cada pessoa terá os seus pequenos rituais e manias, que são igualmente eficazes. Os teus quais são?

sábado, 22 de novembro de 2014

Deviam saber quando acabar!

Neste momento estou a seguir umas quatro ou cinco séries televisivas e há algumas em que os realizadores/produtores/argumentistas deviam saber quando terminar, de vez!

Estou a falar de séries como The Walking Dead, Once Upon a Time e Revenge, por exemplo. Parece-me que todas elas já deram o que tinham a dar e esta última temporada tem servido para encher chouriços. Mas isto é algo que tem-se tornado habitual na televisão; há que espermer o máximo dali, mesmo que acabe por estragar a série para os telespectadores. Foi o que aconteceu com o True Blood, ou com, o mais polémico, How I Meet Your Mother; as últimas temporadas foram o arrastar de uma ideia que começou por ser muito boa, mas que já estava gasta.

Deviam saber quando acabar, não?