terça-feira, 28 de julho de 2015

Diário de uma Estagiária #6 - Trabalhar no MacDonald's

Esta última semana tem sido de adaptação. De dia estou de férias. A partir das 19h estou no MacDonald's. Acho que aquilo que pagam aos part-timers é uma perfeita anedota, mas fico porque é o único local que me permite adaptar o horário às minhas necessidades e conciliar com o estágio de Veterinária, que começa em Agosto. 

Como é que é trabalhar no MacDonald's? Não é muito mau. O tempo passa super rápido e não temos muito tempo para pensar. Comecei por estar na fritadeira nos quatro primeiros dias, mas entretanto já fui fazendo outras tarefas, desde montar os hambúrgueres e wraps, até andar a limpar a sala. Ainda não me mandaram para a caixa, mas sinceramente não me importo de ficar na cozinha. Nunca tive muito jeito para atender pessoas. Não acho que tenho a delicadeza, ou a paciência, necessárias para todo o tipo de clientes. 

Acho interessante a variedade de pessoas que trabalham no Mac. Desde senhoras com quase 40 anos, que se confundem no meio de tantos jovens, e que tem outros empregos para além desde, até miúdos de 18 anos que querem juntar umas coroas para a universidade. Há também os desistentes da faculdade, que se foram deixando seduzir pelas promoções a cargos ligeiramente melhores e os que tem formação superior, mas que, por alguma razão, não arranjam trabalho na área. Todas estas pessoas, com backgrounds diferentes, e objectivos ainda mais distintos, tornam o ambiente de trabalho uma amalgama social digna de observar e tirar apontamentos. 

É também interessante perceber todas as pequenas incongruências do grande franchising, que é o MacDonald's. Seria muito burra se não reconhecesse, que quem inventou este sistema era alguém com uma visão bastante à frente do seu tempo. A forma como tudo está encadeado e organizado, como todos tem funções especificas...pode-se realmente assumir que se está numa fábrica de comida. E depois pensa-se, como é que o povo português se deixou "americanizar" desta forma? 

Lembro-me da primeira vez que fui a um MacDonald's. Tinha ido ver o "Príncipe do Egipto" ao cinema, com o meu padrinho e a então namorada dele. Devia ter uns 10 anos. Pedi um Happy Meal, no MacDonald's de Vila do Conde (ou da Póvoa). Quando cheguei a casa vomitei tudo. A partir desse dia, concordei com os meus pais: essa comida não era boa. Ainda hoje não sou grande fã. Como ocasionalmente, mas fico sempre com uma sensação de enfartamento, que não é natural; não sabe bem. Por isso, essa minha alienação da comida rápida MacDonald's impediu-me de perceber quando exactamente é que isto pegou moda? 



Hoje, apesar da crise económica, famílias inteiras vêem almoçar, ou jantar ao Mac aos Domingos. E não gastam pouco! É de facto um mito que a fast food é mais barata. Não é! Cada menu custa no mínimo 5 euros, mais coisa menos coisa, sem contar com as sobremesas. Num abrir e fechar de olhos uma família de quatro pessoas gasta facilmente 30 e tal euros na brincadeira. Multipliquem por 4 fins de semana e são 120 euros ao final do mês. 

Eu cresci numa empresa de panificação. Sei quanto custa um hamburguer, sei quanto custa uma cola e uma garrafa de água. E sei que eles tem uma margem de lucro gigantesca. A minha dúvida é: porquê que com uma margem tão grande de lucro, não conseguem pagar mais do que 2,70€ líquidos/hora? 

Viva o capitalismo.

sábado, 25 de julho de 2015

Playlist #6 Junho

Atrasada, como habitualmente, seguem-se as sugestões e descobertas musicais de Junho, um mês marcado pelos exames finais do 5º ano!

Walk off The Earth, "Rule the World" - Esta banda do Canadá tornou-se famosa inicialmente no Youtube com este video, que deixou muita gente de boca aberta. Este é o seu novo single original, que gostei pela energia positiva! 

Martin Garrix feat. Usher, "Don't Look Down" - Que posso dizer? Esta parece ser a nova música do Verão. Dá imensas vezes nas rádios, mas adoro correr com ela a tocar nos meus ouvidos. Quase que em vez de correr começo a dançar! Depois das porcarias que o Usher tem andado a lançar, com letras de morrer de degredo, ainda bem que se juntou ao Garrix. Também existe uma versão do videoclip, com um rapaz em vez de uma rapariga, mas gosto mais dos "moves" da miúda. 

Laleh, "Some Die Young" - Os países dos norte da Europa, principalmente Suécia e Noruega, são uma fonte de muitos artistas que me aparecem de surpresa e por alguma razão me cativam. Laleh é uma descoberta recente. Já com uma longa carreira musical, nunca antes me tinha deparado com ela. O Youtube é realmente um lugar mágico. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

"Sapatos de Rebuçado" - Joanne Harris

Quem acompanha o blog, já deve ter notado que gosto bastante de ler livros de Joanne Harris. Não são só aquelas descrições de comidas e cheiros deliciosos, que fazem crescer água na boca, que me cativam, mas também a forma simples como constrói histórias. 

Contudo, tenho de revelar que não gostei muito deste "Sapatos de Rebuçado". 

"Sapatos de Rebuçado" é o nome da sequela de "Chocolate". O leitor descobre que, após abandonar a aldeia de Lansquenet-sur-Tannes, cenário de Chocolate, Vianne Rocher procurou refúgio e anonimato em Paris. Não está sozinha, tem ao seu encargo a já quase adolescente Anouk e a sua filha mais nova Rosette. Aparentemente a sua vida sem graça, permite-lhes passarem despercebidas, enquanto gere uma pequena e pouco sucedida chocolaterie no centro da cidade. Tudo corre sem graça e alegria até à chegada de Zozie de l'Alba, uma mulher cheia de segredos obscuros, mas que recorda a Vianne e a Anouk o modo como um dia viveram e foram felizes. 

O que é que eu não gostei nesta sequela? Posso começar por dizer que o enredo pareceu-me forçado. Desde esta necessidade de uma sequela para "Chocolate", que na minha opinião era desnecessária, até à parte em que toda a história se desenrola de forma previsível e muito lenta. Enquanto lia o livro tive a sensação de que tudo parecia sem a graça e magia típicas das histórias desta escritora.  As próprias revelações sobre o passado de Vianne não pareceram fluir com naturalidade. Pergunto-me se serei só eu que terei achado que este livro serviu para "encher uns chouriços" e ganhar uns trocos? Demasiado longo para muito pouco conteúdo.

Ainda assim, a escrita e linguagem mantém as características típicas de um livro do universo Joanne Harris. Ainda que o enredo tenha desiludido, convido os fãs a lerem o livro e a tirarem as suas próprias conclusões.
 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

"Voyager" (Outlander #3) - Diana Gabaldon

Tenho andado um bocado negligente no que diz respeito a opiniões literárias. O meu ritmo de leitura finalmente aumentou (Aleluia!), tudo graças ao fim do 5º ano e ao aumento das viagens de comboio. Não é uma desculpa, mas a verdade é que as opiniões foram ficando por escrever. 

Terminei a leitura de "Voyager" em meados de Maio. Estava quase em plena época de frequências/testes, mas mesmo assim fui arranjando tempo para este terceiro livro da saga "Outlander", de Diana Gabaldon.

Não posso dizer que não gostei. Sinto sempre um misto de curiosidade pelo que se segue, juntamente com algum cansaço, quando termino um volume de Outlander. Com este terceiro volume passou-se o mesmo. É demasiada informação, demasiadas reviravoltas e revelações para um livro só (SPOILER ALERT).

Em "Voyager" descobrimos que Jamie Fraser, o grande amor de Claire, afinal não morreu na batalha de Culloden. Nos sucessivos capítulos deste livro, a história da sua vida, durante as duas décadas que se seguiram à travessia de Claire para o futuro, vai nos sendo relatava. Vamos observando as provações pelas quais teve de passar, nunca esquecendo Claire, a mulher da sua vida. Simultaneamente, vamos também descobrindo como foi a vida desta enfermeira, depois de regressar ao seu tempo, com uma criança na barriga e sem uma explicação lógica para a sua ausência durante três longos anos. 

Após a morte de Frank e a descoberta de que Jamie poderá ainda estar vivo, Claire tem de tomar uma das decisões mais importantes da sua vida: deixar a sua filha e ir finalmente para junto do seu amado, ou desistir para sempre de Jamie. 

Claro que Claire opta por ir procurar Jamie. Afinal, Brianna já não é uma criança e está pronta a enfrentar o mundo sozinha. Mas a travessia parece ter sido a parte fácil para Claire. Uma vez no passado, ocorrem uma série de reviravoltas e contratempos, que tornam o seu encontro com Jamie atribulado e numa aventura que os levará a terras tão distantes como a Jamaica. 

Fiquei curiosa por mais, mas como já disse, gosto sempre de fazer uma pequena pausa entre volumes. Ajuda-me a processar toda a informação e, apesar de não me importar de ler em inglês, é uma leitura mais pesadinha, comparativamente ao que estou habituada.

 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

"Royal Wedding" (Diário da Princesa #11) - Meg Cabot

Quem me conhece bem sabe que sou louca pelo "Diário da Princesa". Desde os meus 12 anos que esta série literária faz parte da minha vida; quem sabe se muitas das minhas pancas e opiniões não terão sido por ela influenciadas. Afinal, somos um bocadinho de tudo aquilo que vemos, ouvimos e lemos, e eu li muitas vezes o "Diário da Princesa"!

Era na companhia da Mia, da Lilly, do Michael, da Grandmére, do Fat Louis e de muitas outras personagens, que eu me refugiava durante os dez longos anos que os livros demoram para serem traduzidos e publicados em Portugal. Fazia parte da minha rotina, quando entrava numa FNAC, ou numa Bertrand (ou noutra livraria qualquer) ir verificar na secção juvenil se já não teria saído o novo livro do "Diário da Princesa". Até ao dia em que saiu o último volume e eu o comprei e devorei com um misto de alegria e tristeza. Nunca mais ia rir-me com as tolices da Mia e as suas inseguranças um pouco infundadas.  

Felizmente estava errada e este 11º volume do Diário da Princesa, veio de novo trazer o riso a meio da leitura, ainda que esta aborde temas mais adultos. Neste livro senti que Meg Cabot conseguiu na perfeição pegar em personagens, que já não são adolescentes e, mantendo a sua essência, torná-los em pessoas adultas. Pessoas, que no fundo nos mostram aquilo que, agora que também sou adulta, começo a perceber sobre a vida: as pessoas não crescem, as pessoas não mudam; as pessoas simplesmente adaptam-se. O que elas são e as suas inseguranças acabam sempre por existir. Nós é que aprendemos a coabitar com elas.
 
Quanto à história em si, reconheço que estão presentes alguns clichés, mas são apresentados de tal forma que acabam por, no final, funcionarem muito bem e ainda conseguem fazer-nos dar umas valentes gargalhadas (pelo menos comigo funcionaram). 

Ah! Que bom foi ter mais um gostinho a "Diário da Princesa". Pergunto-me se talvez Meg volte a pegar nestas personagens, ou pelo menos numa delas, abrindo um novo espaço para uma nova Princesa, no seu universo literário. 

terça-feira, 21 de julho de 2015

Marés Vivas 2015

Além do estágio, do part-time e dos meus 15 segundos de fama, ainda houve tempo para uma noite de Marés Vivas na praia do Cabedelo. 

Fui principalmente pelos The Script e um bocadinho pelo Jamie Cullum, mas no final foi o Jamie que me cativou mais. Não que os The Script sejam maus...pelo contrário, mas o público é completamente diferente. 

No inicio do concerto da Ana Moura conseguimos ir bastante para a frente e lá ficamos a suportar aquela música, que na minha opinião, não serve para festival, enquanto esperávamos pelo Jamie. À nossa volta estavam umas raparigas com os seus 16/17 anos. Mantiveram-se calmas, com alguns comentários a meio das músicas, mas nada demais.
O Jamie foi super querido e engraçado. Tocou e cantou como um verdadeiro artista e deu-me vontade de ir ver um concerto só dele, porque soube a pouco. 



Mal começam os The Script as miúdas que estavam à nossa volta ficaram loucas e desataram a gritar que nem histéricas. Gritavam entre frases das músicas ao ponto de nem conseguir ouvir o que o vocalista cantava. Resultado, tivemos de vir para trás, para junto das pessoas civilizadas. Finalmente ai deu para apreciar a música. Fiquei muito feliz por ter oportunidade de ver uma banda cheia de energia e com boa voz (ouvi o Jonh Newman ao vivo na Comercial e coitadinho....). 




Fiquei satisfeita, só não percebi uma coisa: as pessoas vão para os concertos mexer no telemóvel ou ouvir a música e ver o espectáculo?!