sábado, 28 de maio de 2016

Vet Life - Scotland #13 Fim-de-Semana em Edimburgo - PARTE I

Uma das minhas melhores amigas veio fazer um pequeno estágio em Glasgow e decidimos encontrar-nos em Edimburgo, para um fim de semana turístico e uma noite de borga! 

Já tinha passado uma tarde em Edimburgo, com o namorado, umas semanas antes, mas só deu para visitar o castelo e espreitar o National Museum of Scotland, quando queríamos abrigar-nos da chuva.

Uma das coisas que acho um absurdo é o preço de entrada nos castelos. Acho um exagero cada visita custar entre 5 e 10£. Imaginem quanto fica para uma família de 4...então visualizem a minha cara, quando paguei os 16,5£ para visitar o Castelo de Edimburgo. Eu sei que sou forreta, mas é simplesmente demasiado! Se o vosso objectivo for visitar muitos castelos e edifícios históricos espalhados pela Escócia, talvez seja boa ideia considerarem tornarem-se membros do "National Trust for Scotland", antes de viajarem...fica a dica!


Enquanto a minha amiga visitava o Castelo, que aliás, vale a pena, principalmente se forem a tempo da cerimónia do "tiro" das 13 horas (não acontece aos Domingos), aproveitei para visitar o Museu dos Escritores. 


A entrada neste museu é grátis e, como acontece com alguns dos museus grátis na Escócia, este também tinha uma alcatifa que cheirava a mijo (mas só na secção do Robert Stevenson...). Portanto...ou temos castelos extremamente caros, ou museus à pala, mas que por vezes cheiram terrivelmente mal...Go UK! Tirando este odor particularmente nocivo, como leitora assídua que sou, gostei do que vi. A Escócia foi o berço de um dos estilos literários de que mais gosto - o romance histórico - e neste museu existe uma secção dedicada exclusivamente à vida de Sir Walter Scott, o pai do romance histórico. Depois de visitar esta secção senti vontade de ir para casa ler...mas confesso que para quem não gosta assim tanto de livros, ou nunca leu nada de Walter Scott, Robert Stevenson, ou do poeta Robert Burns, este pode ser um museu dispensável. 


Depois de deambular mais um bocado pela Royal Mile, decidi descer até ao Grassmarket. Actualmente uma praça cheia de vida e animação, com bares e restaurantes movimentados, o Grassmarket era um dos palcos das execuções publicas...tipo decapitações e cenas maradas do género...Sinceramente pareceu-me uma praça muito simpática e estava nessa altura a decorrer uma feirinha com produtos regionais e coisas mais exóticas, desde venda de sushi, até comida vegetariana. Havia também alguns artistas de rua, que contribuíam para a animação e para o bom ambiente, que se fazia sentir. 

Ainda na Royal Mile, quando ia ao encontro da minha amiga, decidi comer qualquer coisa para enganar a fome. Fui ao café da Catedral de St.Giles, cuja entrada se encontra na face lateral da mesma, no lado oposto à rua principal. Apesar de não ser particularmente bonito, os preços (lá estou eu a falar de dinheiro...) eram dos mais baratos que se podiam encontrar na Royal Mile e tinha tudo bom aspecto. Fiquei-me por um chocolate quente e uma bolacha de pepitas e entretive-me a ler o meu guia sobre Edimburgo. 

Quando me reencontrei com a minha amiga, depois de um almoço rapidinho na Subway e de umas visitas às lojas de lembranças, fomos para a nossa próxima visita cultural - "The Real Mary King's Close". 

 
Se gostam de história vão adorar este sitio! Edimburgo é conhecido pelos seus subterrâneos e pelas visitas guiadas aos mesmos. Antes de visitar a cidade, fiz alguma pesquisa sobre as opções de tours (que são imensas...) e acabei por escolher esta. Apesar de não ser realmente um subterrâneo, Mary King's Close não é mais do que um conjunto de ruínas de uma ruela (Close), que foi propositadamente subterrada, quando o pessoal rico da cidade se lembrou que queria construir uma espécie de shopping  center naquele preciso sitio, sem querer saber para onde iam os habitantes daquela rua. A visita é feita em grupos de 15 pessoas acompanhadas por um guia actor devidamente caracterizado, que nos vai relatando os detalhes da vida das pessoas daquela rua, no século XIV. Gostei bastante e achei que toda a visita estava muito bem estruturada. Recomendo que marquem a visita de manhã, ou no inicio da tarde, para poderem ter lugar na mesma se tiverem cartão de estudante aproveitem o desconto!

Quando saímos do museu anterior já tudo estava em vias de fechar (eram 17:30), por isso demos um passeio pelo Royal Mile na direcção oposta ao castelo, em direcção ao Palácio onde a rainha costuma ficar, quando vem visitar Edimburgo - Holyroodhouse - yah..."house", SQN! 

Adjacente ao Palácio encontram-se as ruínas da Abadia de Holyrood e uma das maiores áreas verdes que já vi numa cidade. Estava precisamente a comentar como adorava este contraste entre zonas verdes e zonas urbanas, quando um esquilo resolveu fazer uma aparição em cena e nos deixou maravilhadas. 

Para terminar o dia fizemos uma pequena caminhada até ao Arthur's Seat. Se não forem nabos como nós e não se enganarem no caminho a subir, a vista vale muito a pena! Como nos enganamos no caminho, só subimos até meio, mas a vista continuou a compensar.


O dia estava longe de acabar, mas, para já interrompo a descrição!

To be continued...





sábado, 14 de maio de 2016

Vet Life - Scotland #12 Visita a Dunkeld

Detesto andar de autocarro no Reino Unido. A razão principal é o preço. Mas, na falta de carro, e com vontade de explorar, não tive outro remédio a não ser pagar 3,7£ para ir passar um dia em Dunkeld. 
 
 
Apesar de pequenina, Dunkeld é uma das vilas mais bonitas que já vi na Escócia! Conhecida principalmente pela sua catedral, cuja construção teve inicio no século XIII, a vila não é mais do que uma rua principal com os seus cafés e restaurantes, mas é toda a paisagem envolvente que lhe confere um encanto especial.
 
 Apenas separada por uma ponte da sua vila vizinha, Birnam, as paisagens verdes e os maravilhosos trajectos pedestres que abundam por ali, serviram de inspiração para as histórias da escritora Beatrix Potter, autora das Histórias do Coelho Pedrito (The Tale of Peter Rabbit).
 
Depois de uma semana de condições meteorológicas imprevisíveis, como é costume por aqui, finalmente parecia estar um Sol maravilhoso. Por essa razão não me aventurei por museus, ou locais fechados e optei por fazer um dos percursos que acompanham a margem do rio. Poderia ter visitado o centro de exposições e jardins da Beatrix Potter, em Birnam, mas sentia-me com energia extra e por isso resolvi deixar para outra altura. 
 
Visitei a Catedral e fui recebida com um longo toque de sinos que se faz ouvir, aparentemente, a cada hora do dia. Achei a construção muito bonita e o ambiente envolvente idílico. A presença de alguns exemplares muito antigos e enormes de determinadas espécies de árvores conferiam ao local um ar ainda mais respeitoso e cheio de história. 
 
 
Foi também em Dunkeld, na "Palmerston's Coffee Shop", que saboreei o melhor chocolate quente de sempre! Estava um dia terrivelmente frio, apesar de solarengo, e não sei até que ponto não me terá sabido tão bem por causa disso. A verdade é tanto o chocolate quente, como o scone de banana e mel estavam deliciosos.
 
 
 
Depois da caminhada de 9km, que também valeu bem a pena, estava pronta para voltar para casa. Foi um dia bem passado e que recomendo a quem estiver pela zona!  
 
 
 

domingo, 1 de maio de 2016

VetLife - Scotalnd #11 Vamos ao que interessa...Whisky!

Não gosto da maior parte das bebidas alcoólicas. Não é porque não tento. Eu tento! Já experimentei vários vinhos; já tentei várias marcas de cerveja, desde irlandesa a chinesa; já bebi em várias situações e diferentes estados de espírito; já bebi para ficar bêbeda e sem querer ficar bêbeda; já bebi misturado com sumo, ou em estado puro; já tentei com peixe, carne ou doces. Simplesmente é tempo de admitir - sabe-me mal! 

Se calhar é porque fui criada a água e suminhos doces. Continuo a preferir uma boa limonada, uma  7up fresquinha, ou mesmo água. A única bebida de que realmente gosto é de Mojitos e Gin. Numa noite escaldante de Verão sabe mesmo bem ter um desses para refrescar.

No entanto, a Escócia é conhecida pelo Whisky e tinha de levar uma garrafa para o meu pai. Como é que no meio de tanta marca e variedade eu ia conseguir fazer uma escolha minimamente fundamentada?

Por essa razão, hoje fui visitar a destilaria mais pequena da Escócia - Edradour (lê-se como se fosse para rimar com "flower"). 

Como não tenho carro, ainda tive de andar uns 4km, desde Pitlochry, para chegar ao sitio, que fica no meio de nenhures, mas o tempo estava bom (aka não estava a chover). Cheguei mesmo em cima da penúltima tour do dia e após pagar 7,5 libras (a meu ver, CARO!), juntei-me ao nosso guia.   

Achei todo o processo de produção de Whisky bastante interessante e curioso. Sabiam, por exemplo que antes de se transformar na "água da vida", nome pelo qual o Whisky também é conhecido, temos uma mistura que não é mais do que cerveja. Acho que é algo bastante lógico, uma vez que é produzido a partir da fermentação de malte, mas confesso que nunca tinha pensado muito nisso. 

A tour começa com uma breve introdução sobre o aparecimento da destilaria Edradour e somos de seguida transportados até ao local de prova. Achei um truque matreiro, isto de nos fazer provar 2 copos de whisky antes de a tour realmente começar...mas claro que acabou por ter lógica e foi importante para entendermos as diferenças de sabor que sentimos. Durante esta prova é passado um DVD sobre o processo de fabrico do Whisky nesta destilaria. No final deixam-nos ficar com o copo, o que ajuda a compensar aqueles mal fadados 7,5 pounds de entrada! 

Depois vem uma das partes que mais gostei, o armazém das pipas!

Neste local o guia explicou-nos a importância do tipo de pipa e conteúdo prévio da mesma. Falou-nos da diferença entre os vários tipos de whisky que produziam, e como a maturação na pipa variava e determinava a coloração e o sabor final da bebida. Para mim, que queria aprender como basear a minha escolha para oferecer um bom whisky ao meu pai, foi a melhor parte da visita. 

No geral, foi uma experiência interessante e que aconselho, mesmo que sejam como eu e não gostem de whisky. Se gostarem de história vão gostar de visitar este sitio. Basta pensar que o que está dentro de um simples barril foi lá introduzido por alguém que viveu há pelo menos 10 anos atrás! Imaginem quão diferente é o mundo, quando o whisky volta a ver o olhar de outra pessoa?! É um pensamento absurdo. O whisky não tem sentimentos, eu sei. Mas é a paciência de quem o produz que me fascina. Torna o tempo tão relativo. Um bocado, como quando se bebe demais...

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Tenho um segredo...

Chama-se ASMR - Autonomous sensory meridian response. Em português diz-se Resposta Autónoma Meridiana Sensorial. Acho mais fácil dizer ASMR e é o termo que utilizo. 

Há mais de um ano atrás os vídeos de ASMR no Youtube, vieram solucionar o meu problema de insónias, ou paranóicas antes de ir dormir. Durante grande parte da minha vida adulta senti dificuldades em dormir descansada. Os pequenos problemas pareciam tomar proporções astronómicas durante a noite. Por uns 3 anos usei filmes da Disney, sobretudo nas noites mais complicadas, para conseguir adormecer. Nos últimos tempos já não estavam a resultar. 



Os vídeos do John Green e do Crash Course também ajudavam, mas mais uma vez...não eram perfeitos. Na maior parte das vezes, eram demasiado interessantes para me fazerem adormecer! 

Um dia, quando andava à procura de vídeos com sons de taças do Tibete (Uma das melhores recordações que tenho da Madeira! O som é simplesmente relaxante!), deparei-me com esta coisa do ASMR. Fiquei imediatamente maravilhada com os arrepios (os chamados tingles) que os sons que aquelas pessoas faziam provocavam em mim. Mostrei os vídeos às minhas amigas que acharam a ideia só muito "estranha". O meu namorado também achou estranho e até assustador. Na realidade eu acho é que eles sentiram vergonha de terem pessoas aleatórias a sussurrar nos ouvidos deles. 

É compreensível. Mas eu tinha um problema e queria uma solução. Isto resultava comigo e bastavam 10 minutos, para me sentir cheia de sono e dormir como um porquinho o resto da noite.

E foi assim que, há mais de um ano atrás, comecei a ver vídeos ASMR antes de ir dormir. A minha rotina nocturna consiste em ligar o meu telemóvel ao carregador, acoplar os auriculares e escolher um vídeo ASMR para ver e adormecer. Normalmente sou capaz de desligar o Youtube antes de chegar à fase em que durmo. É muito raro adormecer mesmo. Mas o que importa é que os meus mil pensamentos param durante uns minutos e consigo adormecer. Há noites que nem preciso dos vídeos. 


Passado mais de um ano, sigo inúmeros canais e pessoas no Youtube, que se dedicam exclusivamente ao ASMR. Todos os meses descubro gente nova, que faz coisas interessantes e diferentes. Já não sinto muitos "arrepios". Com o tempo ganha-se alguma resistência aos estímulos. No entanto, acho reconfortante na mesma e já se tornou um hábito. Recomendo para quem tenha problemas de insónias. Mesmo que pareça estranho no início! Há imensos tipos de estímulos (Triggers, como lhes chamam), para todos os gostos! Basta terem uns auriculares e estão prontos!

Boa noite! (Links disponíveis ao longo do texto! ;))

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Eu só sei que nada sei!

Há uns dias atrás, uma amiga comentava comigo que quanto mais anos passam, menos sabe sobre o amor. 

Depois do fim de uma relação, que durou um par de meses percebeu que aquilo que sentia falta não era propriamente da pessoa, mas das coisas que conseguia usufruir ao estar numa relação. Os mais românticos dirão que se sentiu só isso é porque não era amor. 

Se calhar têm razão. Se calhar não era amor. Ou então estamos todos muito iludidos com o que é o amor. 

A meu ver o amor pode ser muito egoísta. Há histórias em que o amor é o herói da história, mas na maior parte dos casos o amor é aquele gajo irritante que justifica os meios para atingir os fins. "Ah e tal, foi por amor!". Podíamos igualmente dizer que foi por ódio, mas isso não perdoaria nada. Já o amor, esse é sempre perdoado.


Já fui romântica. Já acreditei que amar alguém era nunca pensar em mais ninguém. Pensar em mais alguém era pecado e devia ser reprimido. Amar era estar sempre feliz e fazer surpresas e passar fins-de-semana em sítios exóticos. É incrível a merda que nos metem na cabeça enquanto crescemos. Desde a imagem de amor fácil que os pais tentam passar, até aos livros e séries de televisão que vemos. Parece tudo tão cor-de-rosa e maravilhoso! O amor é tudo aquilo que queremos encontrar e ter!

O que se esquecem de nos avisar é que, às vezes, o amor não chega. Às vezes há uma maldita de uma sogra que não gosta de nós, ou surgem distâncias de 3000km que fazem com que simplesmente seja impossível estar em contacto. Às vezes aparecem outras pessoas igualmente, ou momentaneamente mais cativantes, às vezes alguém fica doente e impossível de aturar.  Às vezes simplesmente deixa de haver amor. 

Imaginem as mil coisas que aconteceram na vossa vida. Como é que alguém fica sempre igual? Como é que nos mantemos a pessoa por quem o outro se apaixonou? Sempre. É simplesmente irrealista. 

O amor. Essa coisa complicada. Mais do que algo que se sente, é algo que se escolhe. 
Dá trabalho, não é fácil e às vezes faz-nos desesperar. Às vezes transforma-se em ódio. 


Olhem, na verdade eu só sei que nada sei!

 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

10 Curiosidades Britânicas



Vai fazer mês e meio, que estou por terras inglesas. Já deu tempo, para conhecer os arredores e fazer uma viagem pela costa este escocesa (detalhes mais tarde). Resumindo, já deu tempo para começar a aperceber-me de pequenos pormenores, que não deixam de ser curiosos. 

Nós, portugueses, temos a tendência para acharmos que os outros são sempre melhores que nós (excepto no que refere ao vinho e ao futebol); se é estrangeiro, principalmente inglês ou americano, é melhor! No entanto, tenho-me apercebido que há coisas que são melhores em Portugal e que aqui são só estranhas:

1) O Tempo – não me refiro ao ser mais quente, ou frio; ao estar chuva, ou neve. Refiro-me ao saíres de casa e conseguires perceber que o tempo que tens de manhã, vai ser o mesmo que tens ao final do dia. Podes planear a tua roupa de acordo com o que te aparece na janela. Aqui não. A Escócia é conhecida por ter todas as estações do ano num dia só e é isso que acontece. A título de exemplo, hoje acordei e estava a chover. Lá fui eu com o guarda-chuva. Às 5 da tarde estava um sol maravilhoso e lá vinha eu de guarda-chuva em punho. Acho que é por isso que por aqui as pessoas desistiram dos guarda-chuvas…Para não parecerem ridículas. 

  
2) O pessoal aqui não valoriza o almoço como deve ser! - Lá estou eu a comer a minha massa de frango, ou o meu arroz de marisco, e toda a gente à minha volta a comer uma sandes de pão Bimbo e umas batatas fritas. Uma vez por semana até nem tem mal, mas depois começa a dar prisão de ventre comer tanto pão! Não há nada como sentar à mesa e comer um bom prego no prato, ou uns restos de feijoada do dia anterior. 


 3) Era suposto isto ser o país do chá. - mas toda a gente parece arruinar cada aroma diferente adicionando leite! Verdadeiro apreciador de chá é sem açúcar e, acima de tudo, sem leite!

 
4) Nas estradas toda a gente me contorna como se eu fosse uma baleia. - Alguns chegam mesmo a parar para eu passar na berma de uma estrada onde cabiam 3 carros! Eu mesma não sou grande condutora, mas ou é por Pitlochry ser uma vila constituída por muitos reformados, ou as pessoas aqui são todas um bocado cautelosas demais (aka azelhas!). 

5) Queixam-se a toda a hora. - Muitas das pessoas com quem me cruzo queixam-se demais. Meu Deus... se elas vivessem em Portugal não sobreviviam nem meio mês. Tinham uma depressão por excesso de trabalho, falta de horários e salários decentes e de sei lá que mais e acabavam por se atirar abaixo de uma ponte qualquer. Aí é que elas teriam razões para se queixarem! É engraçado no início, quando pensas “que pussys” e que podes aguentar muito mais que eles, depois torna-se só irritante. E então percebes – as pessoas vão sempre queixar-se, independentemente de onde vivem, ou de como vivem.


  6) Nunca gritam. - Sempre que fui chamada a atenção fizeram-no sempre de uma forma muito civilizada e ainda não vi ninguém passar-se da cabeça em locais públicos. São todos muito controladinhos. Não digo que não seja bom…eu própria sinto-me em estado Zen desde que aqui estou, mas uma pessoa fica com saudades de um bom espectáculo de gritaria e azeiteirada de vez em quando. 




7) Nunca se tocam. - Quando cheguei cá não sabia muito bem como havia de cumprimentar a minha FAT escocesa. Optei por abraçar, já que íamos ser da mesma família durante 3 meses. Mas tirando os vets do sitio onde estou, a quem dei um “passou-bem”, nunca cumprimentei mais ninguém com aperto de mão, beijinhos, abraços…só um “ Olá! Tudo bem?”. No início achei fixe. Agora acho só rude. Quando vamos às quintas ninguém se cumprimenta com aperto de mão e faz-me sentir mesmo mal-educada, porque cumprimentar é o que se faz logo! 
Numa cultura como a nossa, onde toda a gente passa a vida a dar beijinhos, abraços, palmadas nas costas, apertos de mão, cócegas, etc etc a ausência de contacto físico de qualquer tipo está a irritar-me! Ou se calhar é só porque ainda não arranjei amigos a sério…? 


 8) Ficam bêbados cedo demais. - Uma vez fui a uma entrevista de emprego num bar. Eram 18:30 da tarde e mal abri a porta do sitio e entrei, parecia que tinha sido transportada para um bar português às 2 da manhã! Alta gritaria e pessoas a cantar. Hmmm eu ainda nem jantei! Aguentem lá os canecos! Não admira que depois das 22h não haja nada para fazer. Por outro lado, dá muito tempo para curar a borracheira e para no dia seguinte estar no trabalho às 9h, com ar apresentável!

 
9) Cumpridores de regras. - É giro ver a reacção das pessoas, quando se fala em propositadamente infringir uma regra. Alguns olham perplexos e sem acreditarem no que acabaste de propor. Outros riem-se e dizem “Boa ideia!”, como se nunca lhes tivesse ocorrido fazer diferente, só porque é uma regra. É aí que percebes porquê que Portugal está como está…demasiadas pessoas a pensarem em como quebrar regras. O inverso acontece aqui…demasiadas pessoas a cumprir as regras. Se calhar devíamos cruzar as duas culturas e criar um lugar mais equilibrado! 


 10) Quando perguntam se está tudo bem, querem mesmo que respondas! - Em Portugal sempre me pareceu estúpido as pessoas dizerem “Olá! Tudo bem?” e continuarem a andar sem esperarem por uma resposta. Por essa razão sempre disse, e digo, apenas “Olá!!”. Aqui as pessoas esperam que dês uma resposta e que perguntes se também está tudo bem com elas…no início as pessoas ficavam a olhar para mim, à espera que eu respondesse, e eu demorava imenso, porque não sabia que era suposto dizer realmente como estava! 

Claro que este texto não passa de uma generalização...só para que não ofenda ninguém!