domingo, 21 de janeiro de 2018

"All The Light We Cannot See" de Anthony Doerr

"All The Light We Cannot See" (em português "Toda a luz que não podemos ver"), de Anthony Doerr surpreendeu-me pela positiva. Mais uma vez, fui buscar a sugestão ao Man Repeller... Elas são boas a sugerir livros (deixo a dica).

A época da Segunda Grande Guerra dá pano para mangas, no que respeita a questões relacionadas com a natureza humana, sob todos os primas - ódio, amor, fraqueza, força, bondade... 

Este livro tem como personagens principais dois adolescentes:

Marie-Laure é uma rapariga de nacionalidade francesa, filha de pai solteiro, funcionário de um museu em Paris. Esta rapariga fica cega na infância, mas tem uma é feliz e muito amada pelos que a rodeiam; Werner é um jovem orfão de nacionalidade alemã, que toda a sua vida cresceu com a irmã Jutta no orfanato, esperando o momento de, tal como o seu pai, ter de ir trabalhar nas minas de carvão. 

Enquanto cresce, Werner e Jutta ouvem, ás escondidas, transmissões radiofónicas francesas sobre vários temas científicos, direccionados para crianças. É nessa altura que o interesse pela engenharia e ciência desperta em Werner. Este passa a ter uma grande admiração não só pelos grandes cientistas da época, mas também pelo estranho homem francês, que se dá ao trabalho de transmitir de tão longe aquelas sessões radiofónicas que se tornam num marco da sua infância.

Com a chegada da Segunda Grande Guerra, Werner, destaca-se dos restantes pelo incrível talento para a engenharia e é levado para uma escola nazi. Aquilo que inicialmente lhe parece uma oportunidade de ouro, rapidamente se transforma em algo sobre o qual o rapaz não tem poder de decisão. E assim, a partir daquele momento, todas as escolhas de Werner são feitas por ele, levando-o a compactuar com situações com as quais a sua natureza nunca compactuaria, tivesse o contexto sido diferente. 

Werner vê o seu melhor amigo ser espancado e nada diz; vê um homem moribundo ser morto e nada faz; vê uma criança inocente ser assassinada e fica em choque...até ao dia em que decide ignorar as ordens superiores o que o leva, mais tarde, a cruzar-se com Marie-Laure. 

Por sua vez, a infância de Marie-Laure é interrompida pela guerra. Juntamente com o pai, vê-se obrigada a fugir de Paris, indo para casa de um tio-avô meio lunático, em Saint-Malo á beira mar. Esta fuga não é inocente. O pai da rapariga, é incumbido de uma importante missão: transportar um valioso diamante guardado no museu e mantendo-o seguro até ao fim da guerra. O homem aceita a tarefa, mas como ele mais três indivíduos participam. Todos transportam um diamante, mas nenhum deles sabe quem tem o verdadeiro exemplar. Este diamante além de super valioso possui uma lenda associada: o portador nunca morre, mas todos aqueles que ele ama acabam por sofrer grandes tristezas. 

A distância entre as personagens é muita, mas desde cedo sabemos que há algo que as liga: o cientista francês da rádio, que Werner tanto admirava é o avó de Marie-Laure.



O livro vai-nos contando a vida das personagens através de pequenos capítulos alternados, sempre narrados na terceira pessoa. 

Como podem ver, a história é longa e com várias nuances, mas desde cedo se percebe que estas duas crianças estão ligadas por mais do que um rádio e que eventualmente acabarão por se encontrar. 

Apesar de entender que a parte inicial do livro tem de ser longa, caso contrário não seria possível haver uma ideia tão concreta acerca do carácter das personagens e sobre o seu passado, não sinto que tenha funcionado muito bem. Esta coisa de alternar os capítulos entre personagens acaba por se tornar cansativa e acaba sobretudo por destruir o interesse em continuar a ler. Quando a história estava a tornar-se interessante para aquela determinada personagem, o capítulo acabava. Acho que foi por isso que demorei tanto tempo a terminar.

Nos capítulos finais, sente-se que há uma mudança de ritmo e tudo começa a acontecer mais depressa. Todos os pontos se ligam e temos um belo resultado. Só aí olhamos para trás e conseguimos apreciar a obra completa. Acredito é que tenha havido quem tenha ficado a meio da leitura... 

Outra coisa que também gostei foi o facto de não existir aquela distinção típica entre "bons" e "maus". Porque sejamos honestos, de certeza que em ambos os lados existiam pessoas boas e pessoas más. Pessoas que se viram encurraladas num contexto de desumanização; num contexto muito difícil de imaginar e sobretudo de julgar.

Gostei bastante da forma como terminou. Não foi um fim trágico, ou um fim cor-de-rosa. Foi um final realista e com significado. 


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Hoe Hoe Hoe, Feliz Natal!

E assim passou mais uma época de gastos de dinheiro absurdos e ingestão de alimentos irresponsável! Espero que tenha corrido tudo bem. Por cá passou super rápido. Custa trabalhar no dia 26 de Dezembro! Agora vejo como devia ter valorizado a minha vida de jovem estudante...

Não tenho lido quase nada. Encontro-me numa fase em que as séries televisivas me roubam todo o tempo. Neste momento estou a ver "Friends". Tenho três semanas para ver as 9 temporadas que ainda me faltam, uma vez que depois ficaremos sem Netflix à pala. 

Netflix...que bela invenção, para alienar o povo (#soudopovo).

Estamos também naquela altura do ano em que começamos a fazer um "ponto de situação" da nossa vida. Tenho "mixed fellings" acerca deste 2017. Por um lado, foi o ano em que fui morar com o meu namorado, o ano em que me tornei independente dos meus pais. Foi em 2017 que cumpri a promessa de ir a S.Tiago de Compostela a pé com o meu pai. Foi uma experiência única e que ficará sempre na memória. Também cresci muito em termos profissionais e ultrapassei bastante o número de 10 novas caras, que tento conhecer por ano. 

No entanto, e apesar de todas estas coisas boas, foi também neste ano que o meu primeiro companheiro felpudo faleceu. Para as outras pessoas era só um gato, mas era o "nosso" gato e fazia parte da nossa família há 13 anos. Não havia gato igual ao Figo. 

Outras coisas menos boas aconteceram, ainda que não directamente comigo, mas a vida é mesmo assim: agridoce!

Apesar de tudo, mais tarde no ano chegaram alguns membros novos á nossa família: a Maria Rita, a nossa cadelinha maluca, e a Inês, a gatinha que veio fazer companhia (e a vida negra) às gatinhas mais velhas da casa e aos meus pais. 

Para o próximo ano, gostava de levar a vida com mais calma. Gostava de ser mais descontraída e não querer tudo "agora". Quem sabe, viajar um bocadinho mais...começar a estudar à séria áreas mais especificas da veterinária, estar mais tempo com aqueles que amo, sem que o trabalho ocupe o primeiro plano da minha vida e se sobreponha a tudo o resto. Acima de tudo, desejo que 2018 seja mais simpático para aqueles que me rodeiam e que tudo corra bem e nada de mal aconteça.

Feliz Natal e Feliz 2018 para todos :)



sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

"As estrelas não desaparecem."



Por mais comercial que esta música possa ser, a ideia do video deixa-me sempre com a lágrima no canto do olho. Para mim, uma noite de céu limpo e repleto de estrelas reconforta-me. No silêncio da noite, enquanto passeio, não consigo evitar pensar naqueles que brilham para sempre nas estrelas. Mas só nas estrelas...  

domingo, 19 de novembro de 2017

"Dark Places" de Gillian Flynn

Esta é a minha segunda incursão no mundo dos thrillers da escritora Gillian Flynn. Escolhi este livro numa altura em que se torna complicado para mim ler VS ver séries televisivas. Este ano, para mal do registo do Baú dos Livros, devo ter visto mais séries do que lido livros. Não é que sejam actividades equiparáveis, mas ambas ocupam tempo livre. 

"Dark Places" ("Lugares Escuros", em português) conta-nos a história de Libby Day, uma jovem adulta de 30 anos que viu a sua infância interrompida, quando o seu irmão mais velho assassinou a sua mãe e duas irmãs. Libby, com menos de seis anos de idade, foi a única sobrevivente, testemunhando contra o irmão e passando os 24 anos seguintes a viver à custa de donativos, num estado depressivo e de auto-comiseração irritante. O fim do dinheiro que a suportou e a necessidade de arranjar um emprego, levam-na a um estado de desespero tal, que Libby recorre a todos os meios para ganhar dinheiro, que não impliquem mexer uma palha. É assim que se vê num clube de nerds que tentam desvendar crimes misteriosos e o seu testemunho e a culpabilidade do seu irmão são colocados em causa. 

Libby é levada de volta até aos "lugares escuros" das suas memórias e tudo o que se passou naquela noite é colocado em causa. 

Este livro é narrado na primeira pessoa e isso só ajuda a que o leitor antipatize imediatamente com a personagem principal. Libby Day é fraca e isso intrigou-me logo desde o inicio. É raro o livro em que o escritor escolhe para papel principal alguém com quem é fácil antipatizar e duvido que o faça sem uma intenção. Quem leu "Gone Girl" ("Em Parte Incerta), sabe que Flynn nunca faz nada sem intenção. A questão é quando é que essa intenção se converte em frutos.

É difícil ultrapassar o alcançado com "Gone Girl". Tanto o livro, como o filme foram geniais. Este Dark Places apesar de menos surpreendente, continua a manter a linha do intrigante bem marcada e gostei bastante da forma como a autora trabalhou as diferentes personagens, dotando cada uma de uma personalidade que justifica cada acção/reacção. 

Não decepcionou. 

domingo, 29 de outubro de 2017

A arte de não me sujar na lama

Tenho andado a treinar o acto de conseguir não me meter em discussões online. É mais fácil do que pensam. Basta não argumentar durante 10 minutos, ignorar o assunto e pronto, estamos safos! Poupa-se tempo e poupa-se o teclado.

Não deixa no entanto de ser frustrante, ou mesmo cansativa, esta necessidade constante de ter uma opinião sobre tudo. É quase como se fosse crime não opiniar, não defender um ponto de vista. É vergonhoso não ter uma opinião.

Pois bem, eu não tenho opinião sobre o que se passa na Catalunha. Já disse. Não me sinto equipada, intelectualmente, ou mesmo culturalmente, para formar uma opinião. Em relação aos incêndios, por exemplo, já tenho uma opinião. Mas é a opinião de muita gente. O que é que eu ganho ao partilhá-la na secção de comentários do facebook do Público? 

Nada pessoal! N-A-D-A. Por isso parem de competir acerca de quem tem razão sobre tudo!






quarta-feira, 25 de outubro de 2017

"Swing Time" - Zadie Smith

Tenho uma opinião pouco clara acerca deste livro. Acho que por isso é que tenho andado a adiar a escrita da mesma...

"Swing Time" da escritora Zadie Smith foi uma sugestão que desencantei do site "Man Repeller". Comprei o livro, coisa que é muito raro acontecer, e li-o numa semana. A verdade é que está muito bem escrito e, embora não exista um enredo muito promissor, conseguiu cativar-me em cada página. 

A protagonista (narradora sem nome) é uma rapariga de origem negra, que renuncia, sem tentar, a todos os seus sonhos e vive na sombra das outras pessoas, deixando a vida levá-la para onde calha. Esta rapariga tem uma melhor amiga de infância - Tracey. Ambas adoram dança, mas só Tracey tem talento. A protagonista acaba por viver sempre na sua sombra e à medida que vão crescendo, vão se afastando. Já em adulta, a narradora vai trabalhar para Aimee, uma celebridade americana de origem branca, cheia de boa intenções e caridade, que decide abrir uma escola para raparigas na Nigéria. É na sombra desta personagem que a protagonista se refugia durante vários anos.

Este livro explora várias questões associadas à raça, à classe social, ao individualismo, ao capitalismo e ao lugar das mulheres no mundo. Demasiadas questões para serem analisadas a fundo e é nisso que este livro falha. Enquanto a história se centra na amizade entre as duas raparigas, há um equilíbrio, quase que um sentimento de propósito na historia. A partir do momento em que começa a parte da escola na Nigeria, tudo se transforma numa salgalhada de temas. 

Apesar de estar muito bem escrito, com a alternância do tempo de cada episódio, com ideias claras e interessantes, senti que ao terminar a leitura não cheguei a lado nenhum. Esse é um sentimento terrível de se ter, acerca de um livro que está escrito de forma tão brilhante. 

Talvez este final sem fim tenha sido intencional. Se calhar não consegui foi compreender onde a autora queria chegar. Se calhar a intenção era mesmo não chegar a lado nenhum.