segunda-feira, 11 de abril de 2016

"An Abundance of Katherines" - John Green

Gosto muito do John. Acho que é um escritor cheio de iniciativa, com opiniões bem fundamentadas e com carisma. Foi dos poucos escritores que me fez chorar baba e ranho, com o mais que batido "A Culpa é das Estrelas" e, apesar de ser considerado autor de literatura YA, tem uma abordagem diferente; é original.

Um dos temas que parece estar constantemente a aparecer nos livros dele é a preocupação das pessoas, especialmente dos adolescentes, em serem únicas e deixarem a sua marca no Mundo. Vimos essa preocupação expressa na personagem de Gus, em a Culpa é das Estrelas. A adolescência é o tempo em que começamos a idealizar e a deixar-nos contagiar pela importância de certas causas e acções.  É o tempo em que achamos que o futuro só nos pode sorrir. Saímos da infância com grandes expectativas para a adolescência e saímos da adolescência com ainda maiores expectativas para o futuro. 

"An Abundance of Katherines", em português, "O Teorema Katherine", conta a história de Colin Singleton, um adolescente extremamente inteligente, quase um prodígio, que parece estar amaldiçoado pelo terrível destino de se apaixonar constantemente por Katherines e de todas elas o deixarem de coração partido. O problema é que Colin é extremamente carente e como qualquer pessoa carente, torna-se medroso, inseguro e em última análise...irritante. 

Só à medida que vamos lendo o livro é que vamos criando alguma afinidade com esta personagem. Vamos compreendendo porquê que todas estas tragédias vão acontecendo e o que Colin realmente quer e quais os seus verdadeiros medos. A sua obsessão em estar à altura dos grandes génios levam-no a tentar criar uma fórmula matemática que consiga prever qual o desfecho de qualquer relação. Pelo meio Colin e o seu melhor amigo Hassan, vão passando por várias pequenas revelações até que o momento "Eureka" finalmente surge.

Li este livro na sua versão original e gostei bastante. Publicado 6 anos antes de a "Culpa é das Estrelas", não posso deixar de notar que existem várias semelhanças entre ambos. Tanto Colin, como Gus, se preocupam em deixar este mundo sem alcançar nada de extraordinário, e tanto Lindsey, como Hazel Grace, já tem os seus pés bem acentes na terra. Ainda assim, são histórias completamente diferentes, que partilham de temas semelhantes. 

Gostei e recomendo!





 

12 comentários:

Sara disse...

Neste caso somos ao contrário: não gostei da culpa das estrelas - lamechas, pretensioso, personagens irreais, diálogos que sinceramente...Mas claro que ia vender: é uma historiazinha da Cinderela para adolescentes, com uma mosca morta como protagonista. A História das Catarinas é tão ridícula. Ele é um fofo lá canal, mas a nível de livros...As Cidades de Papel é um pouco melhor, no entanto. O que chateia é que há outros livros YA que mereciam ser mais conhecidos e não são, especialmente num mercado pequeno como o nosso. YA é uma invenção do Marketing e nada mais. Ainda assim sou masoquista e às vezes lá vou procurar qualquer coisa que goste...Tarefa altamente arriscada xD

Ana Luisa Alves disse...

LOl somos mesmo o contrário. Eu li o Cidades de Papel e foi o que gostei menos dos 3. A história das catarinas tem um plot completamente surreal, mas acho que é propositado. Ele não estaria à espera que alguém fosse assim XD Mas acho que a ideia no final acaba por ser interessante. Não sei quanto a ti, mas enquanto adolescente, eu queria à força toda ser especial em alguma coisa...acho que a maior parte das pessoas passa por isso na vida. Depois caí na real e percebi que na realidade queria ser só eu, mesmo que isso implicasse não ser especial...Gosto das mensagens que ele envia a esses mil adolescentes que por aí leem os livros dele. Acho bem mais útil e interessante do que a cena dos vampiros e mutantes e adolescentes com poderes especiais apaixonadas...ao menos este fala de rapazes e raparigas que podiam ser qualquer um de nós.
Quanto à Hazel Grace...oh pah...ela tinha cancro XD NAO PODES FALAR MAL DE QUEM TEM CANCRO! Just kiding...considerando que no fim não acaba muito bem, não me parece de todo história da Cinderela. Além disso ela não estava à espera de ser salva, visto que estava condenada desde o inicio.
Não me tenho arriscado pelo mundo YA...ando numa fase de clássicos infantis, como deves ter reparado. E como ando pela Escócia, tem me dado uma vontade imensa de ler algo que inclua reis e rainhas britânicos...ainda não escolhi nada, porque há imensa coisa interessante por aí...o dilema de sempre!

Sara disse...

O cancro só está lá por estar, podia ser outra coisa qualquer...Também não é desculpa para se criar personagens femininas fracas. Rapariga doce e cheia de problemas (e que nunca se acha assim tão bonita), encontra rapaz super espectacular (da qual nunca se acha merecedora, porque quanto mais ele fala mais ela o acha super espectacular) e que a faz viver aventuras fantásticas: é História da Cinderela repisada vezes sem conta. Já perdi a conta aos YA que encontrei com esta premissa e que acho muito nociva que continua a ser passada às jovens mulheres de hoje. Não acho que muitos destes livros passem boas mensagens aos jovens...

Ana Luisa Alves disse...

Não é de todo a ideia com que fiquei das personagens. A Hazel Grace pareceu-me alguém desinteressado pela vida. O Gus...no final acaba por torna-se muito mais fraco que ela e a rapariga é que tem de passar sozinha pela perda. Continuo a achar que a mensagem no final, que basicamente se resume ao facto de o tempo ser relativo e não importar muito se és lembrado por muitos, desde que sejas lembrado por quem importa, é uma mensagem bonita. Lógico que a Hazel não é uma super feminista independente, mas a maior parte de nós não é e não acho que seja crime, ou degradante gostar de algum romance lamechas.

Sara disse...

Não acho que criar uma personagens minimamente interessante e confiante, seja ser feminista...Esse é um conceito erróneo que encontro muitas vezes: criar uma personagem feminina em condições, não é ser feminista...É o básico enquanto escritor, não criar personagens que tenham a espessura de uma folha de papel. Ela podia ser insegura, neurótica, fazer escolhas erradas...Mas posso dar-te só assim de cabeça cinco ou seis títulos de YA onde a personagem feminina se anula perante a masculina, exactamente como uma Cinderela à espera do príncipe. Mas há muito poucos exemplos do contrário. Para mim isto é uma péssima mensagem, para as jovens de hoje. E há pior...O final do livro ainda escapa, claro que eu já sabia o que ia acontecer devido a spoilers -_-

Ana Luisa Alves disse...

Lol sim, isso não é uma boa mensagem. Mas considerando a vida dela até nem acho desadequado o seu estado semi adormecido/deprimido/aborrecido. Não tenho lido nada muito YA para dizer a verdade. Li a saga divergente e fiquei-me por aí, que percebi que nesta fase ia ser tudo a tentar copiar hunger games...Se encontrares algo decente, por favor fala dela no teu blog! Para eu saber que ainda existem bons livros para adolescentes. XD

Sara disse...

Acho que lhe podes dar um desconto por causa disso, mas mesmo assim...E o Gus é tão irritante - é outro problema que tenho encontrado: as personagens masculinas nestes livros falam demais. Uma vez li um que o tipo dava virava uma mesa ao contrário porque estava zangado e dp saia (acho que era num bar) e os amigos da rapariga diziam para ela ir atrás dele...Para uma rua escura, sem ninguém. Não é tipo de conselho que eu daria à minha filha. Em relação às distopias, nunca li por isso não sei qual é situação nesse sub-género.

Há um fantástico chamado Vivianne contra o Apocalipse - sem edição em pt infelizmente. Tb gostei do warm Bodies (este está editado por cá - tem zombies). Romântico lembro-me de uma coisa pequenina que li há uns tempos, chamada probabilidade estatística do amor a primeira vista (tb editado por cá acho eu) - é uma história muito simples e queridinha, sem grandes pretensiosismos . Tirando estes não gostei de mais do nada do que li...

Ana Luisa Alves disse...

Prefiro gajos que falem demais do que o tipico bronco musculado que nunca fala! O warm bodies pareceu-me tao ridiculo...lool mas ao menos deve dar para rir...Tenho que explorar esses titulos. Eu até gostei do Divergente...o ultimo volume é que estragou tudo...Depois simplesmente desisti. Acho que a proxima coisa que vou ler, quando voltar para Portugal, e não tiver a biblioteca gigantesca da minha senhoria daqui, vai ser a saga do Percy Jackson. Vou no 3º livro e acho imensa piada à cena dos deuses e à mitologia que mete lá para o meio.

Sara disse...

Acho que ambas as personagens devem o mesmo protagonismo, especialmente se são um casal - e não quando uma se sobrepõem à outra. O que tenho visto são personagens femininas que não passam de sombras ou que só existem para mostrar como o protagonista masculino é espectacular. Mas isto é um problema que afecta tudo: televisão, cinema...Precisamos de personagens femininas e não de apêndices. Eu gostei do Warm bodies - para mim põem as estrelas a um canto: em termos de história, personagem feminina...E além disso os personagens lutam por um objectivo comum. Não é a mesma historieta de sempre. O rir depende: tenho uma amiga que fartou de rir com a Estrelas, mas eu disse-lhe para ela não ir para a net dizer isso claro...

Sara disse...

Peço desculpa pelos erros no comentário...Demasiadas coisas a serem feitas ao mesmo tempo xD

Ana Luisa Alves disse...

Discordo. Numa história existe sempre, ou quase sempre, uma personagem principal e é sob o ponto de vista dela ou sobre ela que a história vai incidir mais. Não acho que isso tenha necessariamente a ver com ela ter uma personalidade menos forte. Em muitos casos é simplesmente mais fácil aperceberes-te dos medos e receios dessa personagem porque estas "dentro da cabeça dela" e consequentemente parece que a autora está a dar mérito ao machão XD Acho que a coisa só começa a ser irritante, quando estamos dentro de cabeças que pensam constantemente que são menos que o rapaz. Aí é que está o problema. Voltando à Culpa é das Estrelas, não acho que o Gus se sobrepusesse à Hazel. As relações a dois são mesmo assim. As personalidades são diferentes e há sempre um que é mais extrovertido que outro, ou com mais sentido de humor, ou mais violento, ou mais limpo, ou mais estúpido...as pessoas são diferentes e essas diferenças vão sempre existir.

P.S. Foi por causa dos teus erros ortográficos que deixei de responder!

P.S1 Just kidding! XD

Sara disse...

Ser principal ou secundário não é desculpa para uma fraca caracterização e para criar raparigas que não passam de um apêndice e que giram em volta de tipos que falam sempre mais que elas (nos filmes isto tb acontece), sabem sempre mais e que por vezes têm mais experiência (pois claro) - claro que há personalidades diferentes, mas quem tem uma personalidade e quem tem outra são sempre os mesmos. Se leres vários de enfiada vais perceber logo o padrão...Para mim os YA (até agora) falham à grande neste quesito sem falar na diversidade. Quando vejo que a história se está a encaminhar para aí nem continuo...Uma vez encontrei uma personagem feminina principal que em 200 páginas nunca foi capaz de tomar uma decisão e chorava a cada duas (chorar é aceitável obviamente, mas ao fim de 100 páginas se calhar temos de avançar). Foi perfeito...Também há quem prefira ser submisso e no entanto na maioria dos eróticos quem assume esse papel são elas. É o mesmo. Ainda assim, nunca desistindo de tentar encontrar um bom xD