sexta-feira, 9 de junho de 2017

A conversa dos desparasitantes externos

Em primeiro lugar: diz-se DesparaSITANTE e não DesparaTIZANTE. Os animais desparasitam-se e não se desparatizam! É tão rara a pessoa que diz esta merda direita! E mesmo depois de eu repetir como se diz as pessoas não atinam. Pior que isto só mesmo dizer goleira em vez de coleira...Não percebo porquê que "O Bom Português" da RTP1 ainda não pegou nisto. 

Uma das razões pelas quais as pessoas vem com frequência ao veterinário é precisamente para desparasitar os animais e para se informarem sobre o que existe. Esta é daquelas conversas que eu repito mil e quinhentas vezes até ficar maluca. Por isso aqui fica a conversa:

- Que opções é que existem no mercado em termos de desparasitantes externos? 

R - Basicamente o spray, as pipetas, as coleiras e os comprimidos. 

- Quais devo utilizar?

R - Dependerá do estilo de vida do animal, da estação do ano e da sua carteira. Os desparasitantes externos protegem contra pulgas, carraças, ácaros, mosquitos e moscas. Alguns deles não funcionam para estes parasitas todos e por isso é que a escolha irá depender do estilo de vida do animal e da estação do ano. 

- O que fazem as pipetas?



R - As pipetas são aplicadas na pele do animal e normalmente são eficazes contra pulgas, carraças e mosquitos durante um período de 15 dias a um mês. Existem variações no espectro de acção. Algumas marcas não funcionam contra o mosquito, o que é critico no caso dos cães portugueses, por causa de uma doença chamada Leishmaniose, que é transmitida precisamente pela picada destes insectos; outras marcas só funcionam contra pulgas, o que é mau para animais que andem cá fora, uma vez que estão em risco maior de apanharem carraças, por exemplo. Além da desvantagem de terem de aplicar pelo menos uma pipeta por mês, a aplicação da mesma só pode ser feita com um intervalo de 3 dias em relação a banhos, ou idas ao rio/mar. Isto é, se colocarem a pipeta no vosso animal, só podem dar-lhe banho passados 3 dias e só podem colocar a pipeta, passados 3 dias do banho. Caso ignorem o intervalo, estão a deitar dinheiro fora, uma vez que a pipeta não é eficazmente absorvida pelo organismo do animal. Outra coisa muito importante -  NUNCA USEM PIPETAS DE CÃES EM GATOS! Os gatos são intolerantes a um componente que existe na maior parte das pipetas para cães e podem morrer caso vocês se enganem, (ou o farmacêutico seja um ignorante e decida vender-vos isso à mesma). 

Aplicar o conteúdo da pipeta em vários pontos do dorso do animal, em caso de peso superior a 15kg.


- O que fazem as coleiras?

R - Neste momento existem essencialmente duas marcas de coleiras de uso veterinário - a Scalibor e a Seresto. É destas coleiras que falo. As restantes que existem nas lojas dos chineses e afins não conheço e não acho que sejam a melhor opção. Na minha opinião, apesar de serem um investimento mais concentrado (porque se somarem o preço da pipeta mensal, vai dar ao mesmo), as coleiras são a melhor opção do mercado português. Não permitem falhas no que diz respeito a esquecimentos por parte dos donos, não há preocupação com dias de chuva, banhos, ou idas à praia/rio, e protegem contra praticamente todos os parasitas (embora exista alguma controvérsia, se a Seresto protege contra as picadas de mosquitos, ou não). A única desvantagem, particularmente da Scalibor, é que apenas protege contra pulgas durante 4 meses, protegendo contra os restantes parasitas (carraças e mosquitos), durante 6 meses. A minha recomendação é que a coloquem no inicio do Verão, uma vez que passados 4 meses será Outono e o tempo estará mais frio, logo a probabilidade de apanharem pulgas será menor. Se quiserem mesmo jogar pelo seguro, apliquem a pipeta para pulgas nesses últimos dois meses de acção da Scalibor. Relativamente à coleira Seresto, a protecção garantida é de 7 a 8 meses. Esta última existe tanto para cão, como para gatos, sendo a Scalibor exclusiva para cães.


- O que fazem os comprimidos?

R - Os comprimidos são úteis particularmente em cães que passem muito tempo dentro de casa e que convivem com gatos, ou que tomam muitos banhos. Normalmente tem um sabor agradável e podem proteger apenas contra pulgas e carraças, ou incluir no espectro alguns parasitas internos. Há também indicação, dependendo da marca, para uso do comprimido, em animais que sofram de sarna, ou convivam com pessoas alérgicas a ácaros. Nos países nórdicos o comprimido praticamente substitui a pipeta. Contudo, sendo o nosso país endémico para a Leishmaniose eu só o recomendo nos meses mais frios do Inverno (Dezembro, Janeiro e Fevereiro), porque NÃO PROTEGE CONTRA PICADAS DE MOSQUITO. Também o utilizo em animais muito velhos, cuja probabilidade de virem a morrer de Leishmaniose é super reduzida (tipo maiores de 15 anos). A periodicidade de administração do comprimido varia entre uma vez por mês, ou de 3 em 3 meses, dependendo mais uma vez da marca.



Por último, o spray está reservado para aplicação em bebés (gatinhos e cachorrinhos) com menos de 1,5kg. 

E é esta conversa que eu tenho vezes sem conta com os donos, quando me perguntam qual a melhor opção!

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