terça-feira, 20 de junho de 2017

Pessoas estúpidas e o Facebook

Se calhar sou eu que sou antiquada, mas acho ridículo pessoas que usam o Facebook para tratar de coisas que devem ser faladas pelo telefone/telemóvel/pessoalmente. Principalmente quando essas coisas dizem respeito a animais doentes. 

Exemplo 1: 

"Preciso de saber o vosso horário. É urgente." Enviado as 00:30h.

Expliquei que não estávamos online a toda hora e que urgências só pelo telefone.
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Exemplo 2:

"Boa noite. Envio mensagem, para que me possam informar. Tenho uma gata com cerca de 2 anos que há 6 dias começou a espirrar e com alguma dificuldade a respirar. Tem corrimento nasal e está mais apática que o normal. O apetite está normal. É possível recomendar alguma medicação, ou tratamento?" 

Obviamente que expliquei educadamente que nao davamos consultas pelo Facebook e que era ilegal receitar coisas sem ver o animal. Claro que no final aquilo que este individuo acéfalo retirou da história, é que os veterinários só querem saber de dinheiro!
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Exemplo 3: 

"Boa tarde. Queria marcar uma tosquia para amanhã." BLAHBLAHBLAH escrito, marcação feita. 

No dia seguinte o animal não aparece. Ligamos para saber o que se passa. Parece que afinal se enganou no Facebook e não era na nossa clínica que queria marcar -.-''
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Depois isto até dá historias de rir. No momento é só irritante perceber que existe tanta estupidez neste mundo e quanta dela se descobre pelo Facebook.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Mais do mesmo, só que desta vez pior

Ontem, Domingo, tinha planeado acordar tarde e passar a manhã a ler, para terminar finalmente o "Dança, Dança, Dança" do Murakami. Lá fiz o meu pequeno almoço e liguei a tv, para passar os olhos pelas noticias da semana. Qual o meu espanto, quando sou brindada com uma manchete de 57 mortos e outro montão de feridos. Pensei logo que devia ter sido um atentado, numa qualquer cidade europeia. Só que não. Era aqui em Portugal.

Nós portugueses, devemos realmente estar a pagar o karma de toda a porcaria que fizemos desde a época dos descobrimentos até ao final das colónias. O ano estava a correr tão bem! Toda a gente optimista e com a moral no topo! Campeões europeus, o turismo a crescer, défice cada vez mais pequeno, mais emprego, um PR que ia (e vai) a todas...mas claro que há coisas que não mudam só com a força do pensamento positivo...

Todos os anos a tragédia se repete. Este ano os números foram maiores e mais assustadores. Será que é desta que o interesse colectivo ultrapassa o individual? 

Aparecem engenheiros e agrónomos que defendem a necessidade de uma reforma florestal, mas cá para mim, daqui a meia dúzia de semanas, quando já não existir mais testemunhos que causem emoção e o povo já não possa mais com este jornalismo sensacionalista de merda, o assunto morrerá. Para o ano haverá mais. E assim continuará a cultura do imediato e do "já", onde nenhum futuro se planeia #Yolo #quesefodamosoutros.

Ou pode ser que eu esteja simplesmente um bocadinho pessimista. Murakami consegue ter esse efeito sobre uma pessoa. 

De qualquer das formas, e apesar do meu pessimismo, não podemos deixar que se esqueçam daqueles que ficaram sem nada (embora eu não saiba o que aconteceu aos desgraçados dos que sofreram com os fogos na Madeira...). Há várias coisas que podem fazer, desde ligar para o 760 100 100 (doam 0,60€/chamada), ou transferir donativos directamente para a conta da Cáritas "Portugal abraça vítimas dos incêndios' (Caixa Geral de Depósitos) que tem o número 0001 200000 730 e o IBAN PT50 0035 0001 00200000 730 54, ou mesmo doar bens materiais como roupas, calçado e atoalhados, também a essa associação, ou a outras que estejam a pedir.  

sábado, 17 de junho de 2017

Coisas que me fazem deixar de seguir

Comecei a escrever este post em 2013 (quem anda a revisitar os rascunhos antigos??). Por alguma razão a lista ficou por publicar. Na falta de inspiração para melhor, aqui ficam 5 razões que me fazem deixar de seguir, ou não seguir determinado blog:

1) Quando um blog usa imagens desfocadas de livros, ou de outra coisa qualquer. Acho que é uma questão de brio; Blogs sem brio não me atraem;

2) Quando só vemos passatempos e mais passatempos, separados por imagens de livros com apenas a sinopse. Se eu quisesse ver um catálogo, ia ali ao hipermercado buscar um;



3) Música ambiente no blog. Já falei sobre isto. A música é uma coisa pessoal. Enquanto navego na Internet ouço a minha própria música. Além de me enervar a mistura de músicas e o reflexo imediato que tenho é o de fechar a janela. 



4) Abreviaturas estilo conversa de telemóvel. É q ñ é nd nito! 

5) Quando não se passa nada naquele blog durante mais do que um mês. É um bocadinho hipócrita da minha parte, uma vez que eu já estive parada muito tempo. Mas sim. É um dos motivos pelos quais deixo de seguir. 


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Ser veterinária não é só frustração

Pelos meus textos, parece que estou sempre frustrada com o meu trabalho. 80% é cansaço. Talvez os restantes 20% sejam frustração/pânico de errar/inexperiência. A verdade é que gosto de ser veterinária. 

Seguem-se aqui alguns dos pontos positivos do meu trabalho (mais numa de me tentar alegrar, do que propriamente de vos tentar convencer #todoobloggeréumpoucoegoísta):

1) Nenhum dia é igual ao anterior - Um dos meus problemas é gostar de muita coisa ao mesmo tempo. Eu sei que estamos na era da especialização, mas acredito que não conseguiria ser feliz a fazer só uma coisa. É por isso que gosto de medicina geral. Gosto de sentir que estou sempre a aprender como as coisas funcionam, que o meu trabalho não é algo mecânico e repetitivo.

2) Posso realmente ajudar os animais - Este é outro ponto óbvio do meu trabalho. Poderia fazê-lo sendo voluntária numa associação, ou apadrinhando animais sem dono. No entanto, ao ser veterinária posso efectivamente resolver o que estiver a causar-lhes mal estar. É uma sensação espantosa, quando conseguirmos ajudar os patudos a sentirem-se bem. 

3) Todos os dias educamos as pessoas e destruímos mitos - Fico espantada com a quantidade de mitos que ainda existem, no que diz respeito aos cuidados com os nossos animais de companhia. É bom sentir que estamos a protegê-los de crenças antigas e questionáveis (por exemplo - as fêmeas NÃO tem de ter pelo menos uma ninhada para serem saudáveis!) e que estamos lentamente a mudar mentalidades. 

4) Existem aqueles clientes especiais - Aqueles que vamos acompanhando desde pequeninos e que se vão tornando em seres espantosamente carinhosos e simpáticos. 

5) Temos oportunidade de trabalhar com pessoas espantosas - Que mais ou menos nos vão passando experiência e conhecimento. Algumas delas até nos conseguem inspirar a continuar a batalhar (mesmo fora de horas). 

6) Em tudo o que faço lembro-me do meu Figo - O gatinho que fez com que toda esta luta começasse. 




quarta-feira, 14 de junho de 2017

Passatempo "O Bosque dos Pigmeus" Isabel Allende

Hoje, só porque sim, resolvi oferecer-vos a oportunidade de ganharem um livro de bolso! Este formato é óptimo para levar na bolsa, mala, ou mochila, para o vosso destino de férias (ou trabalho) exótico!

A Isabel Allende foi uma surpresa engraçada que descobri neste ano de 2017 e por isso optei por este "O Bosque dos Pigmeus. Este é o livro que encerra a trilogia "As Memórias da Águia e do Jaguar", e poderá ser uma leitura interessante...irei publicar a minha opinião em breve...










Para se habilitarem a ganhar podem preencher o formulário em baixo. O uso de Facebook é opcional (embora aumente as hipóteses de serem os sorteados). Apenas é crucial seguirem o blog com a vossa conta Google. 

BOA SORTE!

a Rafflecopter giveaway

- São aceites moradas de todo o mundo.
- São aceites participações até às 00:00 do dia 17 de Julho de 2017.
- Podem partilhar publicamente o passatempo as vezes que quiserem, para aumentar as vossas hipóteses de serem os vencedores. 
- O vencedor é contactado por e-mail pelo Baú dos Livros e tem até 10 dias para reclamar o seu prémio, fornecendo a sua morada completa;
- O Baú dos Livros não se responsabiliza pelo extravio das encomendas enviadas.

Diário da (pseudo) Princesa #2

Contextualização desta crónica semanal - AQUI


Dia 08 de Agosto de 2002 (mais tarde)

Estou no Norte shopping. Estou a apanhar uma enorme seca! Vou contar as pessoas com telemóveis nas mãos - IIIII I...já parei. O estúpido do meu irmão tá a chatear-me. 

Neste momento estamos na loja "Lacoste". Acho que o meu pai tem algumas camisolas desta marca.

Vou escrever um código, para quando o meu irmão cusco estiver a olhar: Vou pensar.



Já estou em casa da minha tia e do meu tio e das minhas primas. Para me entreter vou desenhar as casas dos "sims":



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Como podem ver a minha vida aos 12 anos era muito complexa. E claro que eu nunca utilizei aquele código em mais nenhum local do diário.

Espantoso, como aos 12 anos eu já andava metida no The Sims...

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Onde Enfardar em Vila Nova da Barquinha - #2 Recanto da Barquinha

Com o feriado do dia 10 de Junho, houve oportunidade para dar uma escapadela ao centro do país. Fui visitar as minhas amigas e aproveitamos para, entre outras coisas, almoçar fora e conhecer novos sabores. Optamos pelo restaurante O Recanto da Barquinha, uma vez que já era conhecido de uma das amigas do grupo e tinha opções vegetarianas. 



Recomendo que façam reserva prévia, principalmente ao fim-de-semana, já que o estabelecimento é bastante concorrido. 

Ao entrarmos no Recanto da Barquinha ficamos imediatamente espantados com a decoração muito peculiar; existem múltiplas peças representativas de várias culturas penduradas no tecto e nas paredes. É um festim para os olhos e apesar de o mobiliário ter uma cor escura, não falta luz (ainda que artificial) e a temperatura ambiente estava óptima. 



O cardápio reúne pratos tradicionais portugueses (o prato do dia era cozido à portuguesa), sabores indianos e sabores africanos. Além disso, tem uma série de bifes, por onde os mais esquisitos podem optar. Como estávamos numa de aventura, optamos por um almoço indiano. 

Os nomes dos pratos que escolhemos são difíceis de pronunciar e confesso que só fixei dois: o caril de gambas tradicional e o tikka masala de gambas. Além destes dois pedimos também um caril de frango e uma espécie de cabidela indiana, prato estrela do restaurante. Para entradas experimentamos as chamuças (para mim a vegetariana). Com limão ficavam um mimo!



Claro que partilhamos todos os pratos, de acordo com a ordem que o chefe nos aconselhou e com o cuidado de não misturar, para não destruir sabores. Adorei o tikka masala e o caril de frango. Tinham ambos sabores adocicados e eram muito suaves, cada um à sua maneira. O caril de gambas tinha coentros, erva de que não sou grande apreciadora...e claro que cabidela não é muito a minha cena, mas quem provou adorou. 


Foi um belo repasto que durou até ás três da tarde e que terminou com um conjunto de saborosas sobremesas. 

Se algum dia visitarem Vila Nova da Barquinha, fica aqui a sugestão!


domingo, 11 de junho de 2017

Recuso-me a Eutanasiar Cães Perigosos

Na semana em que houve grande falatório sobre o ataque do Rottweiler a uma criança em Matosinhos, apareceram pelo menos duas almas iluminadas na clínica a quererem agendar eutanásia para os seus cães agressivos. Nenhum dos animais era nosso cliente e eu não conhecia as senhoras de lado nenhum. 

Forneci-lhes o contacto de dois treinadores e referi que caso não quisessem tentar o treino, deveriam consultar a médica municipal. 

Fico triste com a facilidade com que as pessoas desistem dos próprios animais. Nenhum animal é agressivo só porque sim. Tem de haver ali algo que falhou e, na maior parte dos casos, é falta de conhecimento do dono em relação à linguagem do seu animal. Não há entendimento e consequentemente há medo e agressividade. Mais uma vez, talvez estes problemas resultem do impulso em ter animal sem preparação prévia, da maior parte das pessoas. 

O que eu condeno é nem haver uma tentativa de correcção da relação pessoa-animal. E recuso-me a eutanasiar um animal porque o dono não quer tentar nada. Eu não sou nenhum carrasco e custa-me todas as vezes que tenho de colocar um fim à vida de algum ser vivo!

sábado, 10 de junho de 2017

Nazi das adopções

Toda a gente tem o direito de adoptar um animal. No entanto, nem toda a gente devia poder fazê-lo. 

Já tive esta discussão com várias pessoas. A maior parte das que trabalha com animais/associações, normalmente, concorda comigo. No entanto, quem não lida directamente com o flagelo dos animais abandonados/mal-tratados, discorda várias vezes. É nessas alturas que me sinto a nazi das adopções!

Quase todos os dias aparecem na clínica pessoas que tem uma "praga" de gatos/cachorrinhos em casa. Começaram por ter uma gatinha/cadelinha, que depois "emprenhou" uma vez, duas vezes, três vezes...Normalmente vem lamentar-se que tem muitos gatinhos/_cachorrinhos e que andam todos por lá e vem pedir a pílula para dar às gatas/cadelas (um dia escrevo aqui os malefícios e riscos da administração da pílula). Normalmente estas pessoas nunca levam os animais ao veterinário, ou só o fazem quando os animais já estão todos minados e eles já tentaram de tudo antes. Tudo porque é caro ir ao veterinário. Que se lixe o bem-estar dos bichinhos!

Depois há as famílias que dão às crianças um gatinho, ou um cãozinho. O problema surge, quando percebem que dá trabalho educar os animais e os filhos perdem o entusiasmo e deixam de "ajudar". O animal estrago tudo. O animal faz barulho. O animal tem de ir à rua. O animal não é um peluche. O animal tem de ser "arrumado"/despachado. 

Não se esqueçam também daqueles que arranjam aquelas raças exóticas: persas e spitz. Pêlos tão fofinhos!!! Mas que muitas vezes chegam até nós para tosquias a máquina zero, porque em casa toda a gente se está a marimbar para o coitado do bichinho. Aparecem com nós que causam feridas na pele e, em casos extremos,  impedem os animais de defecar e urinar de forma conveniente. Uma verdadeira vergonha. "AH ele está assim porque ontem fugiu de casa e andou no jardim..." Sim, e nós nascemos ontem. 

E com estes três exemplos eu deixo aqui a minha opinião "nazi" - só deve ter animais, quem tenha dinheiro e tempo para cuidar dele. Se não tem dinheiro para poder oferecer comida de qualidade mínima e cuidados de saúde básicos, não tenham animais. 

Realmente o nosso estado português está muito atrasado no que diz respeito aos cuidados com os animais. Fomos dos primeiros a proibir a pena de morte de seres humanos, mas só no século XXI é que começamos a aplicar leis, que protegem os nossos animais. Proibiu-se o abate em canil, mas não se incentivou ou subsidiou a castração dos animais de companhia das famílias portuguesas. Resultado: temos os canis cada vez mais cheios, onde os animais se matam por falta de espaço. Bela lei essa. Não oferece solução, apenas cala os pseudo-defensores dos animais, que não tem noção do que realmente se passa e que pensam que proibir o abate resolve todos os males. Devíamos ir à raiz do problema. O estado deveria tornar obrigatória a castração dos animais adoptados e deveria oferecer apoio às famílias carenciadas. 

Enquanto isso não acontece, não tenham animais se não puderem suportar os custos! 

Ass - A Nazi das Adopções.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A conversa dos desparasitantes externos

Em primeiro lugar: diz-se DesparaSITANTE e não DesparaTIZANTE. Os animais desparasitam-se e não se desparatizam! É tão rara a pessoa que diz esta merda direita! E mesmo depois de eu repetir como se diz as pessoas não atinam. Pior que isto só mesmo dizer goleira em vez de coleira...Não percebo porquê que "O Bom Português" da RTP1 ainda não pegou nisto. 

Uma das razões pelas quais as pessoas vem com frequência ao veterinário é precisamente para desparasitar os animais e para se informarem sobre o que existe. Esta é daquelas conversas que eu repito mil e quinhentas vezes até ficar maluca. Por isso aqui fica a conversa:

- Que opções é que existem no mercado em termos de desparasitantes externos? 

R - Basicamente o spray, as pipetas, as coleiras e os comprimidos. 

- Quais devo utilizar?

R - Dependerá do estilo de vida do animal, da estação do ano e da sua carteira. Os desparasitantes externos protegem contra pulgas, carraças, ácaros, mosquitos e moscas. Alguns deles não funcionam para estes parasitas todos e por isso é que a escolha irá depender do estilo de vida do animal e da estação do ano. 

- O que fazem as pipetas?



R - As pipetas são aplicadas na pele do animal e normalmente são eficazes contra pulgas, carraças e mosquitos durante um período de 15 dias a um mês. Existem variações no espectro de acção. Algumas marcas não funcionam contra o mosquito, o que é critico no caso dos cães portugueses, por causa de uma doença chamada Leishmaniose, que é transmitida precisamente pela picada destes insectos; outras marcas só funcionam contra pulgas, o que é mau para animais que andem cá fora, uma vez que estão em risco maior de apanharem carraças, por exemplo. Além da desvantagem de terem de aplicar pelo menos uma pipeta por mês, a aplicação da mesma só pode ser feita com um intervalo de 3 dias em relação a banhos, ou idas ao rio/mar. Isto é, se colocarem a pipeta no vosso animal, só podem dar-lhe banho passados 3 dias e só podem colocar a pipeta, passados 3 dias do banho. Caso ignorem o intervalo, estão a deitar dinheiro fora, uma vez que a pipeta não é eficazmente absorvida pelo organismo do animal. Outra coisa muito importante -  NUNCA USEM PIPETAS DE CÃES EM GATOS! Os gatos são intolerantes a um componente que existe na maior parte das pipetas para cães e podem morrer caso vocês se enganem, (ou o farmacêutico seja um ignorante e decida vender-vos isso à mesma). 

Aplicar o conteúdo da pipeta em vários pontos do dorso do animal, em caso de peso superior a 15kg.


- O que fazem as coleiras?

R - Neste momento existem essencialmente duas marcas de coleiras de uso veterinário - a Scalibor e a Seresto. É destas coleiras que falo. As restantes que existem nas lojas dos chineses e afins não conheço e não acho que sejam a melhor opção. Na minha opinião, apesar de serem um investimento mais concentrado (porque se somarem o preço da pipeta mensal, vai dar ao mesmo), as coleiras são a melhor opção do mercado português. Não permitem falhas no que diz respeito a esquecimentos por parte dos donos, não há preocupação com dias de chuva, banhos, ou idas à praia/rio, e protegem contra praticamente todos os parasitas (embora exista alguma controvérsia, se a Seresto protege contra as picadas de mosquitos, ou não). A única desvantagem, particularmente da Scalibor, é que apenas protege contra pulgas durante 4 meses, protegendo contra os restantes parasitas (carraças e mosquitos), durante 6 meses. A minha recomendação é que a coloquem no inicio do Verão, uma vez que passados 4 meses será Outono e o tempo estará mais frio, logo a probabilidade de apanharem pulgas será menor. Se quiserem mesmo jogar pelo seguro, apliquem a pipeta para pulgas nesses últimos dois meses de acção da Scalibor. Relativamente à coleira Seresto, a protecção garantida é de 7 a 8 meses. Esta última existe tanto para cão, como para gatos, sendo a Scalibor exclusiva para cães.


- O que fazem os comprimidos?

R - Os comprimidos são úteis particularmente em cães que passem muito tempo dentro de casa e que convivem com gatos, ou que tomam muitos banhos. Normalmente tem um sabor agradável e podem proteger apenas contra pulgas e carraças, ou incluir no espectro alguns parasitas internos. Há também indicação, dependendo da marca, para uso do comprimido, em animais que sofram de sarna, ou convivam com pessoas alérgicas a ácaros. Nos países nórdicos o comprimido praticamente substitui a pipeta. Contudo, sendo o nosso país endémico para a Leishmaniose eu só o recomendo nos meses mais frios do Inverno (Dezembro, Janeiro e Fevereiro), porque NÃO PROTEGE CONTRA PICADAS DE MOSQUITO. Também o utilizo em animais muito velhos, cuja probabilidade de virem a morrer de Leishmaniose é super reduzida (tipo maiores de 15 anos). A periodicidade de administração do comprimido varia entre uma vez por mês, ou de 3 em 3 meses, dependendo mais uma vez da marca.



Por último, o spray está reservado para aplicação em bebés (gatinhos e cachorrinhos) com menos de 1,5kg. 

E é esta conversa que eu tenho vezes sem conta com os donos, quando me perguntam qual a melhor opção!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Sou péssima a gastar dinheiro

Sou péssima a gastar dinheiro. Primeiro porque não tenho assim tanto; segundo, porque quando o tenho sinto-me culpada em gastar em coisas, que daqui a uns anos não servem para nada. A minha mãe já me acusou de ser uma forreta de primeira. Não sei quando é que fiquei assim... 

Esta inércia monetária só desaparece na altura de comer e viajar. Acho que são as únicas ocasiões onde não me interessa se vou ter de gastar algum. Também gosto muito de comprar presentes para outras pessoas. 

O problema aparece, quando quero comprar algo para mim mesma, ou para a nossa casa (que não seja de comer)...primeiro sinto que tenho de fazer um estudo de mercado e mesmo fazendo esse estudo, na maior parte das situações, acabo por perguntar: "preciso mesmo disto?" e a resposta é quase sempre "não". Acabo por não comprar roupa até ter as cuecas e meias rotas, e acabo por ter a casa tão decorada, como quando viemos para cá viver (há 4 meses atrás). É triste.

Esta pressão para gastar e ter mais coisas deixa-me deprimida. Sinto que, mais uma vez, não me encaixo. Eu não quero mais coisas, porque sei que depois de as receber, há uns dias que sinto aquela felicidade de "aquisição de coisas novas" (como nos Sims), mas depois torna-se banal. É só mais uma coisa no meio de mil. 

Mesmo em relação a livros, é muito raro comprar algum. A maior parte dos que tenho foram oferecidos e os que quero normalmente encontro na biblioteca municipal, ou no "mercado negro online". Ainda assim, devem ser dos poucos objectos que talvez passasse a comprar sem me sentir culpada. Afinal de contas, se não fosse a colecção gigante de livros que os meus pais juntaram, talvez eu nunca tivesse tomado o gosto pela leitura? 

Quem sabe...agora que sou independente, posso fazer o que quiser com OS MEUS euros! 

Ahaha! Como nos enganam...






quarta-feira, 7 de junho de 2017

Diário da (pseudo)Princesa #1

Estes dias andava a arrumar tralhas e dei de caras com os meus diários. Como verdadeira fã da Meg Cabot e da mítica saga literária "O Diário da Princesa", o meu eu de 12 anos tinha que ter escrito um diário. Achei o conteúdo daquilo tão hilariante, que tenho de partilhar aqui no Baú dos Livros aqueles desabafos naquela que será a crónica semanal "Diário da (pseudo)Princesa".


Dia 08 de Agosto de 2002

A partir de hoje vou escrever aqui o meu novo "capítulo":

A Adolescência

Pois é... estou a crescer e ninguém o pode impedir...só a morte...
Bem, vou começar por falar de mim: Tenho 12 anos e faço anos dia 31 de Dezembro, passei para o 8º ano de escola.
Fisicamente sou...gira?! Não eu diria que sou muito bonita...OK eu sou convencida!
Tenho cabelo e olhos castanhos. Tento manter o meu peso de 48kg. Não me perguntes que altura tenho porque não sei...
Pessoas que eu ademiro: 

- Josh Hartnnet - é um bom actor e...é uma bomba.
- Michelle Branch - canta bem e é o meu nome virtual na cidade da malta...lolol! (É verdade eu gosto de navegar no site www.cidadedamalta.pt)
- Navegantes da Lua....ah!ah! Adoro quando se transformam!
- Sakura 

Neste momento não me lembro de mais. 

Hoje vou ao Norte Shopping no Porto. 


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Como é que eu não havia de sofrer de algum bulling?! Bem, eu era uma criança bem estranha e dava muitos erros. No fundo só queria ser amada...se me perguntarem porquê a culpa é da quantidade de porcarias que via na televisão e lia nos livros. 

E pleaaaase! O Josh Hartnett é tudo menos uma bomba e um bom actor! Onde é que eu tinha a cabeça?! E é engraçado ver como as pessoas que eu admiro nem são bem pessoas...

Esperem pelo próximo episódio...há mais tesourinhos deprimentes para desvendar. 


terça-feira, 6 de junho de 2017

"Quando abres a tua clínica veterinária?"

Não sei se acontece um pouco com todos os veterinários, mas parece que toda a gente assume que, por ser veterinária, tenho de abrir a minha própria clínica! Se não é agora, é daqui a meia dúzia de anos, mas é inevitável. 

Pois, só há um problema: eu não quero abrir a minha própria clínica veterinária. Não queria quando terminei o curso e quanto mais tempo passa, menos vontade tenho. 

Talvez seja consequência de ser filha de patrões. Enquanto crescia bem via a responsabilidade e a "prisão", que a gestão de uma empresa muitas vezes acarreta e o desgaste que isso pode ter nas pessoas. Por outro lado, tem as suas vantagens, quando corre bem...pode-se viajar mais e ter tempo livre, se a coisa for bem gerida...

No entanto, para já gosto de puder pensar no meu futuro como algo sem compromisso. Claro que às vezes sinto-me perdida e sem saber o que vou fazer, mas prefiro isso do que ter o telemóvel sempre a tocar, contas e ordenados para pagar, empréstimos para liquidar, chatices para resolver... Quero sair do trabalho e deixá-lo lá no sitio dele. Mesmo que no final do mês chova pouco, desde que durma bem de noite já fico contente. 

Por isso, para todos aqueles que me perguntam quando vai ser? Não me parece que vá ser. Mais depressa abriria um hotel para animais do que uma clínica. Já existem tantas, para quê abrir mais uma, quando claramente não faltam? Se o fizesse seria daqui a muitos anos e num local do interior do país, longe dos centros urbanos, que é onde poderá faltar esse tipo de serviço. Mas daqui a muitos anos eu vou estar cansada e com vontade de me reformar. 

Se querem saber, preferia ser professora na minha área. Acho que me iria dar um grande gozo. Gosto de falar com pessoas e na parte das consultas propriamente ditas gosto de sentir que estou a educar as pessoas. 

Quem sabe o que o futuro me reservará. Para quê estar já a pensar em prisões? 


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Onde enfardar em Guimarães - 1# Luzzo Pizzaria

Este fim-de-semana foi de urgência. Significa isso que seria arriscado ir laurear a pevide para longe da cidade-berço, não fosse algum bicho adoecer e o telefone desatar a tocar. Optamos, depois de muita insistência por parte do namorado, por ir até ao centro de Guimarães. A minha vontade era mesmo ficar em casa a curtir a depressão que é estar de urgência à chamada.

Não tinha grande fome, mas já eram 21h. A vontade dele era comer um hambúrguer daqueles "tradicionais", que andam muito na moda, mas claro que a essa hora todos os sítios do costume estavam a abarrotar. Lembrei-me de um pequeno restaurante, com uns néons todos catitas, que ficava perto do Toural.

Foto retirada do Facebook Luzzo Pizzaria Guimarães

O restaurante chama-se Luzzo e é uma pizzaria. 

Fomos espreitar o preçário e, como rondava o típico (9-12€ a pizza), resolvemos ficar. A noite estava amena e a esplanada permitia observar a gente que passava. Além do mais, a fachada dos edifícios, típicos da zona, dava algum abrigo e privacidade ao local. 



A forma como cada artigo era descrito no cardápio (alguém usa esta palavra, hoje em dia?), tinha também o seu quê de poético e dava vontade de comer tudo só de ler.

Como somos do género "esfomeado teso", fomos logo directos ao assunto: pizza salmone e limonada, para mim; pizza luzzo e vinho ao copo, para ele. Nada de entradas. O tempo de espera foi mínimo e a apresentação da mesa, apesar de simples era funcional e elegante. As pizzas eram exóticas! Quero com isto dizer que o menu tinha várias sugestões fora do vulgar. Fiquei curiosa em relação à pizza com anchovas e atum, mas como não me apetecia grandes aventuras gastronómicas, optei pela de salmão.


Sou o tipo de pessoa que detesta massa alta. Sinto-me sempre aldrabada, quando me espetam com uma pizza de massa "alta e fofa" à frente, porque raramente a coisa é boa. Se eu quisesse comer pão, pedia uma sande! Felizmente na Luzzo, a massa tem a espessura exactamente certa e por isso ainda sobra espaço para sobremesa. 

Pedimos um "cheesecake escangalhado" que estava uma delicia. Teria talvez dispensado as nozes na cobertura, mas dada a riqueza em omegas 3 e 6 deste fruto seco, acho que posso perdoar. 

A conta não atingiu os 30€ e, apesar de sermos interrompidos por uma chamada de urgência de uma gatinha com pneumonia, foi um tempo bem passado e um excelente local para enfardar em Guimarães.


Obrigada rapaz, por me obrigares a sair de casa. 


domingo, 4 de junho de 2017

A cena que mais me marcou

A cena que mais me marcou, desde que sou veterinária, aconteceu há duas semanas. 

Uma das vantagens do meu trabalho é que tenho sempre mil histórias para contar. Algumas são bastante caricatas e engraçadas, mas outras são daquelas que fazem chorar baba e ranho. Tenho por hábito contar as piores às minhas melhores amigas, por mensagem escrita. Só a parte de escrever e reviver as situações faz-me ficar emocionada. 

Esse dia parecia estar a começar normalmente. Ia atendendo as pessoas que estavam na sala de espera com alguma tranquilidade, até que chega uma rapariga de 11/12 anos a pedir ajuda e com a camisola manchada de sangue e um cachorrinho nos braços. Fomos logo para a sala de cirurgia, porque o bichinho vinha em paragem cardio-respiratória e com evidente traumatismo craniano. Comecei logo a fazer massagem cardíaca, enquanto a minha colega me arranjava um tubo endotraqueal, para começarmos a dar suporte de oxigénio. Quando fui para entubar, já era impossível e apesar do meu coração partido tive de engolir tudo isso e dizer à miúda que não tínhamos conseguido trazê-lo de volta. Só de me lembrar da tristeza estampada na cara da rapariga as lágrimas vêem-me aos olhos. Perguntei se havia alguém a quem pudesse ligar e tentei dizer-lhe algumas palavras de conforto, embora saiba que numa altura daquelas doí demais e que ela não deve ter ouvido nada do que lhe disse. 

Mais tarde, ficamos a saber o que tinha acontecido antes. A miúda ia a atravessar a estrada, NA PASSADEIRA, quando vem um carro a alta velocidade (a avaliar pelas marcas de pneus na estrada), que por sorte não a atropela, mas que atinge mortalmente o cãozinho que ia um pouco à frente da rapariga. Segundo uma vizinha, que estava no 6º andar e assistiu à cena toda, o carro preto parou um pouco à frente. Depois de ver que tinha atingido apenas o cão foi embora, sem prestar auxilio à criança, que estava sozinha e no meio do pânico teve a coragem de agarrar no bichinho e vir a correr para a nossa clínica que ficava a uns 100 metros do local. Infelizmente ninguém conseguiu a matrícula do carro. 

Não é novidade nenhuma, que as pessoas estão cada vez piores, mas estamos a falar de uma criança e o seu animal de estimação! Como é que há gente capaz de cometer esta barbaridade de fugir sem ajudar?! Sim, porque apesar de ter atingido o cão e não a miúda, não deixa de ser uma barbaridade e um crime! 

Fico doente com estas situações. Não é algo a que alguma vez me queira "habituar". Prefiro continuar a sentir, como sinto estas coisas. Não "é a vida". Recuso-me simplesmente a calar-me e a não denunciar estas coisas atrozes que vou vendo no meu dia-à-dia.  

sábado, 3 de junho de 2017

Sempre aqui, para si!

Hoje escrevo isto de cabeça quente. Dizem que escrever diários faz bem à alma. É isso que estou a tentar fazer, para quem não percebeu ainda a razão destes posts queixosos. 

O-D-E-I-O pessoas. Gosto de algumas, mas odeio aquelas que acham que o mundo gira todo à volta delas e que se lixem os restantes mortais e as suas vidas, para além do emprego. Estou a falar em particular daquelas pessoas que se recusam a fazer marcação no veterinário (ou outro sitio), porque nunca tiveram de fazer e sempre foram atendidas; as pessoas que fazem marcação, mas não aparecem nem avisam e não atendem o telefone, ou então aparecem 2 horas depois; as pessoas que vem 5 minutos antes do fecho com um cão/gato que está doente há uma semana; as pessoas que ligam para o número de urgência, porque querem que vá, fora de horas vender-lhes coisas, ou entregar animais que ficaram de ir buscar a uma determinada hora e não apareceram. 

Se fazem parte deste grupo - odeio-vos. Porque me tiram do sério pela falta de consideração que tem por quem está a tentar trabalhar de forma organizada e eficiente. 

Trabalhar numa clínica veterinária em Portugal não é fácil por várias razões, mas a principal é talvez a falta de pessoal. Normalmente uma clínica tem duas pessoas a trabalhar - auxiliar/enfermeira e o médico veterinário. Em algumas clínicas, com sorte, há três pessoas. Por isso, quando alguém marca uma cirurgia, ou uma tosquia e banho tem de perceber que está a ser reservada uma manhã, ou uma grande parte da tarde para aquele serviço. Todas as outras coisas passam (quando estamos a falar de cirurgias) para segundo plano e nada é marcado naquele horário. Imaginem o que é recusar outras marcações e depois, sem aviso prévio a pessoa e o respectivo animal, não aparecerem, ou chegarem 2 horas mais tarde. 

Trabalhar numa clínica veterinária não é só beijinhos e miminhos aos animais. É raro o dia em que temos tempo para socializar com eles. Não é tão fofo, como as pessoas acham. Trabalhar numa clínica veterinária implica tratar animais realmente doentes, que precisam de atenção constante; é limpar muita merda, chichi e vómito; é gerir toda uma série de stock médico; é organizar o tempo; é fazer chamadas a toda a hora; é estudar e desvendar casos complicados de vida, ou morte; é aguentar as lágrimas nos momentos mais difíceis; é mesmo com isto tudo a acontecer ao mesmo tempo, ter de mostrar cara feliz à próxima pessoa. 

Como é que as coisas poderiam melhorar? Se as pessoas pudessem delegar trabalho seria maravilhoso. Nunca me importei de ajudar a limpar, ou de ajudar nas tosquias, ou de telefonar aos clientes. Abomino pessoas que se servem do estatuto de médico veterinário, para nunca limparem seja o que for. No entanto, começo a perceber o porquê de existirem cargos diferentes. Na Escócia, por exemplo, a equipa da clínica tinha pelo menos 5 pessoas - uma recepcionista, 2 enfermeiras e 2 médicos veterinários. O movimento não era muito diferente do que temos aqui, mas como havia pessoal para fazer cada um a sua tarefa, tudo era mais organizado. Em vez de parecer que ando "a tapar buracos e a remediar tudo às 3 pancadas", poderia ter tempo para estudar novos tratamentos, falar com colegas, propor o melhor para cada paciente. 

Enquanto isso não acontece. Estou sempre aqui, para si! 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

"Northern Lights" ("Os Reinos do Norte"), Philip Pullman

Desencantei este livro de uma loja em segunda mão por apenas 2£, algures na Escócia. Foi-me recomendado por um amigo, que o equiparou a algo do género fantástico, estilo Harry Potter. Depois de ler o dito cujo, eu optaria por comparar "Os Reinos do Norte" com "As Crónicas de Nárnia", apesar de serem diferentes na sua essência religiosa/cristã.

Este é o primeiro volume de uma trilogia, que no cinema se converteu no filme "A Bússola Dourada". Apesar de ter a Nicole Kidman no papel de vilã (ela é gira de morrer!) acabou por não ter muito sucesso. A história inicia-se num mundo paralelo ao nosso, onde as pessoas tem todas um "génio" (em inglês soa melhor..."deamon"); uma espécie de alma em forma de animal, que faz parte do indivíduo e a ele está ligado de forma irreversível. 

Lyra é a protagonista, juntamente com o seu génio Pantalaimon. Uma miúda órfã de 12 anos, que graças à sua curiosidade desmedida se vê metida em apuros daqueles que dão muito trabalho e põem a tua vida em risco. O ponto de partida para a aventura desta rapariga, que sabe demais, é o desaparecimento do seu amigo Roger. Posso dizer sobre esta personagem que não lhe achei a mínima graça. Acho que foi intenção do autor mostrá-la como as crianças podem ser na realidade - egoístas e ignorantes. Pelo menos com o desenrolar da história Lyra vai crescendo e mudando e tornando-se menos insuportável (gosto mesmo de crianças pré-adolescentes...).

Por outro lado, a vilã da história foi construída de forma genial. A Sra.Coulter é uma linda mulher de aspecto angelical e delicado, que é uma verdadeira bruxa do mal disfarçada de princesa. O seu génio é um macaco, que na minha cabeça imaginei sempre, como sendo um babuíno de cu ao léu (a verdadeira essência da mulher). 

Achei que a história começava bem. A leitura fluía, as revelações iam sendo feitas, mas a certa altura começa tudo a tornar-se um pouco aborrecido e (spoiler alert...) o segundo volume dá continuação a esse aborrecimento. Outra coisa que também não entendi foi a importância do aletiometro. Este instrumento capaz de responder a perguntas sobre o futuro, que funcionava graças ao "pó", a essência das crianças e do mundo, foi parar às mãos de Lyra. Ela aprendeu a usar este instrmento de forma instintiva, mas nunca o usou para coisas realmente importantes. O aparelho passa a vida a ser roubado, para depois ser recuperado e continuar sem ser usado...e isto é recorrente também no segundo volume da saga. Tudo bem, fazia parte da trama, para manter algumas pontas soltas na história, mas torna-se irritante as menções ao dito cujo e à importância dele, quando na realidade ninguém o usa!

Talvez se tivesse lido o livro noutra fase da minha vida tivesse conseguido tirar mais prazer da leitura. Apesar das minhas críticas, está bem escrito e gostei muito da parte de toda a gente tem uma alma animal. Também gostava de ter uma...aposto que seria um gato. Só seria mau, porque não poderia namorar com o meu namorado, já que ele é alérgico a gatos...Recomendo para quem goste de livros dentro do género Nárnia, ou Harry Potter (apesar de ser distinto). 


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Não podemos salvar todos

Muitas vezes trago trabalho para casa. Fico sem dormir, ou passo a noite a rever situações na minha cabeça; ás vezes chego ao cumulo de acordar de noite e ir estudar qualquer coisa de que me esqueci, ou uma hipótese da qual não me tinha lembrado. 

Ainda bem que não fui para Medicina Humana, porque se me sinto oprimida pela responsabilidade de querer salvar todos os animais doentes, imagino como seria se fossem pessoas (talvez igual, em alguns casos?). 

Existem coisas que são simples e tem solução rápida (quem é que não gosta de abcessos?), mas há outras que detesto pela inexistência de solução. É o caso dos gatinhos positivos para o vírus da imunodeficiência felina (FIV, a SIDA dos gatos), ou para a Leucemia Felina (FeLV). Estas são doenças para a vida do animal. Podem manifestar-se muito tarde (ou mesmo não se manifestarem), mas quando começam a dar sinais clínicos são uma chatice para controlar e os tratamentos, além de caros, não oferecem garantias.

A escolha fica na mão nos donos. Podem financeiramente suportar os tratamentos que existem? Para além de me preocupar com a parte médica e com o bem-estar do animal, infelizmente também tenho de pensar na parte monetária. Por um lado quero oferecer o melhor ao animal, mas por outro não posso prestar o serviço de graça. E é aqui que as pessoas se chateiam com o veterinário. A verdade é que por muito que nos custe, as coisas tem um preço e eu tenho de conseguir sustentar-me, para continuar a ter um local onde exercer a minha profissão. Vivêssemos num mundo ideal, e o Estado comparticiparia o tratamento médico dos animais doentes, pagaria as castrações e ainda daria subsidio às pessoas que gostassem de ter animais, mas não tivessem meios para cuidar deles.

Gostava de poder salvar todos, mas infelizmente não depende só da minha vontade. 

quarta-feira, 31 de maio de 2017

"Receite-me qualquer coisinha...."

"Receite-me qualquer coisinha para o meu ------, que tem ----- e que eu não posso trazer aqui, porque----."

Sim, estou constantemente a ter pessoas na clínica que acham que basta receitar qualquer coisinha, sem ver o animal, para que ele fique bem, mesmo que eu não saiba o que ele tem. Como se nós, veterinários, tivéssemos poderes de adivinhação e só olhando para a foto do tal bichinho conseguíssemos descobrir a maleita dele.

Tentar comprar-nos as vacinas para darem em casa, também é bastante comum. Isto estará a ser incentivado pelos farmacêuticos?! 

Não funciona assim!

Ainda ontem apareceu lá um fulano que queria à força toda que eu vendesse um sedativo para ele dar ao gato antes de o trazer ao banho e tosquia. Eu até daria, se a) o gato não fosse um persa (ás vezes não reagem bem a sedativos) e b) se eu já tivesse visto o gato alguma vez na vida.

Disse isto de forma explicita ao dono e mesmo assim o senhor fez cara feia e disse: 
"- Assim vai complicar a minha vida e a sua." 
"- Pois, não se preocupe, que nós estamos habituados a lidar com gatinhos maus."

Será que ele ouviu o que eu lhe expliquei? 

Também há uns tempos apareceu uma senhora a dizer que a gatinha dela não comia há dois dias e tinha umas remelas estranhas. Mostrou-me a foto e queria que eu lhe receitasse algo, que ela já tinha tentado dar Benuron...Não conseguiu, felizmente! Quando ela disse isto eu interrompia e tive que alertá-la, que podia ter morto a gata com o Benuron! Raio das pessoas! Sempre com a mania da auto-medicação! Assustei tanto a mulher, que até a fiz chorar, mas de certeza que não volta a tentar dar medicação humana sem perguntar se pode...acabou depois por trazer a gatinha para ser vista de forma conveniente. 

Estas situações são recorrentes e preocupam-me, na medida em que a prestação de cuidados de saúde animal deve ser tão cuidadosa e ponderada, como a que é instituída às pessoas. Claro que o problema reside precisamente na forma como nós, portugueses, encaramos a utilização de fármacos. Passamos a vida a auto-medicar-nos. Não há quase controlo nenhum nas farmácias e há uma extrapolação desse comportamento, no que diz respeito aos animais. 

terça-feira, 30 de maio de 2017

Sr.Doutor

Aturar pessoas é a parte chata do meu trabalho. Há dias que até estou com paciência, mas na maior parte do tempo dou por mim a ser cínica, ou a repetir sempre a mesma conversa e fico cansada. Mas se há coisa que me tira do sério é gente idiota! 

Esta semana foi lá um senhor com o seu cãozinho, porque achava que ele estava doente. O senhor tem praticamente a minha idade e por alguma razão (sexto sentido) não vou com a cara dele. Mas faço a parte que me compete e lá vi e tratei do bichinho dele. 

No final, quando estava no consultório a arrumar as coisas, ouvi a minha colega a perguntar o nome do sujeito para aceder à ficha. Ao que ele responde "Doutor Fulano da Silva". Eu até perguntei a mim mesma se tinha ouvido bem. Como é que ainda hoje há este síndrome de incluir o DOUTOR no nome?! WTF?! Será que o senhor realmente tinha Doutor no cartão de cidadão? Apeteceu-me ir perguntar, mas obviamente que me contive. 

As pessoas tratam-me por doutora (excepto se forem estrangeiros), o que a mim nem me aquece nem me arrefece. Continuo sempre a apresentar-me como Luísa, médica veterinária. Acho uma idiotice o estatuto de Doutor, ou Engenheiro. Só mesmo aqui na tugalândia isso poderia ter importância...para mim parece só ridículo. 

Quando mais tarde liguei para saber como estava o cãozinho, volto a ouvir do outro lado do telefone - Fala Doutor não sei quantos. Engulo o sapo e informo-me sobre o estado do patudo. 



segunda-feira, 29 de maio de 2017

O Vitória perdeu a taça

e eu entretive-me a reflectir sobre a natureza humana, enquanto pessoas se insultavam mutuamente no café em frente.

As pessoas são realmente muito estranhas. Quase se matam por causa de futebol, mas na hora em que devem reclamar ficam caladas e submissas. Veja-se a quantidade de anos que passamos em declínio económico e a ser literalmente explorados e enganados, sem nunca (à excepção dos taxistas) termos armado o barraco em praça pública?! 

Deus nos livre de reclamarmos abertamente os nossos direitos! Ofensa! Sacrilégio! Bora expressar o nosso estado de espírito no Facebook de preferência sem o beneficio do corrector automático. Viva a liberdade de opinião! Para quê saber a diferença entre há e à?! Agora com o novo acordo é normal estes erros acontecerem. O que interessa é opinar! 

A verdade é que fico contente por termos uma estrela mediática como Presidente da República e um PM sempre bem disposto e pouco fatalista. Parecendo que não o tipo de discurso importa e estava cansada de ouvir aquele senhor laranjinha (e o amigo cor de laranja) sempre com previsões catastróficas. Para pessimista já chego eu. Claro que vencer o Euro e a Eurovisão com menos de um ano de diferença foi importante para o povinho ver que Portugal tem valor. 

Conclusão, isto funciona tudo como o slogan da Matinal (#postpatrocinado #sóquenão):



domingo, 28 de maio de 2017

Uma série de divagações/frustrações



(CLIQUEM NO VIDEO EM CIMA, PARA BANDA SONORA DRAMÁTICA)

Volta e meia dou uma limpeza na lista de blogs que vou seguindo. Fico triste com a quantidade de blogs literários que se transformam em montras e perdem a sua verdadeira identidade. Talvez eu seja na realidade uma miúda com a "puta da mania", mas já lá vai o tempo em que queria sacar livros às editoras (consegui uma, ou duas vezes). Claro que, quando escrevia o que realmente achava do livro era o fim do negócio. Sou péssima a lamber cus e a engraxar sapatos. 

Também não interajo muito no mundo dos Blogs. Deve ser por isso que por aqui também não há muita interacção. Agradeço a quem vai passando. Gosto sempre de ir espreitar com regularidade o Desabafos Agridoces da Sara e leio uma série de posts do Man's Repeller. Realmente sou pouco interactiva. Devo ser um bocadinho self-absorved (nem nisso sou original...).

Damn! Se eu soubesse que a vida de adulta ia ser assim, teria dito ao meu eu criança, para se deixar estar e não querer crescer tão depressa. Quando der por mim, vou estar a ter um bebé, para tentar criar alguma emoção na minha vida. Bem, dramática continuo a ser. 

Ah e tal há que encontrar equilíbrio no dia-à-dia. Porque a viagem é que é a felicidade, diz quem é rico e quer manter o povo controlado e satisfeito com a sua mediocridade. Desculpem a acidez do post de hoje. Deve ser do tempo, ou do meu ciclo menstrual, mas estou cansada de ouvir que há fases da vida assim. 

Ontem dei de caras com gravações que fiz quando tinha 13 anos. Aquilo era genial. Uma série de filmes com enredos clichés, Barbies e Action Men's nos papeis principais. Para onde é que foi aquela criatividade toda?! Um dia, quando atinar com o Adobe Premier tenho de publicar aquilo no Youtube. 

E o meu plano para conquistar o mundo? Tinha tantos! Um deles incluía criar rebuçados Mentos individuais. Seria genial. Claro que alguém se antecipou. Também ia ser realizadora de filmes da National Geographic. Hoje nem a reciclagem faço e conduzo um Nissan Almera de alta cilindrada. QUEM SOU EU?! O que fizeram comigo?!

Podia culpar o facto de não ser feliz à minha condição de ser mulher. Afinal seria tão mais fácil desapontar as pessoas se fosse um homem. Era só fazer acontecer. As pessoas nem iam julgar. Queria deixar a veterinária depois de 7 meses de trabalho? Força aí! Vai dar a volta ao mundo e tirar fotografias. O teu relógio biológico não interessa. Podes perfeitamente ficar para tio. É aceitável. 

E se eu deixasse veterinária o que quereria ser? Mas isto parece tão familiar. Foi assim, quando deixei as Belas Artes...se calhar o problema não é o trabalho. O problema sou eu. 

Não faço puto ideia o que ando a fazer com a minha vida. Alguém faz?! Se tiverem um tutorial enviem o link nos comentários em baixo. 

Atenciosamente,
Luisa.