sábado, 23 de abril de 2011

Jackie Brown, Quentin's Greyest Movie

FICHA TÉCNICA


Título: Jackie Brown
Ano de Lançamento: 1997
Realizador: Quentin Tarantino
Origem: EUA
Duração: 154 minutos.
Elenco: Pam Grier , Robert Forster, Robert de Niro, Samuel L. Jackson, Bridget Fonda e Michael Keaton

Apesar de ser fã do trabalho de Tarantino, desde a polpa sangrenta do seu segundo filme aos vilões germânicos do último, sem esquecer os seis senhores coloridos ou Beatrix Kiddo, sempre olhei para Jackie Brown com alguma desconfiança. Sempre vi este filme como a ovelha negra da família Tarantino. Mas para não ser injusto, decidi dar mais uma oportunidade ao filme, afinal de contas, o Tarantino merece.

As imagens iniciais do filme fazem-me imediatamente pensar que o filme envelheceu mal; não é um filme velho (1997), mas o estilo visual e sonoro grita anos oitenta, não que isso seja mau só por si, mas ajuda a aumentar a suspeita (Cães Danados tem mais cinco anos e uma aparência muito mais fresca).

O filme conta a história de Jackie Brown (Pam Grier) – estranho era se assim não fosse – uma comissário de bordo, que passou o seu prime. No fundo do poço da sua carreira, a trabalhar para uma companhia aérea mexicana, Jackie usa da melhor maneira que sabe as cartas que lhe são dadas; esta é a particularidade de Jackie Brown que a faz tão única. Para compensar o mau salário, ela funciona como correio do dinheiro de Ordell Robbie (Samuel L. Jackson), um traficante de armas, que tem 500.000$ presos no México e que está a ser vigiado por forças policiais americanas. Numa destas viagens é apanhada com a mão na massa, ou com a massa na mala, mais precisamente. E é a partir daqui que Jackie Brown tem que ser mais esperta que todos os outros.

Se isto se tratasse de um jogo de cartas, a nossa heroína teria ficado com cinco duques – perdoam-me se este for uma óptima mão em algum jogo, não percebo muito de cartas, e se calhar isso devia-me dizer para escolher outra metáfora, mas o que está feito está feito. Do baralho, saiu-lhe a pior conjuntura de cartas possível. Foi presa enquanto traficava dinheiro, e também droga. É mandada para a prisão, e quando é solta, fica a saber que Ordell, na mais provável das probabilidades a quer matar.

O resto do filme desenrola-se com cada personagem a tentar ser mais esperta que a outra e, como o filme não se chama Ordell Robie, Max Cherry (Robert Forster, o fiador que se apaixona por ela), Ray Nicolet (Michael Keaton, o polícia que a prende), Melanie Ralston (Bridget Fonda, a namorada de Ordell) nem Louis Gara (Robert De Niro, o recentemente ex-encarcerado amigo de Ordell), adivinha-se quem terá o ás de trunfo no final (um bocado incongruente para quem anteriormente falava em cinco duques, se calhar não foi mesmo boa ideia a tal metáfora).

Esta história está muito bem construída. A parte final em que Tarantino brinca com o tempo, mostrando cenas repetidas, de pontos de vista diferentes mostra por que Tarantino se tornou um mestre. Quase tudo está muito bem conjugado mas depois de ver o filme, continua a parecer-me que falta alguma coisa. É muito provável que isto seja fruto de parcialidade da minha parte, sou um fã do realizador, adoro tudo o que ele fez, mas ao ver este filme, talvez por não utilizar a linguagem gráfica dos seus irmãos, perco-me em comparações e não o consigo apreciar como obra isolada. Quando olho para Ordell não consigo deixar de imaginar a personagem de Samuel L. Jackson no Pulp Fiction, e de ver como o seu desempenho empalidece em comparação. A protagonista, por muito carismática que seja, também não figura bem num confronto com Mia Wallace ou Beatrix Kiddo.

E os diálogos. Ah, os diálogos! A marca de Tarantino está presente nestes diálogos, mas em Jackie Brown têm a força de uma tatuagem temporária, enquanto no resto dos seus filmes está brandida a fogo (para já vou deixar as metáforas com cartas em stand-by, vão ser uma carta fora do baralho... Ups).

3 comentários:

Andreia Mandim disse...

Olá. O blogue é interessante. Mas desde já tenho de fazer um reparo, quem fez esta crítica não fez o tpc porque a aparência envelhecida entre outros pormenores neste filme têm propósito. O filme faz referencia ao bexploitation, que traçado com o série b normal, passa mais ou menos por ter aquela aparência. coisa que em Reservoir Dogs nunca se justificaria.
Como têm interesse em obras literárias adaptadas, deixo aqui um trabalho sobre o mesmo:

http://cinemaschallenge.blogspot.com/2010/07/fight-club-das-paginas-para-tela.html

Cumprimentos,
http://cinemaschallenge.blogspot.com/ -

Luís Azevedo disse...

Andreia, não duvido que tenha um propósito,fã que sou do Tarantino, sei que ele não deixa nada ao acaso. :)
Na sua obra o blaxploitation é um tema recorrente e não foi por não fazer o TPC que não o referi na crítica. Para mim as teorias que estão na base do filme têm que resultar para as tornarem relevantes. Se simplesmente não gostei do aspecto visual do filme quando o vi, nenhuma justificação vai fazer com que mude de ideias.

Faço gosto em que visite o blog e comentários são sempre bem-vindos, a seguir a ver filmes o meu passatempo favorito é discutir sobre eles!
Vou agora fazer uma visitinha ao teu blog :)
Cumprimentos cinéfilos

Andreia Mandim disse...

Obrigada pela visita ! :)Compreendo o teu ponto de vista, apenas queria que percebeste que o homem é mesmo um mestre e é tudo pensado.A série b é um género que desperta bastante subjectividade, mas acho que o Tarantino consegue fazer jus aos grandes mestres desse género. Daí a 'defesa'. Bem, tenho todo o gosto em que vão lá passando pelo Cinema's Challenge. Obrigado, e uma vez mais, parabéns pelo blogue! :)


http://cinemaschallenge.blogspot.com/