sexta-feira, 3 de junho de 2011

Injustiçazinhas


Ah, injustiça! Porque mostras tu essa feia cabeça e fazes com que o sono me iluda?! É que injustiça à tardinha, com um refresco, numa esplanada, ainda se tolera; agora, depois das duas da manhã já chateia!
O dia já se aproxima, mas as pestanas teimam em não se juntarem. Porquê? Porque a injustiça causa-me um frio na barriga ou as chamadas borboletas que, apesar de serem comummente associadas à paixão, agora têm uma conotação muito menos colorida. A mesma sensação para descrever este sentimento deveria ter outra expressão. Algo como “Sinto casulos na barriga.”; perdia-se o colorido inapropriado e fazia-se jus à realidade. Depois deste devaneio semântico deixo-me de questiúnculas e passo à questão: Porque é que a injustiça me mantém acordado?
Falta de igualdade no trabalho, tratamento diferente para as mulheres, criancinhas em África a morrer à fome. Não, com isso posso eu bem. Com o que não posso é aturar com injustiças que eu sinta na pele sejam elas graves (nunca são) ou moderadas (raramente são). Normalmente são injustiçazinhas. Enganam-se e dão-me mal o troco, compro algo mais caro que o “preço recomendado”, dão-me menos umas décimas num trabalho ou frequência. São injustiçazinhas depois de as armazenar nas gavetas mais escondidas do meu cérebro, ou até deixam de o ser quando passado umas horas me esqueço delas. Mas quando elas, ainda frescas, me estão na cabeça, não são injustiçazinhas. Não. Alguém me roubou descaradamente, alguém me enganou e me fez passar por palhaço, alguém está deliberadamente a comprometer o meu futuro.
Mas depois, com o tempo, passa. Às vezes demora uns dias, outras vezes umas horas; quando demora uns segundos nem sequer estranho. É normal. Chato é quando não me deixa dormir.

p.s. Divagações de alguém frustrado por uma nota que não lhe interessa, de uma disciplina que não lhe faz falta, de um curso que não lhe diz nada.

3 comentários:

Ana Luisa Alves disse...

QUE DRAMA!

Luís Azevedo disse...

Era suposto ser tudo menos dramático...

Manel João disse...

Eu gostei...o sentido está bem explícito aqui: "Chato é quando não me deixa dormir. "