sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sou mais do que um curso

Quem anda em Veterinária sabe o que quero dizer, quando afirmo que às vezes parece que não há gente que fale de coisas interessantes, para além das "conversas de queixinhas" das aulas, da matéria, dos estágios, dos professores, dos testes, ou de como não tem tempo para nada. 

Há dias em que isto me irrita, porque cria a ilusão de que a minha vida é aquilo. Fico cansada da conversa, fico farta do ambiente e ponho-me a imaginar um futuro, onde a minha vida não vai ser só conversas de veterinária ao almoço e ao jantar. 

Dou por mim a imaginar que tipo de conversas terão estas pessoas com os namorados, os amigos não vets (será que os tem?), ou a família, se a única coisa que fazem na vida é estudar Veterinária, e que deixaram que isso se materializasse na definição do que eles são...

Pois eu recuso-me! Este ano quero manter-me mais atenta ao que se passa no Mundo, quero continuar a ter uma altura do dia em que deixo de parte a Veterinária, para poder viajar pela leitura, para fazer exercício, ou para aprender sobre outros temas, igualmente interessantes, como História (Obrigada Crash Course). Quero continuar a poder e saber ter outros temas de conversa, que não a Veterinária. Porque não vou deixar que o meu curso me defina. 

Eu sou mais do que um curso. 

 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Outras maneiras de falar?

Acho totalmente estranho, pais de trinta e poucos anos, nos dias de hoje, ensinarem as suas crianças a tratá-los por "você" e tratarem-nos também por você... é algo que não me encaixa na cabeça, por mais que tente. 

Ainda não vi nenhum argumento lógico para tal comportamento. Antigamente, a relação entre pais e filhos era outra. Habitualmente, não eram relações tão próximas, como hoje é normal serem, e existia esse hábito (que ainda existe em alguns lares), mas por uma questão de respeito à idade! Agora nestes casos, em que também os filhos são tratados por você, dá-me vontade de espetar um soco nesses pais "copinhos de leite". Que é que a criança vai achar, quando for confrontada com o mundo real e for tratada, como todas as crianças, pela horrível segunda pessoa do singular?! Que é que elas vão pensar, quando virem os seus desenhos animados tratarem-se por tu? 

- Mãe, você não acha estes desenhos animados tão desapropriados? - pergunta a Constança.
- Ai querida filha, não se preocupe, que eu fiz uma nova dobragem, apropriada para si! - responde a mãe.

Isto é algo que tenho vindo a notar cada vez mais em blogs sobre o dia-à-dia de como ser mãe. Quando começo a ler e noto isso, deixo logo de me interessar, porque simplesmente soa a falso! Felizmente, parece que o Norte ainda não atingiu esse nível de hipocrisia social (embora devam existir por aí dessas tias), porque sejamos francos, é o que isso é. Apregoam aos sete ventos, que a relação com os seus filhos é de grande proximidade, mas depois ensinam os putos a tratarem-nos por você e dão lhes ares de príncipes e princesas, tratando-os nesses modos também, qual monarquia renascida! 



 A minha única questão é: está a escapar-me o objectivo central destas formalidades forçadas?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Blogs e Afins

Amanhã tenho o meu segundo exame desta época - Inspecção Sanitária...resolvi, por isso, em vez de estudar, dedicar-me a inspeccionar a lista de Blogs que estão actualmente no meu feed...91 blogs!? Mas como é que isto aconteceu? Não admira que não acompanhe grande coisa dos que realmente interessam!

Ah! Já sei! Foi por causa daquela fase em que eu achava que ia ganhar todos os passatempos de livros e coisas no geral...só que não.  

Resolvi passar a hora seguinte a eliminar uma série de blogs que já não eram actualizados há meses, que pertenciam a raparigas com ares de quero ser modelo e "olha para mim na minha roupa nova, todos os dias", ou que simplesmente que já não me diziam nada. 

Fiquei triste com alguns Blogs. Não tenho sido tão dedicada, quanto desejava à crítica dos livros que tenho lido. Não por falta de tempo, porque isso arranjasse sempre, mas antes por falta de inspiração. Não é coisa que apareça assim do nada, como vocês devem saber. No entanto, não pude deixar de me sentir desiludida, com uma série de blogs literários, que nitidamente deixaram de ser independentes, para passarem a ser "montras" para os novos lançamentos das editoras. Eram blogs que até aí eram interessantes, mas que agora até custa encontrar a opinião do autor, no meio de tantas sinopses. Eu sei que deve ser giro receber livros à pala (também queria, confesso), mas não se vendam e não percam a vossa voz, por favor!





Por falar em usar a nossa voz interior...tenho andado seriamente a pensar em criar um Vblog em inglês. A verdade é que com esta coisa do estágio na Escócia a tornar-se cada vez mais real, seria uma excelente forma de treinar o "speaking". 

A questão é - não sei editar muito bem, e nunca tenho tempo para nada...ou será que isso não passam de desculpas esfarrapadas para não me lançar na aventura?

Totalmente off-topic - será que se eu colocar a palavra masturbação e sexo nas palavras de busca, as visitas ao blog aumentam e eu fico rica? Vou experimentar!



domingo, 11 de janeiro de 2015

Seguir a "Manada Charlie"

Cada vez que leio uma notícia num jornal online, fico parva com os "comentários anormais"  de certos indivíduos, que por lá encontro. É certo que todos temos o direito de nos exprimir, mas há coisas que custam a respeitar e acima de tudo a calar. 

Que os media não são donos de toda a verdade e que muita gente se deixa levar exclusivamente pelo que eles dizem, já todos sabemos.  Contudo, neste caso especifico do atentado em França, não acho que seja uma questão de seguir a manada ou deixar de seguir a manada...esqueçam a manada e debrucem-se sobre aquilo que se passou. Houve um atentado. Pessoas foram assassinadas, porque não partilhavam uma crença religiosa e porque denunciavam, diariamente, através de cartoons, as incongruências dessa (e de outras) crença.   

"Puseram-se a jeito." os mais básicos dirão. Não, eles não se puseram a jeito. Ninguém se põem a jeito para ser torturado, violado, ou assassinado, por dizer e exprimir o que lhe vai na alma. Quando um critico de cinema, de arte, ou de culinária publica um artigo, as pessoas são livres de retirar as suas próprias conclusões e impressões baseadas no que sabem e nas suas experiências. Chama-se a isso liberdade de expressão e de pensamento. Quando se fala em respeitar a liberdade do outro, é isso que estamos a dizer. Não devemos condenar quem não partilha a nossa visão do mundo e acima de tudo, não vamos reagir a essas diferenças violentamente. Longe vai o tempo da inquisição e todos os esforços devem ser feitos para a eliminar dos países, onde ela está bem presente.

É contra o desrespeito que é atentar contra a vida de seres humanos e à sua liberdade, que quem se manifesta, quem mostra compaixão pelo que aconteceu, se expressa. Não é porque os media dizem ou fazem isto ou aquilo. É porque em raros momentos da história, as pessoas tem uma causa em comum e decidem unir-se pelo mesmo motivo.

Isso é bonito de se ver e não podemos esquecer-nos, que não se deve criticar o pouco que se faz, pelo muito que fica por fazer.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Je suis Charlie

Quando leio as notícias, a maior parte não me causa qualquer tipo de reacção. Não que eu seja insensível, mas antes porque são coisas que acontecem tão longe da nossa realidade do dia-a-dia; são coisas que dificilmente conseguiríamos mudar, mesmo que quiséssemos, por isso esforço-me por não perder o sono, assobiando para o lado. Chamem-me conformista. Se calhar é o que eu sou. Se calhar devia pegar na minha pessoa e auto destruir-me em protesto contra a fome em África.

Gostava imenso que não existissem guerras, que as pessoas fossem felizes e que se respeitassem, quer fossem homens,ou mulheres, adultos, ou crianças. Adorava que todos os cães e gatos tivessem um dono responsável e um tecto sobre a cabeça, gostava que o ser humano não destruísse os habitats de milhares de espécies, gostava que o Mundo fosse perfeito. Gostava acima de tudo, que toda a gente tivesse acesso à Educação.

Mas o Mundo não é perfeito. O Mundo é feio. Há dias em que acordamos e um avião desapareceu, outros em que mataram centenas de crianças, com armas químicas. Há os dias em que não acontece nada e então fala-se sobre intrigas futebolísticas, ou sobre a Casa dos Segredo, virando-se intencionalmente a cara aos problemas reais. Até há os dias em que os ex-primeiros ministros são presos, gerando-se todo um romance em torno disso. 

Há o dia em que acordamos e 12 pessoas foram abatidas a tiro, por terem sentido de humor. 

Podia comentar todas os acontecimentos do Mundo, mas escolhi este em particular, porque o sinto tão perto. Porque sou mulher e porque tenho opiniões, porque tenho amigos que são artistas e se gostam de expressar através de cartoons engraçados, porque aceito e gosto de viver num Mundo, onde as opiniões são discutidas, onde se pode brincar com essas opiniões, e onde se pode dizer aquilo que nos dê na telha, sem medo de levar um tiro. 

Mesmo sentindo de perto, aquilo que milhares de pessoas sentem todos os dias, continuo a sentir-me conformada. O que é que eu vou fazer? O que é que nós podemos fazer contra um problema cultural tão grande como a Religião?

Se eu pudesse eliminar uma coisa deste Mundo, escolheria sem sombra de dúvidas a Religião. Não hesitava por um momento. Acho que todos nós viveríamos num mundo melhor, onde ela não existisse. 




sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

"Bel-Ami" - Guy de Maupassant

Bel Ami, de Guy de Maupassant, conta-nos a história de Georges Duroy, um simplório, de origem camponesa, que nada tem a não ser a sua beleza e uma grande ambição de subir na vida.  Para isso serve-se da sua aparência e da sua facilidade em seduzir as mulheres, aproveitando-se das suas posições sociais, para alcançar uma fácil ascensão social. Gold digger style!

Publicado em 1885, é tido como uma critica à sociedade das aparências parisiense do final do século XIX, que a meu ver pode ser facilmente aplicada aos dias de hoje. Talvez seja por isso que Bel-Ami é considerado um clássico da literatura.

Achei particularmente interessante a interacção contrastante entre Norbert de Varenne, um envelhecido poeta, já cansado da vida, com a personagem principal, jovem e com vontade de gozar a vida. No seu tom amargo, o poeta fez algumas divagações sobre a vida, criticando de forma bastante directa o circo que era a sociedade parisiense e o modo como esta se comportava. O seu tom acaba por destoar do resto da história, talvez para fazer o leitor pensar seriamente nesta sociedade fútil e efémera.  

Aquilo que pude confirmar com a leitura de Bel-Ami é que de facto as pessoas bonitas chegam sempre mais longe na vida. Isto não é um mito. É verdade. Eu sei, porque sou linda e consigo tudo o que quero... just kiding...mas ser bonito e charmoso abre portas mais facilmente, do que se formos feios e vulgares. Infelizmente vivemos num mundo de aparências, onde as primeiras impressões contam muito, e onde muitos se servem disso para manipular os outros, de modo a conseguirem o que querem.

Não é uma primeira crítica animadora, para este novo ano de 2015, mas pode servir de chamada de atenção para aquilo que realmente importa para cada um de nós; viver a vida com base nas aparências, ou ser genuíno e ver onde isso nos leva?