sábado, 9 de março de 2013

O Templo do Silêncio

Há anos que passo por esta igreja. Sempre pensei em entrar, para ver como é. Mera curiosidade de ex-aluna de Arte. 
Encaminhei-me para a entrada, onde quatro portas estavam aparentemente fechadas. Só à terceira tentativa consegui acertar na porta correcta. "Porquê que é tão difícil entrar nas igrejas?" - pensei, enquanto abria a porta e entrava. 
Estaquei e fiquei em choque com a diferença entre o exterior e o interior. Não, porque fosse a mais bela igreja, mas porque, como todas as igrejas pouco frequentadas, era mesmo silenciosa. Parecia que ali o tempo não passava. As estátuas deviam ganhar pó e ficar em permanente estado de feliz sofrimento...permanentemente. 
Estive assim parada, até levar com a porta nas costas e um subtil pedido de desculpas. Afastei-me e sentei-me no primeiro banco. Quem entrou era uma senhora, que vinha visitar o seu templo. Seu, porque, apesar da calma que senti ali, não consegui evitar sentir-me culpada por fazer barulho a respirar e romper aquele silêncio sagrado. 
A senhora fez aqueles gestos, próprios de veneradora profissional, e sacou do porta-moedas. Avançou até ao seu Santo preferido e ofereceu-lhe a sua cunha  oferenda. Como se ao oferecer dinheiro, estivesse a fazer o seu desejo chegar mais rapidamente aos ouvidos do grande Senhor. 
Fechei os olhos e aproveitei para meditar, ou tentar deixar de pensar. Doía-me a cabeça. Um telefone começou a tocar estridentemente. Olho para o lado com a minha melhor cara de "a sério?". Uma senhora atente:

- Está. - diz, como se estivesse em casa - Sim. Estou na igreja de S.Pedro.
- Onde?? - ouve-se do outro lado.
- Na igreja de S.Pedro! - diz a mulher mais alto - Vais chegar a horas? Está bem. Boa viagem.

Fim da conversa. O que é que esta gente vem aqui fazer? Trazem os seus terços de madrepérola e rezam uns "Avé Marias" para parecerem religiosos respeitáveis, e depois nem o básico respeito conseguem ter por quem está num local supostamente sagrado. Eu estava ali simplesmente pelo silêncio, mas havia quem estivesse por razões superiores. 

É por estas e outras razões, que a Igreja nunca me vai ter, embora as igrejas possam ter a honra de, ocasionalmente, darem assento ao meu traseiro; não porque quero pedir favores, ou ouvir falsos moralistas, mas porque é fresco, silencioso e óptimo para descansar depois da subida que a precede. 


4 comentários:

Por entre o luar disse...

A igreja tornou-se um local cada vez mais banal , as pessoas não vão a ali pela fé que as move , mas sim porque tem de ser . Não devia ser uma obrigação , mas sim um devoção. O conceito da religião está banalizado ... *

Beijinhos

milureis disse...

Acho que as igrejas(antigas) são juntamente com a música e a arte a única coisa que a religião (neste caso católica)tem de bom.
Detesto quando me vêm pedir dinheiro para reabilitar uma igreja,dado que as igrejas são propriedade do estado mais rico do mundo.

MERCEDES disse...

Cuando tengo tiempo me gusta entrar en las iglesias para pensar.
Hace años me encantaba ir a leer al claustro de la catedral ,era un sitio muy tranquilo y muy fresquito en verano (ahora con tanto turismo parece un gallinero).
Admiro y respeto a las personas que tienen fe (la que sea)si eso las ayuda(se nota que todavía no tengo claro si creo en Dios ,lo que sí tengo claro es que no me gusta la Iglesia tal y como esta montada).Creo más en las personas que en las instituciones.
salud

Raquel Lima disse...

Não sendo uma pessoa católica, adoro visitar igrejas, mas tentando respeitar sempre os espaços e quem lá está por devoção, mas cada vez mais as pessoas fazem das igrejas passereles da vaidade!