segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

"Nightcrawler" - Dan Gilroy

Quando comecei a ver o filme achei logo que o tipo devia ter ali um cheirinho de Síndrome de Asperger, tal era a semelhança entre a forma de interacção com outras pessoas de Lou Bloom e Max Braverman, da série televisiva Parenthood.

Lou Bloom, interpretado por Jake Gyllenhaal, é uma espécie de pessoa comum nos dias de hoje: Desempregado, vive completamente isolado do resto dos mortais, interagindo com o Mundo através do que é virtual. Tira cursos online, aprende tudo pela internet e passa a vida a citar estas lições a quem, por qualquer circunstância estranha, se cruza com ele. Palavras vazias de significado, visto que Lou nunca teve a oportunidade de colocar em prática tudo o que aprendeu. É um teórico.

Até à noite em que assiste a um acidente e vê chegar uma equipa de repórteres freelancer, que ganham a vida a filmar estes desastres, onde a diferença entre ser o primeiro, ou o último a chegar é crucial. Maravilhado com a possibilidade daquele tipo de negócio, Lou trata de comprar uma camera de filmar e de começar o seu próprio negócio. 

Bloom, com a sua ambição desmedida, mesmo sobre-humana, segue o princípio de "If it bleeds, it leads" e rapidamente começa a ultrapassar os seus colegas freelancers. Mas quão longe irá esta personagem estranha, para conseguir alcançar os seus objectivos?

Fiquei presa ao enredo deste filme desde o início. Até ao momento em que o meu pai disse "Que seca de filme!". Isto tende a acontecer muito...não temos o mesmo gosto cinematográfico. Ainda assim, mais tarde acabei de o ver e a minha atenção voltou a ficar retida. 

Num misto de curiosidade e de repulsa pela personagem interpretada por Jake Gyllenhaal, naquele que muitos dizem ser o seu melhor papel, deixei-me levar para o submundo dos desastres filmados. Inicialmente, com vontade de que Lou fosse bem sucedido; Ele tinha a ambição necessária e aprendia rápido! Depois, com vontade de que ele parasse o que estava a fazer.

Os limites da moralidade são levados ao máximo neste filme, deixando o espectador com um misto de admiração e ódio por esta personagem, que não é mais do que um vilão, disfarçado de herói da era moderna, que ultrapassa as adversidades da depressão económica, por pura força da ambição (ou não).

1 comentário:

Isaura Pereira disse...

Olá!

Já tinha visto este filme e fiquei curiosa. Mas entretanto passou.

Agora fiquei mais curiosa para o ver.

Beijinhos e boas leituras!