quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

"Eleonor & Park" - Rainbow Rowell

Pergunto-me se a escritora deste livro se chama mesmo "Arco-Íris" (Rainbow, em inglês), ou se será um pseudónimo...porque quem tem esse nome, tem de, obrigatoriamente, cavalgar um unicórnio e usar estrelas no cabelo!

Este é um dos poucos livros que posso dizer que me cativou pelo aspecto da capa. Não por ser extravagante, mas precisamente pela simplicidade e pelo facto de me fazer pensar no filme "Nick and Norah's Infinite Playlist". Peguei imediatamente no livro e li a sinopse - Hmm...parece giro - e voltei a pousá-lo. Já disse aqui que só muito raramente compro livros. 

Uns dias mais tarde, estava a deambular pelas últimas notícias do mundo literário e deparei-me mais uma vez com o livro. Curiosa, lá tratei de arranjar o ebook e li-o em menos de 3 dias, indicador de que não era mau.

Escrito na terceira pessoa, esta é a história de dois adolescentes, Eleonor e Park, que apesar de muito diferentes, acabam por se apaixonar, quando todos os dias partilham lugar no autocarro para a escola, trocando cassetes de música e revistas de banda desenhada. Dito desta forma parece um enredo um bocado idiota. No entanto, com um diálogo simples e uma excelente construção destas duas personagens, Rainbow Rowell consegue criar uma história que prende o leitor desde o primeiro até ao último momento. 

Apesar de não ser uma história que deixe marcas profundas, é um bom retrato da inocência e embaraço do primeiro amor. Uma boa história de YA, que deixa de parte as banalidades vampirescas, distópicas, ou mesmo associadas a doenças terminais, para nos transportar novamente para a normalidade do mundo real.

6 comentários:

Sara disse...

Não posso negar: este foi um dos piores livros que li o ano passado. As personagens são para lá de irritantes e não combinam nada, os diálogos são básicos e não acontece nada a maior parte do tempo. É uma história típica: rapariga insonsa encontra o rapaz dos seus sonhos - tendo de escolher ainda assim prefiro A culpa das estrelas. Vai ser editado cá ou já foi.

Ana Luisa Alves disse...

Eu gostei. Li em inglês, por isso não posso comentar quanto à versão pt-pt. É um livro YA, por isso não estava à espera de nada mt elaborado em termos de linguagem, ou mesmo de história...Não acho também que seja uma história assim tão típica...principalmente tendo em conta background familiar da Eleonor. Para mim retrata muito bem como me senti, quando estive apaixonada a primeira vez...com uma série de clichés típicos a passarem-me pela cabeça e a falta de segurança, face à novidade, mas acredito que será visto de diferente forma, dependendo de quem lê. ;)

Sara disse...

Estava à espera que fosse uma estória de dois outsiders que por acaso se encontram e talvez por isso fiquei tão desiludida por ter encontrado a mesma estória da Cinderela de sempre: rapariga com um problema qualquer (família disfuncional, depressão, doença...) encontra um cavaleiro andante que transforma a sua vida. Metade dos YA tem esta premissa. A Leonor é uma personagem muito fraca: praticamente não diz nada de jeito. Ele é pouco melhor...Acho que o facto de ser para jovens não é desculpa para uma escrita fraca (tb li em inglês), tenho de experimentar as distopias…

Ana Luisa Alves disse...

Bem, concordo em discordar XD Ela é uma rapariga de 16 anos, praticamente uma criança. Sim é uma historia de Cinderela, mas o final acaba por ficar um pouco em aberto...Achei que era um bocado de ar fresco dentro do que já li de YA, e confesso que não li muito, mas do que li havia sempre uma tragédia ou um plot totalmente irrealista. Gostei do facto de ser um livro com o qual me posso identificar e com que de certeza muita gente tb se pode identificar. Deve ser por isso que tem tido tanto sucesso.

Em relação à escrita, ainda não li o suficiente para dizer se é má escrita ou boa. Se acessível é sinónimo de mau, então é má. Mas nem tudo tem de ser complexo para ser bom. Aliás, muitas vezes o simples é melhor.

Sara disse...

Podes ter um escrita simples e no entanto com conteúdo, mas diálogos cheios de sins, hums, hã-hã e por ai fora...Acho que os jovens ainda conseguem perceber mais do que linguagem de sms. Em relação à Leonor referia-me à construção da personagem: sem interesses ou vontade...Parece tirada de uma novela. Com a Hazel acontecia o mesmo. Acho que no século 21 já não se justifica passar a mensagem ás jovens que precisam de um cavaleiro andante para as salvar e para dizer que são lindas. O final não é mau, mas eu tb estava morta por acabar. Estes livros geram sempre imenso Hype...Basicamente achei mais do menos. Entretanto se esse não é o verdadeiro nome da autora, não consegui descobrir...Se calhar é mesmo xD

Ana Luisa Alves disse...

Acho que o facto dos diálogos serem assim também tinha a ver com a insegurança, que a autora queria dar às duas personagens, por ainda serem adolescentes. A maior parte dos adolescentes são assim, principalmente aqueles que não se sentem bem na sua pele...como a Eleonor.

O facto de ela não ter interesses, tem a ver com as dificuldades que ela tem em casa. Alguém que mal tem dinheiro, e vive em constante medo, ainda para mais, num tempo sem internet, pode não ter interesses. Ela até tinha um grande interesse por música, considerando a lista de faixas para ouvir um dia que ela escrevia, que gostava de poder ouvir e que depois ouve, graças ao Park.

E a mensagem não acho que seja de que é preciso cavaleiro andante, até porque o Park não era nenhum cavaleiro...até era bem nerd. É simplesmente o relato de um primeiro amor...quando ainda acreditamos que tudo correrá bem e que ficaremos juntos para sempre e blahblah. Por isso é que gostei do final, porque mostra a realidade do primeiro amor - falha sempre, mais cedo ou mais tarde. Acho que essa é que era a mensagem...mas lá está...tudo está aberto a interpretações!