terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Figo

É incrível como a vida é imprevisível. Há duas semanas atrás estava eu toda empolgada com ir morar sozinha, uma semana depois o Figo morre. O Figo era o meu gatinho de quase 13 anos. Como tinha referido, num post anterior, ele tinha sido diagnosticado com um problema renal e um eventual problema cardíaco. Estávamos a fazer as adaptações necessárias. Alteraramos a dieta dele e já estávamos a dar-lhe medicação diária há 15 dias. Tudo levava a crer que, apesar de doente, ainda teríamos mais tempo; anos, imaginava eu. Por isso imaginem o nosso choque, quando vimos o nosso menino morrer em segundos.

Todo o momento pareceu irreal. Ele tinha acabado de comer e esteve no colo e lá andava feliz até que ouvimos o miar mais estranho que alguma vez ouvi, de aflição. Já não houve nada a fazer e senti uma impotência horrível. Estudei 6 anos veterinária, e não houve mais nada que eu pudesse fazer para evitar aquele momento. 

Lembro-me quando o fomos buscar. Tinha 14 anos. Era o Verão antes de entrar no secundário. Estava preocupada por não achar muita piada a gatos brancos e poder não gostar dele. Que parva! Logo que chegamos à esplanada, onde nos íamos encontrar com a criadora, foi amor à primeira vista! Ele meteu a cabeça fora da caixinha de cartão em que vinha e lambeu-nos os dedos. Sempre foi um beijoqueiro aquele gatinho! 

Desde esse dia foi o menino da casa. Sempre muito comilão e companheiro. Sem nunca miar como um gato normal, mas sempre pronto a pedir mimo e a dar beijos. Mesmo com a chegada das outras gatinhas, sempre foi muito permissivo e carinhoso. Como vou ter (tenho!) saudades daquele pelinho de algodão branco e dos beijinhos pela manhã.

A única coisa que me consola é saber que não houve um único momento em que ele não soubesse como gostávamos dele. Mesmo quando morreu, estava rodeado pelos seus humanos, ainda que todos eles chorões e incapazes de evitar o inevitável. O fim foi rápido e ele não sofreu.

Agora está algures no céu dos gatos, quem sabe até se não reencarnou em algum outro ser vivo espectacular. Talvez num pequeno pónei, como eu gostava de lhe chamar, ou numa princesa gorda... Gosto tanto de acreditar nisso nestes momentos menos bons, mesmo que tudo não passe de fantasias imaginadas.  



6 comentários:

Isabel Maia disse...

Perder o nosso amigo de quatro patas nunca é fácil, esteja connosco há muito ou pouco tempo. Há uns anos atrás, depois de meses a lutar com a coriza do meu Quico, fui obrigada a optar pela eutanásia porque já não tinha qualidade de vida nenhuma. Esteve comigo pouco mais de um ano, sei que foi a decisão mais humana mas custou... Se custou...
Força nesta hora dificil, agarra-te a esse sentimento que o Figo foi um gato feliz e sempre amado pelos seus humanos.
Um beijinho :)

Ana Luisa Alves disse...

Pois não é nada fácil...o meu trabalho ainda vai ajudando. Apesar de tudo, ainda vou vendo muitos outros patudos e penso muitas vezes no meu Figo, enquanto o faço. Muito obrigada Isabel pelas palavras! Espero que esteja tudo bem contigo e que vás passando por aqui mais vezes ^^ Beijinho

Ana Luisa Alves disse...

Já agora...o teu blog mudou, ou sou eu que estou a confundir as pessoas? o.O

Sara disse...

Oh era tão lindo...Lamento muito :\

Isabel Maia disse...

Mudou sim, Luísa. Sou a Isabel Maia do falecido NCDL, não te estás a confundir. Mudei de registo, mudei de casa, mudei de ares e agora sou uma blogger bem mais feliz :)
Aparece para os lados do batráquio sempre que quiseres, a porta está aberta :)
Beijinho!

Ana Luisa Alves disse...

Obrigada Sara :(

As mudanças são quase sempre boas Isabel! Vou passando por lá! ^^ Beijinho grande!