domingo, 6 de setembro de 2015

Leituras e Opiniões

Já devem ter reparado que ultimamente não tenho andado a dar muito destaque aos livros, aqui no dito "Baú dos Livros". Mas, a verdade é que acho que dos últimos três anos, este é o ano em que tenho lido mais! 

Tenho umas quatro, ou umas cinco opiniões para elaborar, mas a inspiração tarda a chegar. Entretanto já me vou esquecendo de alguns deles. Outros intimidam-me. É o caso de 1984, de George Orwell. Porque estava à espera de melhor. E como é que alguém pode estar "à espera de melhor", quando se trata de um clássico há muito estabelecido? Será que leio os livros de forma muito superficial? Ás vezes é isso que acontece. Outras vezes, acho que o livro me toca de forma tão profunda, mas não consigo passar o que senti/achei para as teclas do computador. 

No final, há opiniões que releio, que acabam por soar a mais um resumo e comentário forçado. 

E é isso. Não tenho escrito opiniões, porque ando com falta de confiança naquilo que penso. É como a história dos refugiados. O que pensar daquele drama?  Não é tão mais fácil não pensar? Há assuntos que sempre existiram, mas que em alguma fase do tempo e da história, ganham destaque. Daqui a um mês o assunto vai ser outro e o mal estar daquelas pessoas vai continuar a existir. Mas já não vai conseguir gerar compaixão. Porque o assunto já terá sido espremido até à exaustão pelos nossos amigos jornalistas.



No fundo queremos todos viver em 1984. Queremos que pensem por nós. Pensar fora da caixa exige correr riscos, poder ser criticado. Se eu dissesse, por exemplo, que não estaria disposta a acolher refugiados, seria apontada como má pessoa, quando de certeza que são poucos os que de verdade acolheriam essas pessoas, em sua casa.

A solução para o problema dos refugiados é muito simples - parem de subsidiar as guerras. E parem de nos fazer sentir culpados pelo que se está a passar. Porque não somos nós, cidadãos europeus, que temos a culpa. As nossas acções passam por eleger quem está no poder, mas o que essas pessoas fazem quando o poder lhes cai nas mãos não é controlado pela população.  

Eu gosto de acreditar, na minha inocência de jovem, que quem foge à guerra são seres humanos como nós. Que os refugiados procuram uma vida melhor e não apenas uma vida de subsídios, pensões e papo para o ar. Gosto de acreditar que não são um bando de indigentes. Que, quando chegarem cá, vão integrar-se aprender connosco e ensinar-nos algo. Mas isto sou eu. Muitas vezes não tenho noção da realidade. 

As dúvidas começam, quando me pergunto porque que querem todos ir para a Alemanha, ou para o Reino Unido? Porque não lhes serve um país de Leste com paz e sossego, ou mesmo Portugal? E é isso que me faz torcer o nariz e achar que tudo isto cheira a esturro. Se eu fugisse com a minha família, por causa da guerra, só me interessaria chegar a um local onde houvesse paz e estabilidade. 


 E depois há a parte dos próprios problemas do nosso país. Gera-se uma onda de solidariedade em torno dos refugiados, mas e o pessoal que passa mal aqui no nosso próprio país? Onde está a solidariedade para com o próximo? Esses não são novidade. Esses são empurrados para um cantinho escuro da sociedade. Vamos lá subsidiar os refugiados, que são o que está a dar e vamos ficar tão bem vistos pela Alemanha!

Hipocrisia. Viva 1984!

 

8 comentários:

Sara disse...

O que eu acho do que tenho visto escrito por aí é que é muito fácil falar quando temos um tecto e um prato de sopa na mesa...Não sabemos o que passam estas pessoas nem podemos saber - só conjecturar e creio que fazíamos o mesmo, porque isto já aconteceu aqui na Europa não há muito tempo - não temos muita superioridade moral...guetos e pessoas em vagões por acaso tb é coisa que tb já vimos no passado infelizmente...Como diz a minha mãe à mesa de jantar resolvemos todos os problemas do mundo xD

Ana Luisa Alves disse...

Não digo que não faria o mesmo. Mas porquê a especificidade de quererem ir para a Alemanha e para o Reino Unido? Não vale mais ficar num país que seja tolerante e tentarem integrar-se? Porque sejamos realistas...daqui a um par de meses, quando a coisa começar a dar para o torto, os alemães metem metade dos refugiados em "bairros especiais" e deportam os restantes...se fosse eu, so queria um sitio onde pudesse oferecer estabilidade e qualidade de vida mínima às minhas crianças. Um local onde recomeçar.

Sara disse...

Os países de leste não parecem ser muito tolerantes...Nem prósperos. Mais tortas do que já estão agora? xD

Ana Luisa Alves disse...

Os países de leste foram um exemplo de uma alternativa. E acho que há países de leste tolerantes. Não se pode meter tudo na mesma cartola. Porque não Suécia? Noruega? Porque não Espanha, ou Portugal? Porquê Alemanha? Reino Unido? E sim...acredita que vai ficar mais torto. Porque para já a Alemanha vai brincar ao "país tolerante" e acolhedor. Quando começar a correr mal, a coisa vai mudar de figura. Enquanto isso, nós vamos vendo esta novela, com um pacote de pipocas na mão.

Ana Luisa Alves disse...

Qualquer coisa deve ser melhor que a guerra...mesmo países de leste.

Sara disse...

Portugal tem muitos romenos e ucranianos por alguma razão...De qualquer modo meter tudo na mesma cartola não é precisamente o que estamos a fazer com estes exilados?

Ana Luisa Alves disse...

Eles é que estão a meter-se na mesma cartola, ao fazerem uma migração com destino único e exclusivo. Mas isto ainda vai fazer correr muita tinta...e infelizmente vê-se cada comentário por aí mais degradante, que até mete medo...

C. disse...

Partilho contigo uma TAG que adorei fazer Certified Bookaholic ;)