sábado, 30 de janeiro de 2016

Ano Novo, Velho Eu

Pronto, Janeiro já passou e cheguei à conclusão de que tenho falhado em quase todos os objectivos a que me propus. Posso dizer que estou dentro da média nacional, e talvez internacional. Resumo do mês:









sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Eu e o meu E-reader ("friend") - 5 Vantagens

Como diria Fernando Pessoa - "Primeiro estranha-se, depois entranha-se." Com o meu E-reader foi mais ao menos o mesmo. 

Já lá vão quatro anos desde que decidi comprar o Kindle, da Amazon. No início estava hesitante, porque ainda não lia em inglês e detestava ler o português do Brasil. Não venham com tretas que é português na mesma e tal. É, mas a forma como as frases estão construídas é diferente e, volta e meia, dou por mim a ler com o sotaque de novela brasileira. Não consigo habituar-me a isso. Desculpem.

Anyway, no último ano penso que 50% das minhas leituras foram feitas no Kindle. Mais do que um aparelho electrónico, acabou por se tornar o meu companheiro de viagens. É raro sair de casa sem ele. Continuo a levar um livro "físico", quando calha de estar a ler algum, mas tenho sempre o Kindle, para quando me aborreço do que estou a ler e preciso de uma alternativa. 

Aqui ficam algumas vantagens que encontro em ter o E-Reader no dia-à-dia:

1) É leve e pequeno, o que o torna bastante portátil e pouco incomodo. 


2) Tem espaço para milhentos livros. Não é espantoso termos uma biblioteca dentro da nossa bolsa? Quase como aquelas tendas-casa do Harry Potter...




3) O ecrã não é igual ao de um tablet, ou ao de um PC, o que significa que ficamos com os olhos a arder, ou com dores de cabeça se o usarmos muito tempo.


4) Há imensos livros à pala, que arranjam muito facilmente na Internet. Quase todos os livros que li, publicados recentemente, foram lidos graças a isso. Se assim não fosse, teria que me limitar ao que existe na Biblioteca Municipal (desculpem, mas não sou rica.) Também já se começam a encontrar mais livros em português de Portugal, mas realmente quem lê em Inglês tem vantagens. 



5) Dá para ler na mesma! - Uma das coisas que me metia confusão, quando os E-readers começaram a aparecer, foi a falta do cheiro e da interacção com as páginas dos livros. Eu teimava por não querer experimentar, por ser uma traição para com o objecto "livro"! Mas agora penso que isso não interessa. Eu gosto realmente de ler. Gosto de partir para lugares distantes, com duelos de espadas, feitiços e príncipes disfarçados (sim, estou a citar a Bela de A Bela e o Monstro, versão brasileira). Não me interessa se vou através de um livro bolorento e bem-cheiroso, ou se consigo lá chegar através do ecrã do E-reader. 



Poder ler o que nos apetece é algo que tomamos por garantia. Mas isso não acontece em todas as partes do globo e sinto-me grata por poder fazê-lo em qualquer formato!
 




quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

"Charlie e a Fábrica de Chocolate" - Roald Dahl, Quentin Black ( Ilustrador)

Há séculos que andava para ler este "Charlie e a Fábrica de Chocolate" de Roald Dahl. Já tinha visto a versão cinematográfica do Tim Burton, mas já sabem que uma boa leitora, gosta sempre de ler o livro.

Agora que ando numa fase de ler coisas pequeninas e ligeiras (não acham que os livros andam a ficar cada vez maiores?!), achei que seria o livro perfeito. Mesmo sendo um livro para crianças, sou da opinião que uma boa história não escolhe idades.

Para quem nunca ouviu falar, este pequeno livro conta a história de Charlie, um rapazinho muito pobre e humilde, que todos os dias tem de partilhar a pouca comida que tem com os seus quatro avozinhos e os seus pais.  A família vive em tal desespero, que a única ocasião em que Charlie come alguma coisa que não couves cozidas, é no dia do seu aniversário. Depois de pouparem todo o ano, a família consegue oferecer-lhe uma maravilhosa e saborosa tablete de chocolate do internacionalmente famoso chocolateiro Willy Wonka. 

Mas, neste aniversário, o desembrulhar da tablete de chocolate de Charlie será marcada por uma nova expectativa. Willy Wonka, que tem a sua fábrica misteriosamente fechada há anos, vai oferecer cinco bilhetes dourados, que irão permitir uma visita guiada à fábrica. Mas não é tudo! Os sortudos que encontrarem esses bilhetes escondidos nas tabletes de chocolate, receberão um camião gigante cheio de doces e guloseimas, que chegará para a vida inteira!

Nunca tinha lido nada de Roald Dahl. Cheguei até a pensar que o senhor era americano. Erro de julgamento, uma vez que ele é inglês. Acho que foi o facto desta história ser tão cheia de vida, cor e fantasia, que me fez cair nesse erro. Isso e o próprio facto de ser o J.Deep a fazer o papel de Willy Wonka, na versão do realizador Tim Burton. Não quero com isto dizer que todas as histórias para crianças de escritores ingleses são escuras e pouco alegres. No entanto, as que já li têm sempre um certo toque de snobismo britânico, que nunca passa despercebido. Imaginem os famosos lanches descritos em "Os Cinco" e todo o tom em que essa colecção era escrita, e entenderão o que quero dizer (espero eu).

Num tom de brincadeira Roald Dahl, consegue passar algumas lições importantes sobre a arte de educar crianças. Não é que eu seja expert em educar crianças, mas já fui uma e sei que ele tem razão. Para muitos pais e filhos insuportáveis de hoje em dia, este livro é uma leitura perfeita para antes de ir dormir. O problema é que acho que já não devem existir muitos pais que leiam histórias para adormecer os filhos. Deve ser mais fácil ligar o tablet, ou deixar passar a hora de ir dormir. Ainda assim, se um dia eu tiver filhos, esta estará sem dúvida na minha lista obrigatória!

Tenho também que dar os parabéns a quem editou o livro. Tem uma capa maravilhosa e achei perfeito incluírem as ilustrações originais de Quentin Black. São muito simples, mas bastante expressivas. Também achei muito interessante a inclusão de curiosidades sobre o escritor e sobre o ilustrador, numa linguagem adaptada às crianças.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

"Cão Como Nós" - Manuel Alegre

Ultimamente ando numa de ler livros que me fazem chorar, mas este fez-me chorar como uma Madalena arrependida. 

Uma das minhas resoluções, para este 2016 passa por ler mais autores lusófonos. Sempre gostei do Manuel Alegre. Não estou muito por dentro das suas ideologias políticas, ou opiniões até porque o senhor tem andado fora das luzes da ribalta há já algum tempo, mas sempre me lembrou um Pai Natal fofo. 

"Cão Como Nós" pareceu-me uma escolha perfeita. Era um livro pequenino, óptimo para quando se está a experimentar um novo autor.  Demorei menos de uma hora a lê-lo e é espantosa a forma como algo tão curto e escrito de forma tão simples, conseguiu tocar-me no coração de uma forma impressionante. Sem grandes artifícios literários, ou descrições muito ricas, este pequeno livro é qualquer coisa de especial.

Escrito na primeira pessoa, não é mais do que uma série de peripécias e recordações, que Manuel Alegre escreve sobre o seu fiel companheiro, Kurika. Acho que quem tem, ou teve animais com quem criou uma ligação forte, consegue facilmente identificar-se e é por isso que ele livro é forte. 

Recomendo, principalmente para quem ama os seus amigos de quatro patas!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

"A Vida Secreta das Abelhas" - Sue Monk Kidd

"Um romance sobre o poder transcendente do amor e a faceta feminina de Deus. Uma história que as mães gostarão de contar às filhas."

Esta é a descrição que aparece, quando procuramos este livro no Goodreads e está tão incompleta...

Este livro chegou às minhas mãos por mero acaso. Era Verão e andava a passear pelo velho Porto e em cada esquina havia uma feirinha. Ou de artesanato, ou de legumes e frutas biológicas (não são todos?) , ou de livros em segunda mão; em qualquer lado havia uma distracção diferente. Como é lógico, acabei por me perder no tempo, enquanto deambulava pelas banquinhas de livros usados, que, aliás, são os únicos que ainda me fazem gastar dinheiro. Foi assim que por três euros, comprei um dos livros que mais me ensinou e mais prazer me deu nos últimos meses. 

Sempre adorei abelhas. Quando era criança, adorava andar atrás daqueles zangões farfalhudos e tentava tocar naqueles pelinhos tão fofinhos. Por três vezes me picaram, mas só a primeira me fez chorar, mais por surpresa do que propriamente dor. Lembro-me que a minha avó me fez meter uma uva no sitio da picadela...até hoje duvido que  isso tenha tido algum efeito. O meu primeiro namorado tinha pavor de abelhas. Só por aí devia ter adivinhado que nunca daria certo entre nós. No terceiro ano da faculdade inscrevi-me numa opcional de Apicultura e lá andei no meio delas, com aquele fatinho tipo astronauta, a ver a casa delas e o fantástico produto dos deuses a que chamam "mel" Sempre me fascinou a organização daqueles seres tão pequenos e a complexidade do funcionamento de uma colmeia. Acho que foi por isso que acabei por comprar o livro.

"A Vida Secreta das Abelhas" conta a história de Lily Owens, uma jovem adolescente de catorze anos, que cresceu com a convicção de que acidentalmente havia matado a sua mãe, quando tinha quatro anos.  Aquilo que recorda desse dia não é exacto e, para além das suas memórias, Lily tem apenas o relato do seu Pai, homem extremamente carrancudo, autoritário e violento, que faz a vida negra à rapariga.


No dia do seu décimo quinto aniversário a vida de Lily muda para sempre, quando uma série de acontecimentos a fazem fugir de casa na companhia de Rosaleen, a senhora negra que a criou e que havia sido presa e espancada essencialmente por causa da cor da sua pele. 

Lilly decide seguir o rasto que a sua mãe deixou nas poucas recordações que possui e acaba por encontrar refúgio na casa de três irmãs apicultoras, que são a chave que irá desvendar o misterioso passado da mãe de Lily e consequentemente, o seu próprio passado. 

Demorei menos de três dias a ler este livro. Simplesmente não conseguia parar de ler.  Está escrito de uma forma muito simples e bonita, encerrando simultaneamente uma série de ideias sobre a vida e o mistério que ela é, que lhe conferem um encanto único. Ao longo do desenrolar da história, vamos acompanhando o próprio crescimento interior da protagonista, vamos desvendando o seu passado e vamos aprendendo a fazer algo que é muito difícil - perdoar os nossos próprios erros e falhas. 

Fiquei tão embrenhada na história e no desenrolar dos acontecimentos, que este foi um dos poucos livros que me fez chorar. Para além de toda a problemática associada ao passado de Lily, temos também o racismo e a descriminação racial como tema central, que estão na origem de algumas passagens que nos revoltam profundamente.  

Este é um daqueles livros que recomendo a toda a gente, pela valiosa lição que nos consegue ensinar. 

 




quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Será a Pirataria assim tão má?

Num mundo onde rara é a pessoa que nunca praticou um acto de pirataria, quer fosse através do download de uma música, de um livro, de episódios de séries televisivas, ou mesmo filmes inteiros, pergunto-me até que ponto será uma coisa má. 

Pergunto isto, depois de ter lido um artigo que falava da polémica em torno da posição do escritor Neil Gaiman acerca do tema. Segundo ele, o facto de as pessoas publicarem o seu trabalho de forma "ilegítima", começou por lhe causar algum incomodo. Com o passar do tempo, percebeu que o facto de as pessoas o descobrirem através do seu trabalho colocado na Internet de borla, era semelhante ao que acontecia quando alguém emprestava um livro seu a outra pessoa; a pessoa não pagava e lia o livro na mesma, à pala! Com isto ele conseguia publicidade grátis e um maior reconhecimento a nível internacional:

"Then I started to notice that two things that seemed much more significant. One of which was that places where I was being pirated -- particularly Russia (where people were translating my stuff into Russian and spreading it out into the world) I was selling more and more books. People were discovering me through being pirated. And then they were going out and buying the real books, and when a new book would come out in Russia it would sell more and more copies."

Isto tornou-se cada vez mais evidente, quando Neil perguntou aos seus leitores se tinham um autor favorito. Perguntou depois quantas dessas pessoas tinham descoberto esse autor, por comprarem um livro na livraria. Apenas 5-10% respondeu que tinha descoberto o seu autor favorito dessa forma. As restantes tinham-no descoberto graças a livros emprestados/oferecidos. 

Ou seja, a pirataria acaba por funcionar como Publicidade grátis. É óptima para quem não tem muitas posses e não pode ter acesso imediato a todas as coisas super interessantes que são criadas. Além disso acaba por "fidelizar" aqueles que gostam de investir nos escritores, realizadores, actores e artistas pelos quais se deixaram cativar, graças à pirataria. Porque quem gosta realmente, acaba sempre por adquirir algo que o ligue aquilo que descobriu de forma menos legítima.

Num mundo que se diz "modernizado" e "livre", qual é o sentido de privar, quem não pode pagar, o acesso à cultura? No fundo, ao fazermos isso, acabamos por regressar aos séculos pré-socialistas, onde só quem era rico tinha acesso ao conhecimento e à arte. 

Entretanto, vão surgindo opções muito mais económicas, para fazer frente à tão temida Pirataria. Um exemplo disso é o Spotify e o mais antigo ITunes, que vieram modernizar a forma como ouvimos música. Acho que o mercado já percebeu que não vai conseguir eliminar a Pirataria. Eles tem tentado...mas os internautas tem dado a volta por cima. A solução é adaptarem-se.