domingo, 9 de julho de 2023
Sam Smith - Nos Alive 2023
terça-feira, 27 de junho de 2023
Espero estar de regresso!
Bem-vindos a 2023, segundo semestre. Sim, estou viva. Não, ainda não tenho filhos. Sim, um dia quero ter filhos, mas neste momento quero usufruir egoisticamente da minha liberdade e tempo para ler e fazer outras coisas.
Resolvi reativar, sem compromisso, o blog.
Os blogs estão fora de moda, mas a verdade é que com o tempo fui perdendo o foco naquele que era o meu objectivo aqui - criar um diário acerca dos livros que vou lendo.
Estes últimos anos tem sido uma miséria em termos de leituras. As redes sociais, os videojogos, a vida social muito mais mexida, graças ao meu super social e incrível marido (!) e ao retorno à normalidade pós-pandemia.
Ainda assim, neste últimos 3 anos tenho lido algumas coisas interessantes:
- Fiquei fascinada com a escrita de Isabel Allende e já li uma série de livros da escritora chilena;
- Multipliquei a minha biblioteca, quando casei - sim, casei pelos livros - e agora tenho 3 edições diferentes da Constituição Portuguesa, para além de todos os livros do Jorge Amado e outros escritores de ideologia política de esquerda. Quem entrar cá em casa, pode visitar o nosso quarto de hóspedes decorado com o tema "Saramago". Só não terá uma cama de percevejos, mas podemos tentar recriar essa descrição épica do livro "Memorial do Convento" (pelo preço certo, claro...aqui de esquerda, só mesmo os livros);
- Passei pelo menos meio ano da minha vida a ler a trilogia "O Século" do Ken Follet. Tenho a dizer que os livros são difíceis de transportar e bem dita a hora que me ofereceram um Kobo (o kindle faleceu...). A trilogia é incrível e deu-me uma perspetiva história dos acontecimentos do século XX, que não teria conseguido alcançar de outra forma.
Vou tentar falar sobre estes temas (e muitos mais) nos próximos posts.
Pretendo que esta seja a motivação de que preciso, para retomar as leituras com o entusiasmo prévio e que o Hogwarts Legacy e a Veterinária, não me deixem refém.
Até breve!
domingo, 21 de fevereiro de 2021
Passatempo - Instagram Intermitências d'Alu
Com a pandemia, uma das coisas que tenho sentido, é que os dias se tornam quase indistinguíveis. Saio de casa por volta das 9:30h, para ir para o trabalho e regresso por volta das 20:30h, 5 dias da semana. A vida na clínica é normalmente louca: animais para procedimentos de rotina, animais para primeira consulta, animais doentes, animais para cirurgia, telefones a tocar, recados e fichas para fazer/preencher, dúvidas para esclarecer e pelo meio, a oportunidade de meter qualquer coisa à boca.
Para registar os momentos mais felizes desta sucessão de acontecimentos, comecei a utilizar mais o meu telemóvel como maquina fotográfica. Vou usando o Instagram como um diário de bordo. Ajuda-me a manter a motivação e a felicidade nas pequenas coisas do meu dia à dia.
Por essa razão, o tempo que tenho passado aqui no Blog tornou-se muito menor. No entanto, e na sequência de um grande "destralhamento", decidi sortear na minha página de Instagram (@intermitenciasdalu), dois livros da escritora Ana Arroz! (Brincadeira...) Os livros da escritora Anne Rice:
- Vittorio, O Vampiro
- Sangue e Ouro
Este passatempo decorre até às 00h do dia 21 de Março.
Este é precisamente o Dia da Árvore e ao participarem, para além de poderem ganhar 2 livros, estarão a dar-lhe uma segunda casa e a poupar papel! As árvores agradecem!
Para participarem tem de:
- Seguir a página @Intermitenciasdalu;
- Fazer like no post do passatempo e identificar 2 amigos nos comentários;
- Não precisam de partilhar no "Stories"!
Boa Sorte e Obrigada por participarem!
domingo, 31 de janeiro de 2021
Bridgerton - Yaks!
Não tenho andado com muita sorte nas coisas que ando a escolher para ver/ler no meu pouco tempo livre. Depois de terminar ontem o "Fangirl", de Rainbow Rowell, um dos piores livros que já li nos últimos anos (falaremos disso em breve), tive a infelicidade de começar a ver a série televisiva Bridgerton.
Bridgerton é anunciada como o regresso dos criadores de Anatomia de Grey (devia ter sido o primeiro aviso) e é baseada no romance histórico "The Duke and I" da escritora Julia Quinn, que nunca li. O enredo da série desenrola-se no século XIX durante o reinado de Jorge III. Conta a história de Daphne, uma jovem e linda donzela, que entra pela primeira vez na sociedade aristocrática inglesa e tem como única missão na vida casar por amor e ter filhos.
Vi apenas dois episódios e não sei por onde devo começar. Quando a primeira música da banda sonora é um instrumental em versão clássica da Ariana Grande, acho que devia ter desligado a televisão. Ainda assim, como toda a gente fala da série, resolvi assistir a pelo menos dois episódios. Acabei por assistir aos últimos 15 minutos da série, só para ter a certeza que era mesmo uma completa bull*** - confirma-se.
A primeira coisa que salta à vista é o terem incluído numa série de época atores e atrizes de várias raças, criando uma sociedade alternativa em que, em pleno século XVIII, durante o reinado de Jorge III, um dos maiores apoiantes do esclavagismo (de sempre!), a rainha é negra. Percebi que, dado o contexto político atual, foi uma tentativa de criar uma série com um elenco inclusivo e dar uma maior enfase aos problemas de discriminação racial. Nada contra, mas para que funcionasse o argumento tinha de ser excelente e sem falhas, para que não parecesse que estávamos perante uma sátira.
Somos também imediatamente brindados com uma enxurrada de personagens cliché: a gorda, o solteirão jeitoso, a feminista lésbica, a Cinderela pobre e o pretendente asqueroso, entre outros.
Falta também referir uma misteriosa personagem que surge em voz-off, que se intitula de Mrs Whistledown, responsável pela publicação anónima de uma espécie de Revista Maria lá do sítio, ao estilo de Gossip Girl.
Retirando todos estes pontos, ficamos com um elenco e enredo fraquinhos, sem grande interesse e em que mais valia ter estado a ler um bom livro. Deixo aqui um vídeo que resume de forma clara a série e dispensa que percam tempo com ela:
quarta-feira, 6 de janeiro de 2021
António Variações. Entre Braga e Nova Iorque - Manuela Gonzaga
António Variações é uma das figuras mais misteriosas e mais marcantes da música portuguesa. A sua história está envolta numa espécie de misticismo e fascínio, que atravessa gerações e que não se ausenta. A sua voz característica e a sua imagem tão diferente de tudo o resto que existia, marcou o início da década de 80, do século XX. A sua carreira musical foi curta (mais ao menos 4 anos) e apenas foi interrompida pelo mal inevitável que é a morte. Era visto e tido como alguém que nasceu fora da sua época; um visionário.
O meu pai recorda frequentemente um dos seus últimos concertos, na Feira da Isabelinha, na aldeia de Viatodos, em Barcelos. Não gostou do retrato que fizeram dele no filme de 2019, Variações, de João Maia. Diz que o homem não era assim espampanante. Variações era um homem simples e modesto, mas com uma criatividade imensa, que forçosamente se mostrava na sua imagem.
O livro biográfico da autoria de Manuela Gonzaga, não é suficiente para desvendar o mistério que foi (e é) António Variações. Mas na verdade, acho que a culpa não é da autora. É simplesmente impossível desvendar Variações, ou António Joaquim Ribeiro (o seu nome real). Neste livro, ficamos a conhecer sobretudo os contextos em que o músico esteve inserido. A autora fala-nos sobre o Minho, sobre o mundo da música e dos artistas daquela época, sobre a Lisboa dos anos 80 e brinda-nos com algumas curiosidades acerca de António.
Num ano de Pandemia, onde as idas à minha terra natal, não se concretizaram com a frequência que desejava, ler sobre os costumes do meu rico Minho, serviram de conforto. E apesar de não me rever na obsessão pelos costumes religiosos, pelas romarias e pelo místico e inexplicável, não deixo de o relacionar com a figura de Variações. Descrito por vezes como um provinciano deslumbrado, não deixei de criar um paralelismo com a minha própria experiência e com a experiência de muitos dos minhotos, que trocaram a sua boa comida, aconchego caseiro e a cor verde deslumbrante, pelo ambiente da capital, em busca de um sonho, ou de melhores oportunidades.
É um livro que recomendo, mas que me desiludiu (à semelhança do filme) no objetivo concreto de desvendar António Variações. Talvez seja verdadeiramente impossível.
terça-feira, 5 de janeiro de 2021
2021!
2021, o ano mais esperado, por aparentemente representar o fim de um ano duro, será um ano com ainda mais desafios.
A chegada da vacina e o inicio da vacinação não é mais do que um momento simbólico de esperança. Mas não é de esperança que vive um português - ou deverei dizer, um europeu? - Não é de esperança que vive, quem perdeu o seu emprego, quem viu os seus projetos profissionais fracassarem, quem perdeu o direito às suas liberdades e o direito essencial ao contacto com a família e amigos.
No entanto, apesar de todas as contrariedades, 2020 foi um ano bom para mim. Em Março, consegui fazer uma viagem pré-Brexit ao Reino Unido, onde visitei Londres, Oxford, Bristol e Cardiff; Conheci sítios lindos no nosso país, onde explorei as Aldeias de Portugal e a Serra de São Mamede; Mudei-me com o meu parceiro do crime, em plena pandemia, para um apartamento acolhedor, algures em Sintra, onde temos passado grande parte dos fins de semana de clausura a jogar, a ler e a fazer experiências culinárias; cumpri com o meu objetivo de fazer um curso intensivo de Medicina Dentária Veterinária.
Antecipo um ano com inúmeros desafios, alguns deles autoimpostos. Passo à lista dos mesmos:
- Estar mais vezes com a minha família e com os meus amigos nortenhos;
- Manter-me motivada no trabalho, sem o trazer tantas vezes para casa, dentro da minha cabeça preocupada;
- Ler 20 livros (podem adicionar-me no Goodreads);
- Conseguir a disciplina necessária, para manter o Podcast e o Blog do Baú dos Livros ativo;
- Manter-me longe das redes sociais (so far, so good);
- Fazer um update no meu gadget diário chamado telemóvel, o que eventualmente pode complicar o ponto anterior;
- Entrar do mundo dos microinvestimentos;
- Apostar em mais formação na área de veterinária;
- Fazer uma viagem que envolva meter-me num avião;
- Atingir o meu objetivo monetário de poupanças;
Antecipo que os momentos que iremos passar em 2021 não vão ser fáceis. No entanto, mesmo com os múltiplos golpes que a minha geração tem amparado (crise de 2008, os anos seguintes da Troika, empregos precários, emigração dos jovens em massa, as vidas em suspenso...), somos capazes de uma coisa fundamental - adaptação. Os sonhos e os projetos não param. Se calhar planeamos menos e vivemos mais o momento, sem pensar tanto nas consequências, mas a vida é mesmo assim. Uma sucessão de acontecimentos imprevisíveis, aos quais nos temos de adaptar!
Bom Ano 2021!
sábado, 19 de dezembro de 2020
TAG - Certified Bookaholic (Escrito em 2015)
2) Um livro que dizes a todos para não ler - Todos os livros da escritora Margarida Rebelo Pinto. É que naqueles livros o assunto é mesmo só "Pinto". Em termos de conteúdo é "zero" e a própria personalidade da escritora revolta-me.
8) Uma personagem que trarias à vida real - Tyrion Lanister. Ele merecia!
10) Um livro que te fez chorar - Harry Potter e o Príncipe Misterioso, quando o Dumbledore morre...lembro-me que chorei. Sei que há mais que já me fizeram chorar, mas de momento não me lembro...
15) Um livro que te vez voltar uma página atrás devido ao choque - A Guerra dos Tronos! Sem dúvida!
17) Um livro com um final inesperado - "Em Parte Incerta" (Gone Girl) de Gillian Flynn...
18) Um livro que terminou num cliffhanger - Mais uma vez...Game of Thrones. Consegue sempre surpreender e deixar-nos a querer MAIS!
20) Uma citação importante - Adoro as citações de J.M. Berrie, autor de Peter Pan. Acho que passam todas uma mensagem positiva e é por isso que gosto delas:
sexta-feira, 11 de dezembro de 2020
Imogen Heap - Last Night Of An Empire
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
3 Podcasts (ou 5?) - Todos Diferentes, Todos interessantes
Os Podcasts são o novo canal Youtube da atualidade. Nos últimos dois anos tornou-se um formato que tem vindo a ganhar terreno e com a quarentena tive a impressão de que sofreu um ligeiro "boom" no seu público.
No meu caso, tudo começou com o "The Vet Vault", de dois colegas veterinários australianos, que falam dos vários desafios que a minha classe profissional enfrenta e das histórias que tornam cada percurso profissional único. Com ele fiquei a conhecer atividades ligadas à veterinária, que nem sabia existirem e percebi a dimensão de alguns transtornos emocionais que existem no nosso dia-à-dia, como o síndrome de impostor, ou a fadiga por compaixão. Percebi que há várias coisas e comportamentos que podemos adotar e ouvir as experiências dos convidados, foi um "abrir de olhos".
Depois, saí da área da veterinária e fiquei encantada com um extraordinário pequeno grande podcast, chamado "A Beleza das Pequenas Coisas", do jornalista Bernardo Mendonça. Neste Podcast, o jornalista entrevista várias figuras públicas e ficamos a conhecer melhor a sua essência humana. Durante inúmeras tarefas domésticas aborrecidas e viagens longas Porto-Lisboa/Lisboa-Porto, estes podcasts abriram a minha mente ao conhecimento e sabedoria dos outros. Consegui sair da minha bolha por uns momentos.
Hoje venho deixar mais três sugestões, que fazem parte do meu dia-a-dia e que me são uteis para aprender:
1) Vamos Todos Morrer - este Podcast, que também passa nas manhãs da Antena 3, tem como narrador o comediante Hugo van der Ding e mistura história e curiosidades com humor. Em cada dia, é abordada uma breve biografia e factos interessantes (ou não) acerca de uma personalidade marcante, que faleceu nesse dia, há alguns anos. A forma como os textos estão comicamente escritos, tornam a abordagem à história leve e cativante e pelo meio ainda nos arranca umas belas gargalhadas. Cada episódio tem em média 6 a 8 minutos e costumo ouvir ao final do dia, no regresso a casa. É uma boa forma de descomprimir depois de um dia de trabalho.
2) Eixo do Mal - este não é um verdadeiro Podcast, uma vez que é um programa que faz parte da programação da Sic Notícias. No entanto, confesso que não sou consumidora de televisão e acabo por seguir o programa todas as sextas-feiras em formato áudio. Este grupo de comentadores, de proveniências várias (mas todas privilegiadas) mantém-me informada acerca das palhaçadas que constituem a palhaçolância que é Portugal. Ouvindo o Eixo do Mal torna-se praticamente desnecessário ver as noticias. Eles são as notícias comentadas e já várias vezes me fizeram também rir, com as suas teorias e zangas.
3) O Resto é História - apresentado por João Miguel Tavares e explicado pelo historiador Rui Ramos, "O Resto é História" fala precisamente, de história. Surprise! Há vários meses que andava à procura de um Podcast que falasse sobre a história da humanidade. Encontrei este formato, em português e explicado de forma clara e simples. Aqui são abordados vários episódios da história portuguesa e mundial, que sem dúvida nos dão uma visão daquilo em que nos tornamos e de como a natureza humana é, quase sempre, na sua essência, imutável.
O mundo dos Podcasts está em expansão. Há imensa coisa nas plataformas disponíveis. Estes são alguns exemplos do que me mantém sã em tempo de Pandemia. À semelhança dos livros, são janelas para o mundo exterior e agradeço a todos os criadores de conteúdos, por prestarem este serviço à humanidade!
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
A Arte e o Ser Humano
sexta-feira, 13 de novembro de 2020
"Dentro do Segredo" - José Luís Peixoto
Há uns meses atrás, no Podcast de Bernardo Mendonça, "A Beleza das Pequenas Coisas", ouvi a entrevista do escritor José Luís Peixoto. O seu nome não me era de todo desconhecido e não o será, para todos os que acompanham a esfera literária portuguesa (além disso, a cadelinha dele costuma frequentar o meu local de trabalho *FunFact!*). Na altura fiquei fascinada e muito curiosa com as histórias que contou acerca desse mundo secreto que é a Coreia do Norte e de como, já por duas vezes, tinha estado nesse país.
Este ano, na minha segunda ida à Feira do Livro de Lisboa, desta vez em contexto apocalítico, trouxe um exemplar de "Dentro do Segredo". Mergulhei imediatamente na sua leitura e fiquei realmente surpreendida pela positiva.
Ainda não explorei a narrativa ficcional de José Luís Peixoto, mas "Dentro do Segredo", escrito na primeira pessoa, apresenta uma linguagem sem grandes floreados. A escrita é simples, mas cativante e desde a primeira página fiquei rendida.
Há alguma coisa nele que me faz lembrar a forma como Murakami escreve, ou talvez fosse a solidão de um homem associada a estar num país ditatorial, como a Coreia do Norte. As personagens principais de Murakami tem também esse sentimento persistente de solidão. Em Dentro do Segredo, tive sempre a sensação de que José Luís Peixoto estava completamente só, num mundo completamente à parte. Porque a Coreia do Norte está realmente, completamente à parte.
O levantar da cortina, para um povo tão enigmático foi fascinante. Perceber alguns dos costumes, as suas dificuldades e misérias e a forma obsessiva como tudo é político e tudo são regras e protocolos torna-se a certa altura asfixiante. O Líder é Deus. Por mais que tente comparar esta com as outras ditaduras, como a que fez parte da nossa própria história, ou como as ditaduras sul americanas, não encontro pontes. A Coreia do Norte de José Luís Peixoto, assemelha-lhe mais a um universo distópico, incomparável.
Estou habituada a ler histórias sobre personagens que descortinam as injustiças e crimes e que se insurgem contra ditadores. Estou habituada a estar num dos extremos do segredo. Estar simplesmente Dentro do Segredo, sem fazer juízos ou tomar partidos, é difícil e solitário, mas de certa forma este livro consegue isso.
Quando terminei esta leitura, não pude deixar de me perguntar o que se esconde por detrás do aparente respeito e veneração do povo coreano pelo seu Líder. Onde estão as almas rebeldes? Haveria alguma réstia de espírito rebelde na guia turística, que acompanhava o grupo de turistas desta história?
Para meu próprio conforto, gosto de acreditar que sim.
sábado, 7 de novembro de 2020
Goodbye Facebook
domingo, 1 de novembro de 2020
O Estado das Coisas - uma carta aberta ao Estado português.
Exmos Srs e Sras,
Desde Março deste ano que o mantra na comunicação social e do vosso discurso se repete - a pandemia é grave e é perigosa; protejam-se! Este mantra vende bem durante uns tempos e serve para esconder e justificar muitas ações, mas depois de 6 meses, sem resultados positivos, precisa de uma reformulação.
Ninguém se consegue proteger de uma pandemia apenas com máscara, gelinho e bom senso, se o Estado/vocês não tomarem medidas à séria. Não falo de medidas como as atuais - fechar concelhos, limitar o número de pessoas na rua e em casa, limitar os horários dos estabelecimentos, etc etc. Essas medidas apenas vão adensar o problema social que se está a descontrolar - o desemprego vai aumentar (mais), os donos dos estabelecimentos vão-se endividar (mais) e toda a gente vai ficar mais pobre, mais sozinha e mais infeliz. Além disso, todos sabemos que os portugueses são peritos em contornar regras, pelo que os nossos agentes da autoridade vão ter de se esforçar mesmo muito, ou começar a assobiar para o lado, como aconteceu na observação das ondas na Nazaré.
A vida tem de continuar e o medo não pode ser a base de uma sociedade. É aqui que deveria entrar a vossa ação em conjunto com a dos media - todos os dias os portugueses deveriam ser informados de como o sistema nacional de saúde (SNS) está a ser reorganizado e reforçado e de como isso é a prioridade. Devíamos ser informados do que está a ser feito para diminuir a densidade populacional dos transportes públicos e quais as estratégias para combater o crescente desemprego. Nenhum português deveria precisar de se preocupar com a negligência face ao controlo das suas patologias crónicas, do comprometimento dos atos de medicina preventiva, ou do adiamento de procedimentos cirúrgicos, pelos quais esperaram meses. Nenhum português deveria ter de se preocupar com o que fazer, caso o infantário, ou a escola dos seus filhos encerre e deixe de haver quem fique com eles.
Mas os Exmos senhores não falam de soluções concretas. Falam do vírus e falam com medo. Seguem os passos do resto da União Europeia, que se recusa a ter a coragem necessária para fazer reformas sociais JÁ! Tudo é lento, burocrático e pandémico.
Infelizmente a história é cíclica. No final de tudo isto, quando perderem as próximas eleições legislativas, e os partidos populistas e extremistas ganharem uma maior representatividade no parlamento, espero que saibam que foi por culpa da vossa inércia e cobardia para seguir um caminho diferente dos restantes países do mundo Ocidental.
Atenciosamente,
Luisa Alves
terça-feira, 1 de setembro de 2020
"Becoming - A Minha História" - Michelle Obama
Apesar de ser apenas por acaso, a curiosidade para ler a autobiografia da Michelle Obama existia. O contexto político que caracteriza a actual América é no mínimo estranho e no máximo inacreditável. Tinha curiosidade em saber como é que se passava dos Obama para os Trump. O que correu mal?
Claro que a leitura de Becoming não me ajudou a compreender os acontecimentos que aqui conduziram. Para isso era preciso um conhecimento bem mais profundo do mundo americano, da sua história (curta, mas rica) e dos meandros do mundo da política. Isso está longe de me assistir.
Acabei por ler esta autobiografia não para compreender, mas para desfrutar. Optei por ler a versão inglesa original, que está bem escrita, é simples e cativante.
É na primeira pessoa que ficamos a conhecer o contexto em que a 44ª primeira-dama americana cresce, os obstáculos que a sua geração enfrenta e as pessoas que a marcam. Só a meio do livro é que o nome Obama surge pela primeira vez, como o homem charmoso, que chega para ser o estagiário de Michelle, numa conceituada firma de advogados....marota!
Mas desenganem-se. Este não é de todo um livro sobre Barack Obama. É um livro sobre uma grande mulher, com uma identidade muito única, forte e simultaneamente frágil. Uma mulher que como todas nós, vive confrontada com escolhas difíceis e contraditórias, que muitas vezes ameaçam a sua verdadeira identidade.
Este livro deu-me uma perspectiva interessante não só acerca dos bastidores da casa branca e da política americana, mas também da sociedade americana e dos preconceitos que a minam. Talvez sejam esses mesmos preconceitos que nos conduziram até ao dia de hoje. Baseado no que li neste testemunho, acredito que os Obama tenham realmente tentado. As pessoas são simplesmente impacientes e os interesses dos mais ricos são difíceis de ultrapassar.
sexta-feira, 21 de agosto de 2020
O "Efeito Pandemia" na Veterinária
Nunca na história da humanidade existiu um momento em que o mundo inteiro falou de um só assunto - da Pandemia COVID-19. Os seres humanos uniram-se contra a falta de descriminação da doença. Ela mata ricos e pobres; brancos e pretos; velhos e novos. Não escolhe quem infecta. O medo falou alto e toda a gente se fechou em casa. As ruas ficaram desertas. As clínicas veterinárias encheram.
Durante estes últimos tempos mantive-me em silêncio, não porque não tivesse o que dizer (toda a gente adora opinar), mas porque o "efeito pandemia" assolou de forma drástica o meu dia-à-dia e o de muitos colegas veterinários e profissionais da área.
Os últimos quatro meses foram literalmente o sonho e o pesadelo de todos os veterinários - de repente os animais estavam todos a precisar de assistência médica. Alguns já estavam doentes há meses, em sofrimentos ignorado pelos seus "cuidadosos" donos; outros precisavam apenas de uma desculpa para sair de casa, como cortar unhas curtas, ou colocar a vacina da Raiva em dia, quando o prazo já tinha caducado há mais de 5 anos atrás. Tudo era urgente e nada podia esperar para depois da quarentena.
Foi preciso controlar as pessoas. A Ordem dos Médicos Veterinários de Portugal implementou algumas directrizes, começando, por exemplo, por desautorizar o atendimento de cuidados de saúde não urgentes. Todos passamos a trabalhar por marcação e os donos começaram a ficar à porta da clínica. A nossa indumentária mudou. Parecíamos uns astronautas e as nossas mãos secaram de tanto pó talco de luva e álcool. As equipas foram divididas e isoladas e as clínicas que não tinham pessoal suficiente tiveram de reduzir o seu horário, ou mesmo de fechar; os veterinários que trabalhavam em serviço domiciliário viram os seus serviços suspensos, ou criticados pelos colegas.
As dúvidas surgiram - o que era urgente e o que não era? Um corte de unhas podia ser considerado urgente, se na sua ausência as unhas revirassem e magoassem a pele do animal; uma vacina era essencial, se implicasse a protecção do animal e do seu dono, principalmente no caso das doenças transmissíveis aos humanos. O conceito de urgência era variável de clínica, para clínica. Surgiram acusações e guerras entre colegas veterinários. Nem dentro da nossa classe a solidariedade humana prevaleceu. Os tutores migraram para outras clínicas, mediante a disponibilidade das mesmas (ou não) para atenderem os seus caprichos. A Ordem remeteu para a direcção clínica de cada espaço a decisão de continuar a vacinar. Houve quem temesse a ocorrência de surtos de Parvovirose, Esgana, ou Leptospirose. Para muitos da nossa comunidade não fazia sentido suspender cuidados de profilaxia por tempo indeterminado.
Lentamente e com grande poder de adaptação, os veterinários por todo o mundo, foram-se moldando às novas regras. As consultas demoravam o dobro do tempo, porque não havia um tutor para ajudar a segurar do patudo em cima da mesa, ou para o acalmar. Os telefones não paravam de tocar, a uma velocidade que, com a diminuição das equipas, era impossível de dar resposta. Foram-se adaptando também ao grau de maluquice dos tutores, que dadas as circunstâncias sociais (penso eu), muitas vezes demonstravam falta de paciência, compreensão, bom senso, ou mesmo educação.
Era tão bom que a Pandemia realmente aproximasse os seres humanos e os tornasse solidários, mas cedo se percebeu que isso era uma ideia inocente e cor de rosa, que os media queriam que comêssemos. No geral, os seres humanos continuaram e pioraram os seus comportamentos habituais de egoísmo.
Quando a quarentena terminou e as restrições começaram a ser aliviadas, recebemos a segunda vaga de loucura - a taxa de adopções/compra de animais disparou durante o confinamento e todos os bebés apareceram para iniciar as vacinações. Quem não ama bebés? Também nesta fase, todos os cuidados de saúde pendentes, como castrações, vacinações não prioritárias, desparasitações, etc etc, começaram a ser colocadas em dia. A loucura de trabalho continuou.
Estamos em Portugal, em Agosto de 2020, e as coisas começaram a acalmar. Depois de semanas a sair 30 a 45 minutos depois da minha hora, estou finalmente a conseguir processar a loucura destes tempos. Admiro-me como nunca tive medo da doença e começo a achar que foi simplesmente porque não havia tempo para ter medo. Os meus colegas e os animais precisavam de mim.
Esta não é uma publicação de lamento; pelo contrário. É a prova concreta de que, apesar de muitos momentos de dúvida, que acredito que muitos colegas veterinários sintam ao longo da sua carreira, a nossa profissão é das mais maravilhosas e gratificantes do mundo. Em momentos atípicos da história da humanidade, em que muita coisa pára, as nossas ferramentas intelectuais e práticas, permitem-nos continuar a oferecer uma ajuda valiosa às pessoas e à sociedade. Mesmo que estas não reconheçam o nosso valor, no final do dia o nosso foco deverá ser sempre o bem estar dos animais que assistimos e a nossa consciência deverá sentir-se tranquila.
sexta-feira, 24 de abril de 2020
Cancro em animais de companhia - Existe!
No entanto, na maior parte dos casos, a quimioterapia não tem esses efeitos secundários nos nossos animais e pode realmente ser a diferença entre salvar, ou não o nosso querido amigo. A parte mais difícil é realmente ter toda a família a bordo, com uma decisão informada e consciente e, acima de tudo, com expectativas realistas.
sábado, 11 de abril de 2020
Cadernos de Lanzarote vol. I e vol. II - José Saramago
Nestes cadernos podemos encontrar de tudo um pouco. Desde breves descrições da vida familiar de Saramago, até críticas literárias, ou algumas passagens de cartas enviadas ao autor. Há também uma série de comentários, ou reparos, mais ao menos sarcásticos em relação a personagens com as quais Saramago não alinhava o seu chackra. Esses comentários conseguiram arrancar-me um, ou outro sorriso, mas possivelmente só funciona, se vocês forem de esquerda, ou não gostarem de "múmias". Para quem gosta de Saramago, os Cadernos são uma estreita, ainda que fascinante janela, para a sua mente. Recomendo para qualquer fã, ou mesmo para aqueles que simplesmente querem compreender melhor o homem.
terça-feira, 7 de abril de 2020
Passatempo "Dia Mundial da Terra - 22 de Abril (National Geographic)"
BOA SORTE!
segunda-feira, 6 de abril de 2020
Oxalá Acordem!
sábado, 15 de fevereiro de 2020
Casa em Portugal?
Um pouco por todo o país, os preços das rendas duplicaram e, em alguns casos, triplicaram. A comunicação social parece apenas acordar para este problema no início do ano lectivo. Presumo que seja, quando finalmente algum iluminado da direcção de informação se vê aflito para conseguir arrendar um quarto para o filho, ou para a prima do filho.
A verdade é que o problema da habitação está a tomar proporções ridículas e que se prolongam por todo o ano. É um problema que afecta não só professores e estudantes, mas todas as áreas profissionais (ou quase todas), que não tenham apoio do estado.
Há 6 meses atrás, quando me mudei para os arredores de Oeiras, aluguei um quarto, com água e eletricidade incluídas, por 320€/mês. A casa onde o meu quarto está inserido, tem mais 3 quartos ocupados. Pessoas que eu não conheço, que se cruzam comigo à hora de jantar e, ocasionalmente ao fim de semana. Somos educados uns com os outros, mas é tudo muito impessoal e distante. É uma casa R/c, velha, com humidade, com um único WC e já tivemos a visita de um rato. Porquê que estou aqui? Passo a explicar: antes deste quarto visitei mais três. Nenhum deles me oferecia contrato. Todos eles tinham regras mesquinhas: apenas aceitam trabalhadores de fora do distrito; não podem receber visitas sem autorização; animais de estimação estão interditos; a caixa de correio é exclusiva do senhorio; etc. Todos eles exigiam rendas a rondar os 300 euros/mês.
Como eu, centenas de pessoas vivem assim e centenas de pessoas pagam mais de metade do seu ordenado para poderem ter um sitio onde se possam sentir em casa. Enquanto deambulo pelos grupos de Facebook de procura de casa, vejo cenas de xenofobia, racismo e descriminação diária. Vejo mães solteiras à procura de quartos, porque não conseguem pagar imóveis completos. Pergunto-me como será crescer assim...num quarto, numa casa cheia de estranhos.
Actualmente, um T1-T2 nos arredores de Lisboa, com condições aceitáveis, ronda os 700€ mês. Como é que alguém solteiro (ou divorciado) pode suportar algo assim? Falamos de liberdade frequentemente, e eu pergunto: qual liberdade? Vivo com a sensação de que o estado português quer condicionar as minhas escolhas de vida, não me oferecendo opção e forçando-me a seguir a via mais óbvia - um crédito habitação!
E isto leva-me a afirmar o óbvio: não interessa aos políticos falar dos preços do mercado de arrendamento, ou da carga fiscal alta a que os arrendatários estão sujeitos (28% da renda + IMI); interessa sim, que o povo se veja obrigado a ver na compra de um imóvel a solução para a impossibilidade de arrendarem um espaço decente por um valor justo. O crédito habitação vai mantendo a banca feliz - Banca feliz = Políticos felizes.
PS - Se souberem de algum T0, T1, ou T2 (Oeiras, Cascais, Odivelas, Sintra, Amadora), como um preço razoável e que passe contrato, por favor digam! XD

















