sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Veterinária e Podcasts

Passou um mês desde que vim trabalhar para Oeiras e esta é a minha primeira semana de urgência. Pensei mesmo que nunca mais ia ter de estar à chamada. É das coisas que menos gosto na veterinária.

Apesar disso, tem tudo corrido bem. Se há coisa que aprendi nos últimos anos é que devemos ser prudentes, quando formamos uma opinião. Principalmente no início, é tudo positivo e cor de rosa (um pouco como as relações). Mas a verdade é que estou novamente entusiasmada com a veterinária. Tenho recordado e aplicado muitos conceitos e sinto que finalmente estou novamente "no jogo". 

Tenho aproveitado as horas de almoço para ouvir Podcasts sobre a área e isso ajuda na motivação. Percebo que as minhas dificuldades não são apenas minhas, mas são transcendentes a uma grande parte dos veterinários espalhados pelo globo. Os Podcasts são também excelentes, para conhecermos o trabalho de colegas de todo o mundo e aprender com as suas experiências. Também podem ser úteis, para quem esteja a ponderar escolher veterinária como área profissional. 

Deixo aqui o nome de dois desses programas:

The Vet Vault 
Blunt Dissection

Para ouvirem, bastan instalar a aplicação Google Podcasts e subscrever.

sábado, 7 de setembro de 2019

6 Passos para ser uma Influencer no Instagram!

Ainda não contei aqui o episódio em que decidi ser uma influencer no Instagram. Após 9 meses, tem sido uma caminhada que me conduziu a este momento na minha vida.

Tudo começou, quando ainda vivia em Guimarães e a minha vida era um tédio. Estava tão entediada que a ideia surgiu como que vinda do céu. Senti-me iluminada: vou ser uma estrela no Instagram! Heis o plano que elaborei e que resultou:

1º Passo: QUE TIPO DE INFLUENCER SER  - Como no mundo das Barbies, existem milhentas opões: A modelo, a viajante, a profissional, a cozinheira, a artista, a leitora, a fotografa, a condutora de drone, etc etc. No meu caso ,decidi que ia ser do tipo fotografa e exploradora. Precisava de fotos lindas da natureza e das minhas imensas viagens. Se conseguissem atingir o sucesso dos 500 likes em 5 minutos. Os hotéis, iriam patrocinar as minhas viagens. Quem sabe até se a National Geographic não me contrataria...já esteve mais longe.

2º Passo: APAGAR TODAS AS FOTOS PESSOAIS E SELFIES - Isto é importante! Excepto se vocês forem uma gaja boa. Nesse caso, mostrem as mamas e as nádegas, mas com filtros! Não querem ser só parolas, tem que ser sexys, mas só qb. Vendam bem esse corpinho. Valorizem-no com edição de contraste e shadow.  

3º Passo: ELIMINAR TODOS OS FOLLOWS DE CARIDADE - Sim, se vocês querem ser influencers, não podem seguir mais pessoas do que aquelas que vos seguem. É matemática básica. Por isso, toca a eliminar as sogras, o tio em quinto grau e a senhora com quem se cruzam todos os dias no autocarro e que tira selfies com o seu café delta no WC. Não mintam a vocês mesmos. Vocês só os seguem porque tem pena. 

4º Passo: SEGUIR E DE SEGUIDA DEIXAR DE SEGUIR A LISTA DE AMIGOS DOS VOSSOS AMIGOS E/OU NAMORADOS - Cuidado...este passo pode levar a discussão e até fins de relacionamento. Calmamente expliquem-lhes que não é nada pessoal. Vocês não são namoradas, ou amigas psicóticas. Vocês nãos querem saber da vida das ex-namoradas, ou do patrão do vosso namorado, vocês tem um objectivo: ganharem seguidores! Vocês não querem saber do vossos amigos, ou namorados. Vocês querem: ser influencers!

5º Passo: SELECCIONAR O QUE PUBLICAR - Não interessa quantidade de posts. Interessa a qualidade. Acham que alguém quer ver uma foto do pôr do sol na Póvoa de Varzim?! Não! As pessoas querem o pôr do sol em Cabo Verde! Seleccionar é a chave!

6º Passo: ESCREVER UM POST NO BLOG PARA QUE AS PESSOAS SIGAM O VOSSO INSTAGRAM COM A PROMESSA DE QUE SEGUEM DE VOLTA, OU NÃO - Uma palavra amigos - auto-promoção! Aqui está o meu nome no Instagram - @intermitenciasdalu Sigam-me! 

(PS - há partes neste texto que são ironia e não devem ser levadas muito a sério. A ironia escrita é difícil de entender. Mil perdões.)

Bem-vinda a Porto Salvo - terra das drogas!

Bem-vinda a Porto Salvo, Luisa! Literalmente a terra das drogas. Isto porque é aqui que empresas farmacêuticas, como por exemplo a Pfizer e a Novartis, tem as suas sedes. É engraçado como vim parar à terra onde a minha pílula contraceptiva é produzida. Poderia isto ser mais feminista?! #revolution #feminism #whocares?

Esta primeira semana foi produtiva. Não tinha uma semana assim desde...há muito. Quando estamos num trabalho que nos desmotiva, tudo o resto acaba por ser afectado. Afinal de contas, é no espaço de trabalho que passamos a maior parte do nosso tempo. Isso faz-me concluir que eu (e possivelmente toda a gente no planeta) nasci para não fazer nada. Quando não faço nada duas coisas acontecem: não faço nada, ou faço mais do que tudo o que fiz num ano.  

Tenho passado grande parte do meu tempo a estudar para o exame de dermatologia veterinária do colégio europeu (ui! que fancy!), ou a fingir que estudo, nos intervalos de tempo em que faço coisas interessantes. Ou será ao contrário? Estive a tentar organizar o meu espaço e a tornar a casa, que é habitada maioritariamente por homens, num espaço ligeiramente mais organizado. Finalmente realizei o meu sonho de ter um mini jardim de ervas aromáticas e nunca a minha vida social foi tão activa. 

Ontem dei por mim num evento de jogos de tabuleiro. Eu, que supostamente não aprecio muito jogos desse tipo (excepto monopólio e trivial persuit), fui a um evento de jogos de tabuleiro e gostei!? 

No meio disto tudo onde andam os livros, perguntam vocês? Pois, não andam. Ou melhor...vão andando. Terminei algumas leituras de que gostei: "Big Little Lies" da Liane Moriarty e os "Cadernos de Lanzarote I e II" do Saramago foram as leituras de destaque nos últimos três meses, mas tenho andado mais dedicada a séries televisivas. Fiquei fascinada com a última temporada de The Handmaid's Tale, com Mindhunters e, mais recentemente, com a série "Camping" da HBO e a comédia "Gameface". Em breve faço um post sobre estas séries.  

Este blog está a tornar-se cada vez mais uma espécie de diário, mas no fundo essa era a ideia original dos blogs...I guess.




quinta-feira, 29 de agosto de 2019

O inicio de uma nova aventura!

Hoje é o primeiro dia de uma nova aventura. Talvez uma aventura um pouco louca. Precipitada, alguns dirão... mas, ainda assim uma aventura. E há quanto tempo eu ansiava por uma!

Lembro-me de há uns tempos atrás dizer que detestaria viver em dois sítios de Portugal: na Trofa, ou em Lisboa; o barulho, a quantidade infernal de gente, os cheiros (que muitas vezes não cheiram "bem"...), a sensação de sufoco e falta de espaço; a vida numa capital. A minha nova vida.

Mais ao menos, porque na verdade mudei-me para Oeiras e não para Lisboa. Para mim, mulher do norte, é tudo o mesmo. Mas a verdade é que deixando de parte o preconceito nortenho não é. Aqui não existem tantos turistas, as pessoas vivem sossegadamente com as suas famílias, respiram o mar, passeiam na serra de Sintra, relaxam e não é tudo tão a correr. 

É engraçada a vida. Como idealizamos e planeamos todos os momentos que fazem parte dela, muitas vezes ao pormenor, e acabamos em sítios que não esperávamos de todo!

A parte mais difícil de migrar é sem dúvida deixar as pessoas que nos são próximas,. No meu caso a minha família e os meus animais de estimação seniores. Mas este ano aprendi que a distância existe na nossa cabeça e é sempre uma desculpa, ou relativa. Além disso hoje é raro o filho, ou a filha, que não migra ou emigra. 

Já vivi em muitos locais diferentes. Mais lugares do que muita gente neste mundo. Nasci e cresci numa bela aldeia de Barcelos; em Famalicão passei a adolescência; estive um ano no Porto; vivi cinco em Vila Real; morei 3 meses na Escócia; passei um ano e meio em Guimarães. Agora estou em Oeiras. Não foram lugares exóticos (à excepção da Escócia...que é sem dúvida um lugar exótico...os homens usam saia), mas todos eles me ensinaram lições importantes e me trouxeram amizades, algumas delas que ficaram para a vida. 

Não sei se será em Oeiras que encontrarei o meu lugar, mas para já, neste quarto cheio de sonhos, gosto de pensar que sim. 

terça-feira, 18 de junho de 2019

Entrevista da revista Sábado a Nádia Piazza - um breve comentário.

Hoje acordei e abracei o velho hábito de fazer scroll nas redes sociais. Dei por mim a ler uma entrevista da revista Sábado a Nádia Piazza, mãe de uma das crianças que faleceu nos grandes fogos de Pedrogão, em 2017. 

Não pude deixar de pensar que num momento de extrema dor, as pessoas agarram-se ao que podem. A senhora não ficou parada e juntamente com outras vítimas e familiares das mesmas, criou a Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande. 

Gostei particularmente da parte em que diz:

"A nossa associação não é uma associação que uma sociedade civilizada queira ter, é a prova da falência do Estado. No dia em que tivermos o controlo de fogos e as pessoas estiverem sensibilizadas, deixamos de ter missão. O nosso sucesso é que nos possamos extinguir."

Depois de ler a entrevista fiquei com a ideia de que esta mulher é forte e cheia de pro-actividade, mas que se engana a ela mesma (ou quer enganar-nos a nós), quando refere que é apartidária e que não gosta de partidos. Logo depois mostra claramente antipatia pelo PCP (porque não contactou a associação...talvez os únicos que não quiseram entrar no jogo da hipocrisia à custa de tragédias) e enaltece a simpatia de Assunção Cristas...uma mulher que poderia ter feito alguma coisa pelo ordenamento do território e desenvolvimento do interior, quando ocupou o cargo de ministra da agricultura e do mar...e nada de bom fez, pelo contrário, liberalizou a utilização dos eucaliptos. Não é irónico? 

Infelizmente o nosso país funciona à base de tachos e panelas e os maiores fazedores desses "ricos objectos" são, precisamente, os partidos e os seus respectivos membros. Nesses meios ninguém faz alguma coisa pela bondade do acto. Há sempre segundas intenções. 

Se realmente o importante é mudar alto estrutural, essa mudança tem de começar da base. O governo é e será sempre apenas o reflexo de um povo e da sua forma de pensar/agir. Quer se vote, ou não (porque o não votar também é uma forma de voto), os problemas vão prevalecer, enquanto as mentalidades prevalecerem. 

Acho que mais do que mudar os partidos e falar em comícios, seria importante mudar as pessoas, para que consequentemente os partidos mudassem. As pessoas estão literalmente cagando-se para o ordenamento do território e para o desenvolvimento do interior e é preciso educa-las, para que os partidos tenham necessidade de dar a atenção devida a esses temas.  








sexta-feira, 14 de junho de 2019

"Not That Kind of Girl", Lena Dunham

Para quem não sabe a Lena Dunham, é a autora e actriz da série televisiva Girls, da HBO. Tem actualmente 33 anos e esta espécie de autobiografia foi escrita em 2015, quando ela ainda nem 30 anos tinha. Não é qualquer pessoa que tem a lata de almejar escrever um livro de memórias, com esta idade. Isto diz muito sobre Lena. 

É interessante ler as opiniões acerca deste livro no Goodreads. A maior parte dos leitores odeia o livro, porque odeiam a miúda. É compreensível. A Lena parece ser aquele tipo de rapariga privilegiada, filha de artistas, que cedo consegue atingir o topo - ter a sua própria série de televisão aos 25 anos de idade na HBO. 

O sucesso precoce causa comichão a muito boa gente. Aliado a isso, não vou fingir que a miúda não é um pouco narcisista, aquela amiga que por vezes é chata e, como dizem os americanos, um pouco "Self-involved"... mas uma coisa ela tem razão - ela representa uma geração - a geração "Self-involved". Porque sejamos francos...quem não é um pouco egoísta e narcisista nos dias de hoje? Vivemos num mundo onde se promove o culto do eu a toda a hora: é instagram, é a meditação, é a terapia para o auto conhecimento, é o ginásio e os batidos paleo...a constante luta por um eu melhor. EU EU EU...

Este livro conta com uma série de episódios da vida de Lena. Desde a estranha relação com o seu corpo, até ao modo como a ansiedade sempre fez parte da sua mente, até aos episódios sexuais bizarros (mas realistas), ou as histórias relacionados com o mundo maioritariamente masculino de Hollywood.

É uma leitura muito fácil e, apesar de por vezes a rapariga ser irritante, conseguiu arrancar-me umas boas gargalhadas. Gostei sobretudo da falta de inibição e sinceridade com que Lena escreve. Percebe-se o quanto dela mesma está presenta na série televisiva e se gostaram de assistir à mesma, recomendo que leiam este livro. Vão gostar.