sábado, 26 de dezembro de 2015

Espero que...

...o vosso Natal tenha sido bom. Não desejei aqui Feliz Natal, porque tive preguiça e não me apeteceu. Desculpem. Mas espero que tenha corrido bem. 

Nem dei pelo meu passar. Recebi algumas prendinhas, entre elas um livro do Valter Hugo Mãe! Parece que já não pode haver desculpas, para não ler um novo autor português. 

Hoje sinto-me particularmente de mau humor. As hormonas tem destas coisas e o facto de mais uma vez ter quebrado a promessa a mim mesma de não comer bolos, também não ajuda. Shame on me!  

Sabem também o que me está a animar muito? O facto de fazer anos daqui a cinco dias. Sim, no maldito dia de 31 de Dezembro. Simplesmente não quero fazer anos! Estou farta de fazer anos nesse dia! Todos os anos dou por mim numa qualquer festa, onde não conheço mais de metade das pessoas e onde me cantam os parabéns à pressão, ou são informados clandestinamente que uma aniversariante estará lá. Não! Não! Não querooooo fazer anos! DEIXEM-ME EM PAZ! Eu só quero ter uma festa de passagem de ano em que eu não faça anos! Pode ser? Quero fazer anos só com as pessoas que me conhecem bem. E nunca posso, porque essas pessoas estão no cu do mundo, distribuídos por outras festas.  


É tão injusto! Também queria um dia só meu, em que tudo giraria em redor da minha pessoa! *atira-se para o chão a fazer birra*

E pronto....é isso. Realmente as hormonas são lixadas, ou então isto é a ressaca natalícia.  



 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

"The Graveyard Book", Neil Gaiman

Quem me conhece, sabe que tenho uma tara mórbida por cemitérios e tudo o que lhes diga respeito. Tenho curiosidade em ver como são, como estão organizados, qual o habitante mais antigo, histórias caricatas, etc etc. 

Não sei quando surgiu este fascínio; só sei que sempre existiu. As minhas primeiras recordações desses locais, surgem sob a forma, pouco precisa, de manhãs em que a minha avó paterna e as irmãs iam arranjar e limpar as campas dos nossos parentes. Eu andava por ali a fazer tempo, por entre as campas, tentando encontrar a campa mais antiga e os seus habitantes. Em adulta, sempre que tenho oportunidade de sair de Portugal, gosto de ver e comparar a forma como as pessoas encaram a morte e como o cemitério se torna o espelho dessa nação. (Para os curiosos, como eu, sugiro que visitem o cemitério do Miradouro de Vila Real. Não sei porquê, mas acho aquele lugar mesmo bonito!)

Tendo em atenção tudo isto, um livro chamado "O Livro do Cemitério" ( "The Graveyard Book"), de certeza que seria a primeira escolha, quando se quer experimentar Neil Gaiman. 

Nunca antes tinha ouvido falar de Gaiman, mas já tinha ouvido falar de uma das suas mais famosas obras "Coraline". Isto porque, há uns tempos (anos) atrás, vi o filme. Assim, foi graças a um Podcast que tenho andado a seguir (Books On The Nighstand, muito interessante...),
que descobri este autor.

"The Graveyard Book", narra a história de Bod, um rapazinho cuja família foi assassinada, quando este tinha cerca de dois anos. Bod, diminutivo de Nobody, conseguiu escapar ao massacre por pura sorte. Enquanto os seus pais e irmã mais velha eram assassinados, a criança saiu do seu berço e caminhou miraculosamente até a um cemitério, próximo da casa, onde foi adoptado por um casal de fantasmas, os Owen. 

Bod tornou-se num rapaz especial. Graças ao acordo entre todos os habitantes do cemitério, o rapaz estaria autorizado a ter livre circulação pelas campas e mausoléus. Protegido do mundo exterior por Silas, um ser especial, que ao contrário de todos os outros fantasmas daquele cemitério, consegui-a visitar o mundo exterior e satisfazer as necessidades de Bod, este vai crescendo. A sua curiosidade em relação ao que está para lá dos muros do cemitério vai aumentado, mas o homem que assassinou a sua família ainda o procura e Bod deve permanecer seguro. 

Adorei este livro pelo mundo fantasmagóricamente interessante, que o escritor conseguiu criar. Graças a um conjunto de pormenores, desde incluir os epitáfios de cada nova personagem, até a alterar a forma como falam, dependendo da época em que viveram, tudo contribui para criar um ambiente de magia mórbida único. 

Este é um daqueles livros que poderia perfeitamente ter dado origem a uma sequela. Existem algumas questões não ficaram muito claras, como por exemplo o facto de nunca sabermos porquê que a família de Bod foi escolhida para ser assassinada, ou a forma repentina como Scarlet é afastada de um final feliz. 

No fundo, penso que já existem sequelas e prequelas a mais neste mundo. Talvez o autor tenha tido o simples desejo de criar uma história única, com principio, meio e fim, ainda que rica em pormenores e pontos, que poderiam ter sido mais desenvolvidos.

Recomendo que leiam, principalmente se quiserem familiarizar-se com novos autores mais direccionados para um público juvenil. 



quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Passatempo "Ano Novo, Leituras Novas!"

Em conjunto com a escritora Camila Tapia e Avenir Passo, o Baú dos Livros tem o prazer de anunciar um novo Passatempo! Temos para sortear quatro exemplares de "Meu Passo, Seus Passos". Este livro, publicado no Brasil pela editora Alcance em 2013, conta com 50 poemas de cada um dos autores, criados entre 1997 e 2012.


Sobre os autores:

Avenir Passo de Oliveira é formado em Direito pela Universidade Gama Filho (UGF) do Rio de Janeiro; especialista em Direito Processual Civil pela Universidade Federal de Goiás (UFG); e doutor em Direito Empresarial pela Universidade de Extremadura (UEX), em Espanha. É autor de quatro livros jurídicos e de mais de vinte artigos publicados.

Avenir é membro fundador do Instituto de Direito Administrativo de Goiás (IDAG) e académico fundador e titular da cadeira 17 da Academia Goiana de Direito (ACAD), tendo sido vice-presidente desta durante seis anos. É Juiz de Direito da 3ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia, conferencista e professor universitário.
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Camila Tapia é jornalista formada em Comunicação Social – com habilitação em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), graduada em Letras pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

É autora do livro-reportagem “Goiânia Heavy Metal – A cena pesada da capital”, apresentado em 2010 como Trabalho de Conclusão de Curso da graduação em Jornalismo. Venceu os concursos de redacção Goiânia Na Ponta do Lápis (2003), Goiás na Ponta do Lápis (2003) e o Prémio Católica de Jornalismo (2007). Aos dez anos de idade, obteve o seu primeiro poema publicado. Continua a escrever, hoje e sempre.
  

Para celebrar os mais de 2000 exemplares vendidos, os autores decidiram brindar os leitores portugueses com a oportunidade de conhecerem o seu trabalho!
Serão escolhidos aleatoriamente, através  do site rafflecopter.com, quatro vencedores! O Passatempo terminará no dia 5 de Janeiro, para começarmos o Ano Novo com novas leituras! 
a Rafflecopter giveaway


Termos e Condições do Passatempo estão no widget "Rafflecopter" (em cima)!

Para quem quiser mais informações acerca de "Meu Passo, Seus Passos" e como podem adquiri-lo:

www.editoraalcance.com.br/loja
www.livrariasaraiva.com.br
www.livrariacultura.com.br

Email oficial - meupassoseuspassos@gmail.com
 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

"Assassin's Apprentice (Farseer Trilogy #1)", Robin Hobb

Há anos que este livro estava na minha lista para ler. Como acontece com todos os livros que por lá estão, fui adiando. Fiz mal.

"Assassin's Apprentice" (Aprendiz de Assassino, em tugalandês), é o primeiro volume de uma trilogia fantástica, criada por Robin Hobb, que afinal é uma mulher (assumi sempre que seria um homem...talvez por soar a Robin Hood). Robin Hobb é o pseudónimo de Margaret Astrid Lindholm Ogden e foi primeiramente publicado há já vinte anos, em 1996. 

A história, narrada na primeira pessoa, consiste numa espécie de autobiografia de Fitz, filho ilegítimo de Chivalry Farseer, príncipe herdeiro ao trono de um mundo fictício de características medievais.  

Com o estatuto de bastardo, cedo esta criança se vê confrontada com escolhas difíceis. Essas escolhas o seu destino; ser encarado como uma ferramenta útil ao rei, ou uma ameaça ao futuro do trono.  Simultaneamente, Fitz é portador de um talento especial, encarado por muitos como uma maldição terrível - a capacidade de estabelecer fortes laços com os animais "não racionais". 

Gostei da forma como este livro está escrito. Lê-se muito bem em inglês e as frases são bastante fluídas, com descrições que não se estendem para além do necessário. O enredo também é interessante e para isso contribui também a forma como as personagens estão construídas. 

Não se pode dizer que seja um livro que acrescentou muito à minha vida, mas é um daqueles que vale a pena ler e que me deixou curiosa por saber o que acontece nos volumes seguintes.  

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Novembro #Insta

 Campos verdes em todo o lado!

 Pretas e Castanhas!

 Party Cat.
 
 Ressaca Disneyland. Até a gata sofre.

Chá e Livros na pausa para almoço.

sábado, 5 de dezembro de 2015

"AVC do Amor", Luís Abreu

Há uns tempos atrás, mencionei que precisava de ler mais autores portugueses. Tive a sorte de um me bater à porta (ou ao email, como foi o caso). Foi assim que conheci Luís Abreu e a sua estreia no mundo da prosa, com "O AVC do Amor".

Nunca tendo ouvido falar do trabalho do Luís, fiquei de pé atrás. Isso acontece sempre, quando alguém me pede uma opinião, ou uma parceria. Não o faço porque tenho a mania que o meu Blog é melhor, ou porque sou ecléctica naquilo que leio; tenho os meus gostos literários e sair da minha zona de conforto causa-me sempre confusão. Além disso, confesso que tive receio de que "O AVC do Amor" fosse mais um daqueles livros em que o autor nos descreve a sua doença e como é horrível viver com ela.

Depois de ler o livro, sinto-me feliz por não ser nada desse género. Tenho apenas a dizer em minha defesa, que o título engana (apesar de ser um trocadilho engraçado).

Mesmo com a minha ideia erradamente preconcebida, resolvi dizer "sim". Tinha acabado de ler um artigo, que fazia referência ao facto de dizermos tantas vezes "não". Era altura de começar a dizer "sim" mais vezes. Senti que devia deixar de parte os meus receios e desconfortos e dar uma hipótese a pessoas novas e desconhecidas, de entrarem na minha vida e de lhe acrescentarem algo. Que é que eu tinha a perder? Nada! No máximo, ou ficava igual com a experiência, ou ficava melhor. 

Comecei a ler "O AVC do Amor" num dia em que acordei às seis da manhã, e não conseguia voltar a adormecer. Quando dei por ela, eram oito da manhã e eu ainda estava de pijama, com os animais por alimentar e a mochila por preparar. Todo este adiar de um dia de trabalho, porque fiquei imediatamente maravilhada com a forma tão simples e simultaneamente completa, com que o Luís Abreu escreve a história de Rodrigo.

Não se pode dizer que exista um enredo linear. Diria antes que este livro é composto por um emaranhado de recordações, de opiniões (algumas, bastante cómicas) e de algumas divagações sonhadoras, mas sempre com o seu quê de verdade. Gostei da forma como o texto está construído. Com frases curtas e simples, mas perfeitamente claras para quem as lê. 

Identifiquei-me, como se calhar muitos de vocês também se identificariam, com a visão do acto de amar que Rodrigo, personagem que foi vitima de um grave AVC, nos descreve - o louco e irrealista primeiro amor, e o amor estável e "saudável", que vem com a idade. Penso que o Luís conseguiu descrever esses tipos de amor com muita perfeição. 

Tenho apenas a apontar como pequeno defeito o facto de este livro acabar rápido. Queria mais! No último terço da história, parece que tudo se passa "à pressa" e temos um fim demasiado precoce e precipitado. Isso faz com que haja um contraste em termos de ritmo de leitura entre o resto do livro e o final, que pode incomodar o leitor mais sensível. 

Para terminar esta opinião, quero deixar claro que este não é um livro sobre um homem que teve um AVC. Este é um livro sobre um ser humano, que viveu, e vive com as suas limitações, como qualquer outra pessoa; adaptando-se e reaprendendo a viver. E não é isso que todos nós fazemos? Passamos a vida a reaprender. A diferença está não só na rapidez com que o fazemos e no modo como somos obrigados a fazê-lo, mas também no amor que nos rodeia e nos motiva a darmos mais de nós mesmos. 

Sabendo, que também o Luís sofre as sequelas de um grave AVC, no final não pude deixar de me perguntar, quanta desta narrativa correspondia à verdade. Depois deixei-me disso. Não porque perdi a curiosidade, mas antes porque percebi a estupidez da minha dúvida; cada livro tem a sua parte de verdade e ficção e todos resultam das experiências de cada escritor. Nada vem do vazio. Logo, devo encarar cada livro simultaneamente como sendo ficção e realidade. "O AVC do Amor" também me ensinou esta lição.

Obrigada Luís Abreu!