terça-feira, 7 de abril de 2020

Passatempo "Dia Mundial da Terra - 22 de Abril (National Geographic)"

Bom dia a todos! Espero que se encontrem bem e animados (dentro do possível).

No dia 22 de Abril comemora-se o Dia Mundial da Terra. Esta data foi criada pelo senador americano Gaylord Nelson, em 1970. Tinha como finalidade consciencializar a população para os problemas associados à poluição, conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientais para proteger o nosso querido planeta Terra

Num momento em que a nossa preocupação se prende com questões de saúde pública, que exigem uma resposta imediata e urgente, não podemos esquecer-nos dos problemas que podemos ainda evitar. Ainda vamos a tempo de mudar e de evitar situações como a que hoje vivemos. A pandemia veio colocar a descoberto a fragilidade do SNS do mundo ocidental. De que estamos à espera, para exigir que quem está no poder se preocupe antecipadamente com o futuro do Planeta Terra? Se agirmos preventivamente, não será preciso remediar.

Para não deixar esta data passar em branco, decidi sortear a edição deste mês da National Geographic (edição portuguesa). Esta é uma edição pouco comum. A revista vem dividida em duas partes inversas, como se fossem duas revistas diferentes; de um lado temos o olhar optimista para o futuro da Terra em 2070; do outro lado temos a visão pessimista. São duas perspectivas que acabam por se complementar e que são muito interessantes de ler, numa altura em que o nosso futura se afigura tão incerto. Podemos ter esperança? Sim, se fizermos por isso.



O passatempo começa hoje, dia 7 de Abril e termina no dia 22 de Abril, ás 00h. Para se habilitarem a ganhar, basta:

1) Seguir o Blog, usando a conta Google;
2)Fazer Gosto/Like da página de Facebook do Baú dos Livros.

Para sortear o vencedor, será utilizada a aplicação Rafflecopter. Os termos e condições podem ser consultadas também na aplicação (em baixo):

BOA SORTE!


a Rafflecopter giveaway

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Oxalá Acordem!


Saudações, caros leitores. Espero que a vossa quarentena esteja a correr bem, que se encontrem saudáveis e que a ansiedade não vos esteja a deixar paralisados de medo.

Medo. Essa sensação que anda a transformar a nossa vida. Caminhamos entre casa e trabalho (ou supermercado, para quem não pode trabalhar), sempre cabisbaixos, silenciosos e sem sorrisos. Sente-se o peso da preocupação em qualquer sítio que se vá. Os supermercados tentam manter-nos calmos. Ouvem-se músicas animadas, mas para onde quer que se olhe, vêem-se pessoas de máscara e/ou luvas. Algo não bate certo. Somos recordados do tempo estranho em que vivemos.

As minhas últimas semanas tem sido passadas entre a clínica e o meu quarto. Felizmente a casa onde estou tem jardim, e a minha cadelinha tem de ser passeada pelo menos duas vezes por dia. No meio desta confusão (por incrível que pareça), consegui finalmente arrendar um apartamento. Mudo-me em Maio. No entanto, não deixo de me sentir solidária com quem tem de partilhar casa com desconhecidos. Talvez seja uma oportunidade para criar amizades improváveis (e forçadas)?

A vida na clínica sofreu mudanças drásticas, como seria de esperar. O nosso trabalho foi reduzido apenas para o essencial e urgente e os tutores dos animais não entram na clínica. A recolha da história clínica é feita na rua, esteja sol, chuva, calor, ou frio. Nós equipados com máscara, luvas, óculos e bata, respeitando sempre a distância de segurança. No início estávamos receosos com a reacção das pessoas - “Será que vão achar que estamos a exagerar?” - Hoje, passadas duas semanas, há tutores que deixam a caixa transportadora com o seu gato à porta e fogem para dentro do carro.

Para quem é introvertido e não aprecia as interacções em consulta, isto é um sonho tornado realidade. Para mim fica tudo mais difícil. Nunca fui particularmente extrovertida (apesar de ser uma tagarela, com quem me sinto à vontade), mas a presença dos tutores é maioritariamente útil. É através das suas histórias e comentários, que conseguimos perceber alguns mistérios associados ao problema do animal. É através da comunicação, que conseguimos perceber o tipo de tutor que temos à frente e quais as suas expectativas. Mais do que ajudar o animal, acabamos por também ajudar as pessoas.

Outra coisa que temos tentado fazer é manter as pessoas em casa. Neste momento de ansiedade e impaciência, é incrível a quantidade de pessoas que liga para agendar cortes de unhas, banhos e tosquias. Obviamente, recusamos o serviço. Não é urgente. Estamos no meio da fase de mitigação e é importante que fiquem em casa e em segurança.

Apesar destas dificuldades, é importante manter a calma e contornar os obstáculos. Mais do que nunca, os médicos veterinários são necessários.

Ao escrever este pequeno comentário acerca dos nossos dias, não posso deixar de me sentir um pouco como uma personagem de um filme de ficção. Aquilo que aqui fica registado, no meio de tanta informação acerca da pandemia, é só mais um testemunho de um ponto de viragem histórico na sociedade ocidental. Isto é história. Depois disto, há muita coisa que não voltará a ser igual.

Oxalá que também venham coisas boas desta pandemia. Oxalá os nossos governantes deixem de ignorar os problemas que realmente interessam: a melhoria dos SNS, o investimento sério na educação e o não ignorar das questões ambientais que põem em risco o futuro do Mundo e dos seus habitantes. Os problemas não se podem ignorar, ou atirar para debaixo do tapete. O que acontece, quando se faz isso, é isto que agora estamos a viver.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Casa em Portugal?

Ser locatário/inquilino em Portugal não está fácil. Nos últimos 2 anos o panorama tem vindo a ficar negro, para quem não tem casa, nem tem possibilidades (ou vontade) de vir a ter. 

Um pouco por todo o país, os preços das rendas duplicaram e, em alguns casos, triplicaram. A comunicação social parece apenas acordar para este problema no início do ano lectivo. Presumo que seja, quando finalmente algum iluminado da direcção de informação se vê aflito para conseguir arrendar um quarto para o filho, ou para a prima do filho. 

A verdade é que o problema da habitação está a tomar proporções ridículas e que se prolongam por todo o ano. É um problema que afecta não só professores e estudantes, mas todas as áreas profissionais (ou quase todas), que não tenham apoio do estado.

Há 6 meses atrás, quando me mudei para os arredores de Oeiras, aluguei um quarto, com água e eletricidade incluídas, por 320€/mês. A casa onde o meu quarto está inserido, tem mais 3 quartos ocupados. Pessoas que eu não conheço, que se cruzam comigo à hora de jantar e, ocasionalmente ao fim de semana. Somos educados uns com os outros, mas é tudo muito impessoal e distante. É uma casa R/c, velha, com humidade, com um único WC e já tivemos a visita de um rato. Porquê que estou aqui? Passo a explicar: antes deste quarto visitei mais três. Nenhum deles me oferecia contrato. Todos eles tinham regras mesquinhas: apenas aceitam trabalhadores de fora do distrito; não podem receber visitas sem autorização; animais de estimação estão interditos; a caixa de correio é exclusiva do senhorio; etc. Todos eles exigiam rendas a rondar os 300 euros/mês. 

Como eu, centenas de pessoas vivem assim e centenas de pessoas pagam mais de metade do seu ordenado para poderem ter um sitio onde se possam sentir em casa. Enquanto deambulo pelos grupos de Facebook de procura de casa, vejo cenas de xenofobia, racismo e descriminação diária. Vejo mães solteiras à procura de quartos, porque não conseguem pagar imóveis completos. Pergunto-me como será crescer assim...num quarto, numa casa cheia de estranhos. 



Actualmente, um T1-T2 nos arredores de Lisboa, com condições aceitáveis, ronda os 700€ mês. Como é que alguém solteiro (ou divorciado) pode suportar algo assim? Falamos de liberdade frequentemente, e eu pergunto: qual liberdade? Vivo com a sensação de que o estado português quer condicionar as minhas escolhas de vida, não me oferecendo opção e forçando-me a seguir a via mais óbvia - um crédito habitação!

E isto leva-me a afirmar o óbvio: não interessa aos políticos falar dos preços do mercado de arrendamento, ou da carga fiscal alta a que os arrendatários estão sujeitos (28% da renda + IMI); interessa sim, que o povo se veja obrigado a ver na compra de um imóvel a solução para a impossibilidade de arrendarem um espaço decente por um valor justo. O crédito habitação vai mantendo a banca feliz - Banca feliz = Políticos felizes.

O problema da habitação em Portugal não é simples. Embora eu continue a achar que deveria existir algum bom senso nas rendas praticadas, como em todos os negócios, sei que isso é uma mera utopia. A culpa não é realmente do senhorio, nem do agente imobiliário e definitivamente, a culpa não é de quem não quer, ou de quem não pode comprar casa. A culpa é do Estado. 

PS - Se souberem de algum T0, T1, ou T2 (Oeiras, Cascais, Odivelas, Sintra, Amadora), como um preço razoável e que passe contrato, por favor digam! XD

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Música é Poesia

Há um sitio onde eu vou, onde ninguém me conhece. Não é um sitio solitário, mas antes um lugar necessário. Um lugar inventado por mim, onde eu me descubro e reconstruo. As  noites são calmas e perco todo o sentido de tempo. Absorvo tudo o que consigo.

Descubro que toda a gente tem as suas razões e a sua forma de ser. Estamos simplesmente a absorver e a libertar o que do nosso dia-à-dia recolhemos. Se eu experimentar respirar bem devagar, expirando e inspirando, continuo a sentir-me um pouco assustada. Percebo que estou lentamente a morrer.

Ao mesmo tempo, este exercício é esclarecedor, porque descobrimos que começamos onde acabamos. Por isso, perco o receio. Fico pronta a levantar voo e a descobrir o mistério que é a vida.


Este texto foi adaptado da letra da música Catch & Release do cantor Matt Simons, uma das minhas músicas preferidas. Na verdade é uma tradução quase completa da canção, mas um exercício de reflexão engraçado, que me deu gosto fazer. A música é poesia.   


quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Comunicado pouco importante

Ultimamente tenho usado o espaço do Baú dos Livros para escrever uma espécie de diário público, onde falo de tudo menos de livros. Este é talvez o ano, em quase dez anos, em que li menos, mas aprendi mais. Estou grata por isso. Seria terrível se aos quase trinta anos só conseguisse falar sobre livros, ou só sobre veterinária. Felizmente, estou rodeada de pessoas que enriquecem o meu dia-à-dia, com vários temas e discussões produtivas. 

Escrevo estas linhas no seguimento de várias ideias que me tem assaltado nos últimos três meses...uma delas é o que continuar a fazer com este espaço... 

Ser blogger está oficialmente fora de moda. Agora o que está a dar é ser Youtuber, ou Instagramer, e estes espaços de leitura e discussão estão cada vez mais em desuso. Felizmente a minha inconstância e egoísmo digital (ou feitio anti-social) sempre impediu que o Baú se tornasse muito badalado; nunca gostei de comentar outros blogs para ter comentários de volta e rapidamente descobri que fazer passatempos sob a alçada de editoras, envolvia escrever criticas sempre positivas, ou não havia livro patrocinado em troca...nunca tive muito jeito para idolatrar, ou mesmo interagir com quem visita este cantinho.  

Estes defeitos trouxeram uma coisa boa: posso continuar a escrever sobre o que bem me apetecer e sem sentir obrigação para o fazer.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Os temas sensíveis da Veterinária

Faz em Dezembro deste ano 3 anos que exerço a profissão de médica veterinária, mais especificamente em clínica de pequenos animais (sobretudo cães e gatos). Neste últimos três anos aprendi imensas coisas técnicas, que infelizmente não nos ensinam na universidade, como, por exemplo, a fazer cirurgia. 

No entanto, há coisas que não são assim tão técnicas, e que também não nos ensinam na universidade, que dizem respeito à comunicação com os donos/pessoas, que também vamos aprendendo. 

Apesar de saber mais sobre como comunicar com pessoas, ainda tenho muito a aprender e sinto que a comunicação é uma enorme lacuna na nossa formação. O tema não é directamente abordado na universidade, não é abordado no secundário, e muito menos é abordado enquanto somos mais jovens. Mas devia.

Falando especificamente da área da veterinária, em que cada vez mais os animais são vistos como membros da família, torna-se ainda mais difícil dar as más noticias, convencer as pessoas de que tratamento xyz é necessário e porquê, dar orçamentos e misturar dinheiro com amor...ninguém nos prepara para isso, vamos aprendendo por tentativa e erro. É esse stress emocional que desgasta quem faz veterinária. Não são as horas que passamos de pé e muito menos os dias em que estamos em "prisão domiciliária", porque nos calhou ter o telefone de urgência nesse dia. O que desgasta são as emoções e as lacunas na nossa capacidade de comunicar bem.

Noutros países da Europa, como o Reino Unido, onde os veterinários recebem o triplo e são efectivamente vistos com melhores olhos (e não como aqueles gajos que trabalham exclusivamente por dinheiro...), já começam a existir organizações de apoio psicológico, que disponibilizam cursos de comunicação, de gestão de tempo e de valorização pessoal. 

Nestas últimas semanas resolvi procurar algum tipo de formação que me pudesse ajudar nesse sentido. Não encontrei mais do que uma pequena palestra que aconteceu há uns meses atrás em Lisboa e soube de um grupo de colegas responsáveis por um hospital veterinário, que contrataram uma psicóloga para apoiar os médicos, enfermeiros e auxiliares veterinários a lidarem com os seus problemas de comunicação. 

Este ultimo facto deixou-me esperançosa e as coisas talvez comecem a mudar aqui em Portugal, mas tudo acontece a um ritmo tão lento...entretanto vamos perdendo colegas para o flagelo do burnout, da depressão e em última instância, para o suicídio e nunca estes temas são mencionados nas nossas universidades...

A título de exemplo do que poderia ser alterado no ensino, conto o único episódio em que o tema da eutanásia poderia ter sido abordado na universidade de forma pratica e não foi: foi numa aula de medicina interna, em que podíamos acompanhar os médicos e assistir ás consultas do Hospital Veterinário da UTAD. Foi nos pedido que saíssemos do consultório, para a médica poder falar desse tema com a dona em privado. É perfeitamente compreensível, que fosse pedida privacidade, mas no final seguimos simplesmente para a consulta seguinte. O tema da eutanásia e da comunicação não foi minimamente explorado. Nunca tivemos simulações de conversas com proprietários, nunca nos ensinaram a dar as más notícias. 

Como é que aprendi? Nos estágios extra curriculares, que eu própria procurei. Mais do que acompanhar casos complexos, procurei sempre acompanhar as consultas. Vi imensas. Do meu cantinho, fui aprendendo quais as dúvidas mais comuns dos donos, como lidar socialmente com eles e com os seus animais, percebi as subtis diferenças entre o dono de gato e o dono de cão e observei muito. Tive sorte em encontrar e observar diferentes estilos de médicos. Fui muito bem recebida no ICBAS, onde deixavam os estagiários fazer os exames físicos de todas as consultas, e na Escócia onde encontrei muitos animais idosos, numa realidade completamente à frente da nossa. Depois, quando comecei, foi mais fácil sentir-me confortável na sala de consulta. Mas nem todos os meus colegas tiveram essa sorte. Nem todos tiveram a disponibilidade de estar 12 meses e ver os outros trabalharem e nem todos foram bem recebidos nos locais onde estagiaram. A maior parte saiu da universidade depois de 3 meses de estágio e foram literalmente atirados aos lobos. Tiveram de saber tudo e logo. Muitos foram colocados a fazer noites sozinhos, a receber 5€/hora, em turnos de 18 horas, ou mais e muitos foram embora, ou desistiram de veterinária passado um ano. 



E a Ordem dos Médicos Veterinários, composta por muitos destes patrões, preocupou-se com a criação de vinhetas com morada e contacto, com boletins sanitários rastreáveis para evitar a usurpação de funções, com a imagem dos veterinários na comunicação social, tudo coisas válidas, mas muito menos urgentes que a necessidade de olhar pelos interesses imediatos dos seus membros. Estamos num tempo de mudanças rápidas no mundo da veterinária, mas não estamos a conseguir acompanhar as mesmas. Tudo parece demorar uma eternidade a acontecer, neste nosso cantinho à beira mar plantado, onde o bem estar psicológico da nossa classe está seriamente em risco.