quinta-feira, 1 de julho de 2010

" A Peste " - Albert Camus

Esta obra, apesar de não ser muito extensa, é bastante complexa. Foi publicada em 1947, e conta a história de uma cidade, de nome Orão, na Argélia, flagelada por uma epidemia de peste que leva ao isolamento da sua população. “A Peste” é uma obra, que, embora de forma subtil, está profundamente relacionada com a época em que foi escrita e com a vida do escritor. Um desses paralelismos é detectado pela análise da vida de Camus que, em Janeiro de 1942, se dirige de Orão para Paris, mas com a chegada dos aliados à África do Norte, em Novembro de 1942, fica separado durante mais de dois anos da sua mulher, da sua família e da sua terra natal. Esta experiência encontra semelhanças com o que sucede com a personagem “Rieux”. Outro exemplo de similaridade existente entre esta obra e o seu autor, existe na personagem “Grand” que busca a perfeição na sua escrita. O próprio “estado de espírito” da cidade em tempo de peste, pode ser comparado com o de uma cidade ocupada por invasores, como ocorreu com a ocupação de Paris pelos nazis. O que é também incrível nesta obra é a capacidade que Albert Camus teve, para manter uma relação com a realidade, mas sem que esta se torna-se no argumento de “A Peste”.
Pessoalmente, a história não me cativou muito. Tem muitas divagações sobre vários aspectos da vida, da morte e da religião. Gostei particularmente destas duas passagens do livro:

“Sem sair da sombra, o médico disse que já respondera e que, se acreditasse num Deus todo-poderoso, deixaria de curar os homens, deixando a Ele esse cuidado. Mas que ninguém no mundo, não, nem o padre Paneloux, que julgava acreditar, acreditava num Deus desse género, visto que ninguém se abandonava totalmente e que nisso, ao menos, ele, Rieux, julgava estar no caminho da verdade, lutando contra a Criação tal como ela era.”

“(…)o hábito do desespero é pior que o próprio desespero (…)”

(4/7)

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