segunda-feira, 11 de setembro de 2017
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
Quando a universidade acaba - coisas que eu gostava que me tivessem avisado.
Há um ano atrás estava em processo de conclusão e entrega da dissertação de mestrado. Olhando para trás parece que foi há muuuito tempo. O que é certo é que estava longe de estar pronta para o pós-universidade.
Foram 6 anos a marrar e a viver de um orçamento limitado, oferecido pelos pais. O que eu mais queria era despachar-me e começar a viver a minha vida, economicamente independente a fazer aquilo que gostava e sem ter de consultar ninguém; Comprar livros sempre que quisesse, viajar e conhecer o mundo, decorar o meu quarto como eu queria, ter mil animais, fazer uma tatuagem rebelde, etc etc. Que inocente. Porquê que ninguém nos prepara para o que realmente acontece (ou porquê que não ouvimos??).
Quando entreguei a tese corri a arranjar um emprego e consegui-o muito facilmente. Não pensei seriamente se seria o ideal para mim, porque na altura eu queria era começar! E comecei. No espaço de dois meses, tinha acabado o curso, estava inscrita na Ordem dos Médicos Veterinários, tinha o meu primeiro emprego, mudei de cidade e arranjei o meu apartamento com o meu namorado, estava a fazer as primeiras cirurgias sozinha (coisa que não acontece em todo o lado...tive muita sorte nesse aspecto) e sentia-me acelerada. Talvez demais.
Lentamente a depressão começou a instalar-se. Não ajudou o facto de uma semana depois de me mudar, o Figo (o meu gato de 13 anos) morrer de forma súbita. A verdade é que até aquele momento o meu objectivo tinha sido acabar o curso e começar a trabalhar. Desde o infantário, que o meu ano estava planeado, de acordo com o calendário escolar. Havia uma ordem nas coisas: 1º ano, 2º ano, 3º ano, 4º ano....12ºano, 1º ano de universidade... Agora que estava tudo encarreirado, sem testes e sem notas finais, senti-me perdida. Não tinha nenhum objectivo. Os dias foram-se repetindo, as horas extra foram se acumulando e a minha frustração e desmotivação foram crescendo.
Acima de tudo eu não tinha conseguido prever que a veterinária não ia chegar e que ia, inclusive, tentar roubar-me a identidade. Fazia-me falta a bicicleta, a corrida, o tempo para ler, os vídeos parvos e os amigos para conviver. Outra coisa que também não ajudava era comparar o meu trajecto profissional e satisfação ao dos meus colegas recém-licenciados. "Ele está feliz...também deveria estar." Não. Toda a gente é diferente e toda a gente precisa de tempo, para perceber o que o faz feliz. Adoro ser veterinária, mas gosto ainda mais de não ser só isso.
Gostava que alguém me tivesse avisado, que quando acabasse o curso eu não ia fazer a mínima ideia do que queria, ou de para onde ia. Que ia errar, escolher mal, precipitar-me e arrepender-me, mas que ia sobreviver e ultrapassar. Acredito que existam aquelas pessoas super ambiciosas, com uma vontade de ferro e ganas de ser especialista em xyz. Eu só quero ser feliz e continuar a sentir-me curiosa, não apenas em relação à minha profissão, mas também no meu dia-à-dia. Sei lá o que se vai passar...
domingo, 3 de setembro de 2017
"As Serviçais" de Kathryn Stockett
"As Serviçais" estava na minha lista de leitura há bastante tempo...tipo há anos. Este é um livro sobre a vida das criadas negras, no estado sulista do Mississípi, nos Estados Unidos. Aqui as leis de segregação eram levadas muito a sério, e além disso o lugar das mulheres (pretas, ou brancas), estava bem estipulado. Ai daquela que resolvesse questionar a sociedade!
A história é nos apresentada sob a perspectiva de três mulheres diferentes: Aibileen, uma mulher de meia idade, conformada com a sua posição de criada negra; Skeeter, uma jovem branca aspirante a escritora, que luta contra a perspectiva de ter de se tornar numa simples dona de casa; e Minny, a antítese da calma e ponderada Aibileen, com uma língua afiada e uma vontade de ferro. Estas três mulheres unem-se para criar a sua forma secreta de protesto - um livro, onde sob anonimato e identidade falsa, relatam como é ser negra e trabalhar para as mulheres brancas.
Já tinha visto o filme, com a fantástica actriz Viola Davis no papel de Aibileen, mas ainda assim vale muito a pena ler "As Serviçais". A história no grande ecrã está bastante fiel, mas, como é lógico, é impossível introduzir em duas horas e pico todos os pensamentos e detalhes desta história e das suas personagens.
Gostei da forma como intercalam os capítulos sob a perspectiva destas três mulheres e como abordam temas interessantes, recorrendo a uma série de episódios aparentemente banais, não só o problema do racismo e segregação racial, mas também a emancipação e a desigualdade entre sexos. No entanto existiram algumas coisas que não gostei.
Começo por falar da tradução do título de "The Help", para "As Serviçais". Eu compreendo que o título "A Ajuda" não fizesse sentido em português, mas o que raio são "serviçais"?! Qual era o problema de optar por "As Criadas"? Ou então, manter a coerência do título e chamar-lhe de "Ajudem", já que (spoiler alert), "The Help" é o nome do livro secreto...neste caso o título era um bocadinho importante demais, para ser distorcido desta forma.
A personagem de Skeeter também me deixa com um sabor agridoce na boca. Acho que há demasiadas contradições na sua personalidade, que se reflectem na história e que acabam por irritar. Esta rapariga sempre cresceu com as suas amigas brancas, membros da liga xpto, mestres em boas maneiras e aulas de etiqueta e cujo único objectivo era casar com um homem rico e fazer festas de angariação de fundos, para os meninos pobres de África (a ironia...). Todas elas foram criadas por uma criada negra e o que apenas distingue Skeeter dessas miúdas é o facto de ter tido uma educação superior e ser ligeiramente menos bonita. Depois de voltar da universidade Skeeter continua a querer agradar a essas raparigas e a tentar incluir-se na sociedade onde cresceu e é isso que para mim não faz muito sentido. Se a única coisa que a distingue delas é a educação superior, porquê que só ao escrever o livro é que se apercebe da injustiça e desigualdade social à sua volta? Falta aqui qualquer coisa. Acho que é carácter!
Talvez isto tenha sido intencional e a escritora quisesse apenas associar a mudança e crescimento de Skeeter à escrita simultânea do livro secreto, mas parece um ligeiro desmazelo na construção da personagem, quando comparamos com a complexidade da aparentemente calma Aibileen.
Apesar de não ser perfeito, é uma boa história, bem contada e que toca em assuntos que, ainda hoje, causam comichão a muito boa gente.
Agora vou só ali limpar a cozinha e estender a roupa, que o meu marido pode não gostar que eu tenha um blog e descuide as tarefas domésticas.
Tatá! *
sexta-feira, 25 de agosto de 2017
Levar as crianças a sério
Ás vezes, com o ritmo acelerado da vida de veterinária, esqueço-me que gosto de falar com as pessoas e de esclarecer dúvidas. Acho realmente que é nas pequenas coisas que começamos a educar os donos (ou tutores, como agora são chamados) e a fazer a diferença.
Mas o que eu gosto realmente é quando para além dos adultos, vem ao consultório crianças entre os 5 e os 7 anos. Dispenso bem os irrequietos e mal-educados, que me mexem em tudo e não são controlados pelos progenitores, mas ainda existem crianças educadas e curiosas.
Estes dias tive de, pela milionésima vez, desmistificar o acto de dar ossos ao cão. Enquanto interiormente o adulto provavelmente pensou que eu só queria vender ração e que sempre deu ossos e nunca aconteceu nada do que eu disse que podia acontecer (olá pai!) -maior risco de fractura de dentes, obstrução respiratória, perfuração gástrica/intestinal; fístulas anais, etc. - a criança de certeza que ouviu e vai oferecer grande resistência em casa, quando o adulto insistir em fazer asneira. Muitas das crianças até pedem para eu explicar melhor como é que todas aquelas coisas terríveis podem acontecer ao seu amigo de quatro patas.
É por isso que quando faço a consulta de vacinação, ou primeira consulta, quando está presente uma criança, falo directamente para os pequenos. Eles são uma arma poderosa e é desde pequeno que se começa a interiorizar o que está certo e errado.
terça-feira, 1 de agosto de 2017
"A Sangue Frio" de Truman Capote
A minha primeira experiência com Truman Capote não foi maravilhosa. "Breakfast at Tiffany's" pareceu-me supérfluo e desprovido de grande conteúdo, ainda que tenha sido muito bem escrito.
Depois de ler "A Sangue Frio", fico contente por não ter desistido de Capote. Este livro é genial e deixou-me com uma impressão tão forte, que mesmo quando o fecho, a história continua a acompanhar-me, como se de um fantasma se tratasse.
Esta é uma narrativa assente em factos reais, que aborda o horrendo crime ocorrido em 1959 na calma cidade de Holcomb, Kansas. Nesta pequena cidade, a família Clutter é brutalmente assassinada, sem que existam suspeitos evidentes, ou uma razão aparente.
Apesar do leitor já saber o desfecho da história, "A Sangue Fresco" está de tal forma tão bem construído, que o factor surpresa deixa de ser importante. Somos primeiro apresentados aos Clutter. Ficamos a par dos seus gostos, das suas manias e do seu dia-à-dia. É através das suas rotinas, que vamos conhecendo os habitante de Halcomb e os lugares que caracterizam a vila. Simultaneamente, começamos também a acompanhar a vida de dois ex-condenados - Dick e Perry. Claro que não é preciso ser nenhum génio, para se perceber que estes serão os autores do crime.
Quando nos começamos a afeiçoar à família, Capote introduz o dia em que os seus corpos são encontrados. O choque que o leitor sente, não será comparável ao que a população daquela sossegada cidade sofreu, mas dá para ter uma ideia. Quatro seres humanos inocentes, assassinados de forma brutal. Enquanto estava à procura de imagens da família, deparei-me acidentalmente com as fotografias da cena do crime. Se já a leitura me deixou agoniada, as imagens deixaram-me enojada. Aquelas pessoas podiam ser qualquer família.
Gostei também da forma como Capote conseguiu através de cartas, diários e entrevistas, caracterizar tão bem os assassinos. A forma como Dick e Perry se acham os maiores é revoltante. O leitor é conduzido pelas palavras do escritor ao interior do cérebro daqueles dois seres. Infelizmente percebemos que aquelas pessoas não tinham problemas mentais; Perry e Dick eram simplesmente egoístas e desprovidos de compaixão. Causaria pena, se antes disso não causasse nojo.
Inquietante e muito bem construído, "A Sangue Frio" consegue cativar qualquer leitor e até ao momento, considero-o um dos melhores livros que já li. Se quiserem aproveitem para participarem no passatempo, onde podem ganhar um exemplar. Boa sorte!
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Dia 4 Seguindo as setas amarelas: Redondela - Pontevedra
Esta era a nossa etapa mais curta. Apenas 24km. Claro, que na etapa anterior ficamos a 4km de Redondela, por isso na realidade seriam 28km até Pontevedra.
O dia estava a nascer, quando acabamos o pequeno-almoço e seguimos caminho. Custou um bocadinho a olear as articulações, mas a coisa lá foi correndo bem. Para melhorar ainda mais o dia, ao chegarmos a Redondela, encontrei um Iphone no chão! (Se alguém quiser comprar, mandem-me mail!).
A paisagem desta etapa é bem mais interessante do que a etapa anterior. Há menos asfalto. No entanto, continuo a achar que a parte minhota portuguesa é a mais linda.
Depois de uma noite muito mal passada e da comida horrível, que havíamos ingerido nos últimos tempos, estávamos decididos a alugar um quarto de hotel. De preferência um hotel com banheira, para podermos tomar um belo banho de imersão e recuperar das nossas lesões, que por esta altura já eram múltiplas; eu com o joelho a doer em cada passo, o meu pai com bolhas nos pés e dores ósseas também nos pés.
Foi com este pensamento a servir de motivação, que chegamos a Pontevedra, cidade com uma zona histórica cheia de comércio e vida. Tratamos logo de nos hospedar no Hotel Rias Bajas, onde os lençóis eram de confiança e havia ar condicionado. Depois de tomarmos um belo banho, fomos procurar um sitio onde comer.
Com a ajuda do Tripadvisor, fomos ter a uma tasca chamada "Casa Duran". Tinha um aspecto exterior terrível e dentro fazia bastante calor, mas estava cheio de espanhóis, o que era bom sinal. Quando entramos, um homem mal encarado reclamou por virmos tarde (eram 15:30h). Não nos intimidou, uma vez que tínhamos demasiada fome, para querermos saber. Por menos de 20 euros comemos entrada e prato principal, cafés e bebidas incluídas. Estava tudo muito bom e tiramos finalmente a barriga de misérias.
Para deleite dos turistas ingleses, sempre contidos e respeitáveis (quando sóbrios), o patrão da tasca esteve sempre a gritar e fazer alta cena, revoltado com os políticos e as regras do sistema. Quando perguntamos à empregada de mesa se ele estava bem, a resposta foi que aquilo é o normal dele. Está mal disposto desde que entra até que sai.
O resto do dia foi passado a ver TV, a dormitar e a descansar no quarto do hotel. Estava tão cansada, que nem vontade de ir conhecer Pontevedra tinha (daí a falta de fotos).
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