domingo, 3 de setembro de 2017

"As Serviçais" de Kathryn Stockett

"As Serviçais" estava na minha lista de leitura há bastante tempo...tipo há anos. Este é um livro sobre a vida das criadas negras, no estado sulista do Mississípi, nos Estados Unidos. Aqui as leis de segregação eram levadas muito a sério, e além disso o lugar das mulheres (pretas, ou brancas), estava bem estipulado. Ai daquela que resolvesse questionar a sociedade!  

A história é nos apresentada sob a perspectiva de três mulheres diferentes: Aibileen, uma mulher de meia idade, conformada com a sua posição de criada negra; Skeeter, uma jovem branca aspirante a escritora, que luta contra a perspectiva de ter de se tornar numa simples dona de casa; e Minny, a antítese da calma e ponderada Aibileen, com uma língua afiada e uma vontade de ferro. Estas três mulheres unem-se para criar a sua forma secreta de protesto - um livro, onde sob anonimato e identidade falsa, relatam como é ser negra e trabalhar para as mulheres brancas.

Já tinha visto o filme, com a fantástica actriz Viola Davis no papel de Aibileen, mas ainda assim vale muito a pena ler "As Serviçais". A história no grande ecrã está bastante fiel, mas, como é lógico, é impossível introduzir em duas horas e pico todos os pensamentos e detalhes desta história e das suas personagens. 

Gostei da forma como intercalam os capítulos sob a perspectiva destas três mulheres e como abordam temas interessantes, recorrendo a uma série de episódios aparentemente banais, não só o problema do racismo e segregação racial, mas também a emancipação e a desigualdade entre sexos. No entanto existiram algumas coisas que não gostei. 

Começo por falar da tradução do título de "The Help", para "As Serviçais". Eu compreendo que o título "A Ajuda" não fizesse sentido em português, mas o que raio são "serviçais"?! Qual era o problema de optar por "As Criadas"? Ou então, manter a coerência do título e chamar-lhe de "Ajudem", já que (spoiler alert), "The Help" é o nome do livro secreto...neste caso o título era um bocadinho importante demais, para ser distorcido desta forma.

A personagem de Skeeter também me deixa com um sabor agridoce na boca. Acho que há demasiadas contradições na sua personalidade, que se reflectem na história e que acabam por irritar. Esta rapariga sempre cresceu com as suas amigas brancas, membros da liga xpto, mestres em boas maneiras e aulas de etiqueta e cujo único objectivo era casar com um homem rico e fazer festas de angariação de fundos, para os meninos pobres de África (a ironia...). Todas elas foram criadas por uma criada negra e o que apenas distingue Skeeter dessas miúdas é o facto de ter tido uma educação superior e ser ligeiramente menos bonita. Depois de voltar da universidade Skeeter continua a querer agradar a essas raparigas e a tentar incluir-se na sociedade onde cresceu e é isso que para mim não faz muito sentido. Se a única coisa que a distingue delas é a educação superior, porquê que só ao escrever o livro é que se apercebe da injustiça e desigualdade social à sua volta? Falta aqui qualquer coisa. Acho que é carácter!  

Talvez isto tenha sido intencional e a escritora quisesse apenas associar a mudança e crescimento de Skeeter à escrita simultânea do livro secreto, mas parece um ligeiro desmazelo na construção da personagem, quando comparamos com a complexidade da aparentemente calma Aibileen. 

Apesar de não ser perfeito, é uma boa história, bem contada e que toca em assuntos que, ainda hoje, causam comichão a muito boa gente. 

Agora vou só ali limpar a cozinha e estender a roupa, que o meu marido pode não gostar que eu tenha um blog e descuide as tarefas domésticas.

Tatá! *


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Levar as crianças a sério

Ás vezes, com o ritmo acelerado da vida de veterinária, esqueço-me que gosto de falar com as pessoas e de esclarecer dúvidas. Acho realmente que é nas pequenas coisas que começamos a educar os donos (ou tutores, como agora são chamados) e a fazer a diferença.

Mas o que eu gosto realmente é quando para além dos adultos, vem ao consultório crianças entre os 5 e os 7 anos. Dispenso bem os irrequietos e mal-educados, que me mexem em tudo e não são controlados pelos progenitores, mas ainda existem crianças educadas e curiosas. 

Estes dias tive de, pela milionésima vez, desmistificar o acto de dar ossos ao cão. Enquanto interiormente o adulto provavelmente pensou que eu só queria vender ração e  que sempre deu ossos e nunca aconteceu nada do que eu disse que podia acontecer (olá pai!) -maior risco de fractura de dentes, obstrução respiratória, perfuração gástrica/intestinal; fístulas anais, etc. - a criança de certeza que ouviu e vai oferecer grande resistência em casa, quando o adulto insistir em fazer asneira. Muitas das crianças até pedem para eu explicar melhor como é que todas aquelas coisas terríveis podem acontecer ao seu amigo de quatro patas. 

É por isso que quando faço a consulta de vacinação, ou primeira consulta, quando está presente uma criança, falo directamente para os pequenos. Eles são uma arma poderosa e é desde pequeno que se começa a interiorizar o que está certo e errado. 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

"A Sangue Frio" de Truman Capote

A minha primeira experiência com Truman Capote não foi maravilhosa. "Breakfast at Tiffany's" pareceu-me supérfluo e desprovido de grande conteúdo, ainda que tenha sido muito bem escrito. 

Depois de ler "A Sangue Frio", fico contente por não ter desistido de Capote. Este livro é genial e deixou-me com uma impressão tão forte, que mesmo quando o fecho, a história continua a acompanhar-me, como se de um fantasma se tratasse. 

Esta é uma narrativa assente em factos reais, que aborda o horrendo crime ocorrido em 1959 na calma cidade de Holcomb, Kansas. Nesta pequena cidade, a família Clutter é brutalmente assassinada, sem que existam suspeitos evidentes, ou uma razão aparente. 

Apesar do leitor já saber o desfecho da história, "A Sangue Fresco" está de tal forma tão bem construído, que o factor surpresa deixa de ser importante. Somos primeiro apresentados aos Clutter. Ficamos a par dos seus gostos, das suas manias e do seu dia-à-dia. É através das suas rotinas, que vamos conhecendo os habitante de Halcomb e os lugares que caracterizam a vila. Simultaneamente, começamos também a acompanhar a vida de dois ex-condenados - Dick e Perry. Claro que não é preciso ser nenhum génio, para se perceber que estes serão os autores do crime. 



Quando nos começamos a afeiçoar à família, Capote introduz o dia em que os seus corpos são encontrados. O choque que o leitor sente, não será comparável ao que a população daquela sossegada cidade sofreu, mas dá para ter uma ideia. Quatro seres humanos inocentes, assassinados de forma brutal. Enquanto estava à procura de imagens da família, deparei-me acidentalmente com as fotografias da cena do crime. Se já a leitura me deixou agoniada, as imagens deixaram-me enojada. Aquelas pessoas podiam ser qualquer família. 

Gostei também da forma como Capote conseguiu através de cartas, diários e entrevistas, caracterizar tão bem os assassinos. A forma como Dick e Perry se acham os maiores é revoltante. O leitor é conduzido pelas palavras do escritor ao interior do cérebro daqueles dois seres. Infelizmente percebemos que aquelas pessoas não tinham problemas mentais; Perry e Dick eram simplesmente egoístas e desprovidos de compaixão. Causaria pena, se antes disso não causasse nojo.  




Inquietante e muito bem construído, "A Sangue Frio" consegue cativar qualquer leitor e até ao momento, considero-o um dos melhores livros que já li. Se quiserem aproveitem para participarem no passatempo, onde podem ganhar um exemplar. Boa sorte!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Dia 4 Seguindo as setas amarelas: Redondela - Pontevedra

Esta era a nossa etapa mais curta. Apenas 24km. Claro, que na etapa anterior ficamos a 4km de Redondela, por isso na realidade seriam 28km até Pontevedra. 


O dia estava a nascer, quando acabamos o pequeno-almoço e seguimos caminho. Custou um bocadinho a olear as articulações, mas a coisa lá foi correndo bem. Para melhorar ainda mais o dia, ao chegarmos a Redondela, encontrei um Iphone no chão! (Se alguém quiser comprar, mandem-me mail!). 

A paisagem desta etapa é bem mais interessante do que a etapa anterior. Há menos asfalto. No entanto, continuo a achar que a parte minhota portuguesa é a mais linda.

Depois de uma noite muito mal passada e da comida horrível, que havíamos ingerido nos últimos tempos, estávamos decididos a alugar um quarto de hotel. De preferência um hotel com banheira, para podermos tomar um belo banho de imersão e recuperar das nossas lesões, que por esta altura já eram múltiplas; eu com o joelho a doer em cada passo, o meu pai com bolhas nos pés e dores ósseas também nos pés. 

Foi com este pensamento a servir de motivação, que chegamos a Pontevedra, cidade com uma zona histórica cheia de comércio e vida. Tratamos logo de nos hospedar no Hotel Rias Bajas, onde os lençóis eram de confiança e havia ar condicionado. Depois de tomarmos um belo banho, fomos procurar um sitio onde comer. 

Com a ajuda do Tripadvisor, fomos ter a uma tasca chamada "Casa Duran". Tinha um aspecto exterior terrível e dentro fazia bastante calor, mas estava cheio de espanhóis, o que era bom sinal. Quando entramos, um homem mal encarado reclamou por virmos tarde (eram 15:30h). Não nos intimidou, uma vez que tínhamos demasiada fome, para querermos saber. Por menos de 20 euros comemos entrada e prato principal, cafés e bebidas incluídas. Estava tudo muito bom e tiramos finalmente a barriga de misérias. 


Para deleite dos turistas ingleses, sempre contidos e respeitáveis (quando sóbrios), o patrão da tasca esteve sempre a gritar e fazer alta cena, revoltado com os políticos e as regras do sistema. Quando perguntamos à empregada de mesa se ele estava bem, a resposta foi que aquilo é o normal dele. Está mal disposto desde que entra até que sai.

O resto do dia foi passado a ver TV, a dormitar e a descansar no quarto do hotel. Estava tão cansada, que nem vontade de ir conhecer Pontevedra tinha (daí a falta de fotos).

quinta-feira, 27 de julho de 2017

"O Bosque dos Pigmeus" de Isabel Allende

Publicado em 2004, "O Bosque dos Pigmeus" é o terceiro e último volume da trilogia intitulada "As Aventuras da Águia e do Jaguar". 

Os protagonistas são Nádia e Alexander, que juntamente com a avó jornalista, partem numa aventura africana, que não se adivinhava difícil. Claro que algo corre mal e os heróis se vem encurralados na selva profunda, sob as ordens de um ditador terrível. 

Confesso que não li os anteriores, mas achei a leitura deste pequeno livro bastante agradável. Nota-se que tem por alvo um público jovem, e por isso o enredo é descomplicado. 

Esta é talvez das minhas opiniões mais curtas (estou morta da vida), mas a verdade é que este não é um livro com grande conteúdo. É daquelas leituras de noite de Verão, quando é preciso ultrapassar o calor e ganhar algum sono, para se conseguir adormecer. Talvez seja também uma boa opção para oferecer a um jovem adolescente, que precise de ler mais do que aqueles romances juvenis repetitivos. Tem aventura, tem magia, tem calor africano e um cheirinho de romance juvenil. Ah! E está bem escrito (digo eu, com o meu canudo em literatura...)

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Passatempo "A Sangue Frio" Truman Capote

ACTUALIZAÇÃO (20/08/2017) - A VENCEDORA SORTEADA FOI ANA FOLES! MUITOS PARABÉNS E MUITO OBRIGADA A TODOS OS QUE PARTICIPARAM!

Para não interrompermos a onda dos Passatempos aqui no Baú dos Livros, desta vez tenho para vos oferecer um exemplar do clássico "A Sangue Frio" de Truman Capote. 


Para se habilitarem a ganhar basta preencherem o formulário em baixo. O uso de Facebook é opcional (embora aumente as hipóteses de serem os sorteados). Apenas é crucial seguirem o blog com a vossa conta Google. 





- São aceites moradas de todo o mundo.
- São aceites participações até às 00:00 do dia 19 de Agosto de 2017.
- Podem partilhar publicamente o passatempo as vezes que quiserem, para aumentar as vossas hipóteses de serem os vencedores. 
- O vencedor é contactado por e-mail pelo Baú dos Livros e tem até 10 dias para reclamar o seu prémio, fornecendo a sua morada completa;
- O Baú dos Livros não se responsabiliza pelo extravio das encomendas enviadas.

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