"Dança, Dança, Dança" de Haruki Murakami, dá continuidade à narrativa iniciada no livro "Em Busca do Carneiro Selvagem". No entanto, não é de todo obrigatório que leiam o volume anterior, uma vez que salvo pequenas referências, trata-se de uma história com o mesmo protagonista, mas com um enredo completamente diferente, ainda que pouco definido.
Como em todos os livros de Murakami, o protagonista segue o estereotipo: meia idade, divorciado, solitário e sem grandes objectivos na vida. É um protagonista sem nome. Mas para o caso não tem importância e embora não haja uma grande e complexa trama, este livro conseguiu prender-me, como acontece com todos os livros deste autor.
Neste "Dança, Dança, Dança" a mensagem é clara: devemos continuar a viver, ou a "dançar" (o melhor que conseguirmos), porque esta é a nossa vida e não vale a pena lutar contra aquilo que se vai desenrolando. As pessoas vão desaparecer e isso é algo inevitável. Há que aproveitar enquanto cá estão. Uma espécie de Carpe Diem a la Murakami.
Até hoje ainda não consigo exprimir por palavras o que é que torna Haruki Murakami tão especial. Há sempre uma sensação reconfortante de compreensão mutua entre mim e as personagens centrais, como se aquele livro tivesse sido escrito especificamente para me ajudar a compreender aquilo que sou/sinto. Sensações que eu não consigo expressar, são expressas por Murakami com uma facilidade espantosa. Talvez seja isso...
Já regressei a casa e tou a ouvir a banda sonora dum filme sobre um ataque japonês a uma base dos EUA no havai. Acho que se escreve assim: PERLD HERLD (acho)
Melhores filmes de todos os tempos:
- Moulin Rouge (tá tudo mal escrito, mas que se lixe)
- Perld Herld
Dizem que vai cair um asteróide na Terra dia 1 de Febereiro de 2019. Dizem que vai cair na Alemanha, mas Portugal não vai ser atingido...só descobriram o asteróide à cerca de 17 dias e já sabem isto tudo...francamente...Mas se querem saber: "mais vale prevenir que remediar" lol (risos). Vou fazer o desenho do esconderijo da minha família debaixo da terra (visto na vertical):
Bem, eu não sei como é que eu conseguia passar a Português...e já agora a Inglês também! Perld herld?! Pearl Harbor! E não! Esses filmes não são os melhores de todos os tempos!
Também adorei ver a minha capacidade para prevenir...fazer um desenho de um esconderijo é algo que realmente pode prevenir e impedir que alguma coisa aconteça.
Para a semana haverá mais devaneios de uma pré-adolescente anti-social!
No dia 24 de Junho é feriado em Guimarães. Não é feriado por ser o São João, mas sim porque se comemora a vitória de D.Afonso Henriques na batalha de São Mamede. Como tal, aproveitamos para usufruir de um fim-de-semana prolongado (Sexta-Segunda) e na falta de grande orçamento, optamos por ir para a Costa da Galiza, em Espanha, mais precisamente para O Grove e Sanxenxo.
Para quem mora no Norte de Portugal, a Galiza é um destino bastante atractivo. É relativamente próximo, tem o movimento do Algarve, praias de areia fina e para os mais anti-sociais, existem zonas de enorme sossego e privacidade.
O nosso local de estadia chamava-se "Hotel Abeiras" e estava pontuado como 4*. Não é impressionante, para um local de 4*, mas fica bem localizado, entre Sanxenxo e o O Grove. O pequeno-almoço era bastante completo. Apenas alguns detalhes do quarto deixavam algo a desejar, como o facto do mini-bar não estar a funcionar. Isto fez com que andássemos 4 dias a almoçar pães de leite e pão com paté de atum e batatas fritas. Nem uma alfacezita, ou uma água fresca dava para ter. A vista para a estrada também não era muito agradável, mas lá está...não se pode ter tudo.
No primeiro dia exploramos a Illa da Toja (que não tem nada de especial, para além de casas de ricos e hotéis), a pequena vila O Grove e os arredores da península. Passamos parte da tarde de papo para o ar numa praia praticamente deserta e com água transparente (Praia da Meixilloeira). Como somos duas almas imparáveis (ahah!), cedo decidimos deixar a praia e acabar de contornar a península de carro, passando por mais algumas praias isoladas e indo ter a San Vicente do Grove, onde ficamos intrigados pela praia para cães que encontramos.
Algo que achei espantosa foi a qualidade da água em todas as zonas que estivemos. Conseguia-se ver vida naquelas águas. Era toda de uma transparência invejável e admirável. Como é que estes locais estão tão perto do nosso país e as nossas praias portuguesas nem de perto tem aquela qualidade de água. Talvez tenha a ver com a turbulência e quantidade de ondulação que fustiga a nossa costa...não sei, mas a verdade é que cheguei a ver voluntários que num domingo de manhã rondavam as praias a recolher o pouco lixo que a maré trazia, ou que os seres humanos deixavam para trás. Em Portugal estamos a ziliões de anos luz disso acontecer com regularidade (corrijam-me se estiver enganada).
A única parte mais complicada das nossas mini-férias foi atinar com os horários malucos dos espanhóis! Eles almoçam e jantam super tarde! E depois é só tapas, tapas, tapas. Se quiserem comer refeições com começo, meio e fim, devem optar pelos restaurantes com menu! E não caiam no nosso erro de achar que o menu ia ser pouco...porque é sempre imensa comida!! Falarei mais acerca dos restaurantes num próximo post...
Entretanto...
Cometemos dois erros para os quais gostava de vos alertar:
1) Não atestem o depósito em Portugal. Passada a fronteira, o combustível é cerca de 15 a 20 cêntimos mais barato/litro. Foi uma burrice que fizemos sem pensar, com a pressa de ir de férias.
2) Evitem as portagens em Espanha. São caras e a maioria das estradas nacionais tem pouco movimento e estão em bom estado. No regresso optamos pelas nacionais espanholas e só entramos na auto-estrada em Portugal. Demoramos praticamente o mesmo tempo e a nossa carteira agradeceu.
Finalmente arranjei um tempinho para ver o live-action do clássico de animação "A Bela e o Monstro".
Gosto muito da Hermione...ups! Da Emma Watson, não só pelo seu trabalho enquanto activista, mas também como actriz. Recentemente vi o "Colonia" e recomendo, para quem se interessar pela história ditatorial do Chile.
A personagem de Belle, uma rapariga que adora livros e se recusa a viver de acordo com os regras de uma sociedade pouco tolerante, encaixa-lhe como uma luva!
No filme original de animação a paixão de Belle pelos livros faz com que achemos que ela realmente deve ser mais inteligente que a média. No entanto, acaba simplesmente casada com um príncipe. Não percebemos nunca o porquê, uma vez que eles não tem muito em comum (e aqui há a eterna piada do síndrome de Estocolmo). Nesta versão, nota-se que houve uma preocupação em passar alguma coerência aos diálogos. São as subtis mudanças nas falas que tornam a personagem de Watson realmente independente e a relação com o "monstro" realista e realmente presente. O interesse pela literatura é partilhado e uma história de família semelhante serve para estabelecer alguma forma de ligação emocional entre as duas personagens.
No entanto, como em todos os filmes, existem coisas que não correm muito bem. Para além do óbvio autotune aplicado (pelo menos) à voz de Emma Watson, o estarem a transformar Lefou, o melhor amigo do vilão Gaston, num palhacinho efeminado, que no final se assume como homossexual parece-me simplesmente demasiado forçado e baseado em estereótipos. Ok, o mundo está cada vez mais tolerante (gosto de pensar) e não interessa a orientação sexual de cada um, mas ao criarem uma personagem gay onde ela supostamente não existia, só para tornar o filme mais "actual", só serve para acentuar ainda mais diferenças, onde elas não deveriam existir.
Tirando essas pequenas nuances, este é um filme que nos leva de regresso à nossa infância e transforma Belle na feminista assumida, que desde sempre deveria ter sido!
Se calhar sou eu que sou antiquada, mas acho ridículo pessoas que usam o Facebook para tratar de coisas que devem ser faladas pelo telefone/telemóvel/pessoalmente. Principalmente quando essas coisas dizem respeito a animais doentes.
Exemplo 1:
"Preciso de saber o vosso horário. É urgente." Enviado as 00:30h. Expliquei que não estávamos online a toda hora e que urgências só pelo telefone.
"Boa noite. Envio mensagem, para que me possam informar. Tenho uma gata com cerca de 2 anos que há 6 dias começou a espirrar e com alguma dificuldade a respirar. Tem corrimento nasal e está mais apática que o normal. O apetite está normal. É possível recomendar alguma medicação, ou tratamento?" Obviamente que expliquei educadamente que nao davamos consultas pelo Facebook e que era ilegal receitar coisas sem ver o animal. Claro que no final aquilo que este individuo acéfalo retirou da história, é que os veterinários só querem saber de dinheiro!
"Boa tarde. Queria marcar uma tosquia para amanhã." BLAHBLAHBLAH escrito, marcação feita. No dia seguinte o animal não aparece. Ligamos para saber o que se passa. Parece que afinal se enganou no Facebook e não era na nossa clínica que queria marcar -.-'' ------------------------------------------------------------------------------------- Depois isto até dá historias de rir. No momento é só irritante perceber que existe tanta estupidez neste mundo e quanta dela se descobre pelo Facebook.
Ontem, Domingo, tinha planeado acordar tarde e passar a manhã a ler, para terminar finalmente o "Dança, Dança, Dança" do Murakami. Lá fiz o meu pequeno almoço e liguei a tv, para passar os olhos pelas noticias da semana. Qual o meu espanto, quando sou brindada com uma manchete de 57 mortos e outro montão de feridos. Pensei logo que devia ter sido um atentado, numa qualquer cidade europeia. Só que não. Era aqui em Portugal.
Nós portugueses, devemos realmente estar a pagar o karma de toda a porcaria que fizemos desde a época dos descobrimentos até ao final das colónias. O ano estava a correr tão bem! Toda a gente optimista e com a moral no topo! Campeões europeus, o turismo a crescer, défice cada vez mais pequeno, mais emprego, um PR que ia (e vai) a todas...mas claro que há coisas que não mudam só com a força do pensamento positivo...
Todos os anos a tragédia se repete. Este ano os números foram maiores e mais assustadores. Será que é desta que o interesse colectivo ultrapassa o individual?
Aparecem engenheiros e agrónomos que defendem a necessidade de uma reforma florestal, mas cá para mim, daqui a meia dúzia de semanas, quando já não existir mais testemunhos que causem emoção e o povo já não possa mais com este jornalismo sensacionalista de merda, o assunto morrerá. Para o ano haverá mais. E assim continuará a cultura do imediato e do "já", onde nenhum futuro se planeia #Yolo #quesefodamosoutros.
Ou pode ser que eu esteja simplesmente um bocadinho pessimista. Murakami consegue ter esse efeito sobre uma pessoa.
De qualquer das formas, e apesar do meu pessimismo, não podemos deixar que se esqueçam daqueles que ficaram sem nada (embora eu não saiba o que aconteceu aos desgraçados dos que sofreram com os fogos na Madeira...). Há várias coisas que podem fazer, desde ligar para o 760 100 100 (doam 0,60€/chamada), ou transferir donativos directamente para a conta da Cáritas "Portugal abraça vítimas dos incêndios' (Caixa Geral de Depósitos) que tem o número 0001 200000 730 e o IBAN PT50 0035 0001 00200000 730 54, ou mesmo doar bens materiais como roupas, calçado e atoalhados, também a essa associação, ou a outras que estejam a pedir.