quinta-feira, 8 de junho de 2017

Sou péssima a gastar dinheiro

Sou péssima a gastar dinheiro. Primeiro porque não tenho assim tanto; segundo, porque quando o tenho sinto-me culpada em gastar em coisas, que daqui a uns anos não servem para nada. A minha mãe já me acusou de ser uma forreta de primeira. Não sei quando é que fiquei assim... 

Esta inércia monetária só desaparece na altura de comer e viajar. Acho que são as únicas ocasiões onde não me interessa se vou ter de gastar algum. Também gosto muito de comprar presentes para outras pessoas. 

O problema aparece, quando quero comprar algo para mim mesma, ou para a nossa casa (que não seja de comer)...primeiro sinto que tenho de fazer um estudo de mercado e mesmo fazendo esse estudo, na maior parte das situações, acabo por perguntar: "preciso mesmo disto?" e a resposta é quase sempre "não". Acabo por não comprar roupa até ter as cuecas e meias rotas, e acabo por ter a casa tão decorada, como quando viemos para cá viver (há 4 meses atrás). É triste.

Esta pressão para gastar e ter mais coisas deixa-me deprimida. Sinto que, mais uma vez, não me encaixo. Eu não quero mais coisas, porque sei que depois de as receber, há uns dias que sinto aquela felicidade de "aquisição de coisas novas" (como nos Sims), mas depois torna-se banal. É só mais uma coisa no meio de mil. 

Mesmo em relação a livros, é muito raro comprar algum. A maior parte dos que tenho foram oferecidos e os que quero normalmente encontro na biblioteca municipal, ou no "mercado negro online". Ainda assim, devem ser dos poucos objectos que talvez passasse a comprar sem me sentir culpada. Afinal de contas, se não fosse a colecção gigante de livros que os meus pais juntaram, talvez eu nunca tivesse tomado o gosto pela leitura? 

Quem sabe...agora que sou independente, posso fazer o que quiser com OS MEUS euros! 

Ahaha! Como nos enganam...






quarta-feira, 7 de junho de 2017

Diário da (pseudo)Princesa #1

Estes dias andava a arrumar tralhas e dei de caras com os meus diários. Como verdadeira fã da Meg Cabot e da mítica saga literária "O Diário da Princesa", o meu eu de 12 anos tinha que ter escrito um diário. Achei o conteúdo daquilo tão hilariante, que tenho de partilhar aqui no Baú dos Livros aqueles desabafos naquela que será a crónica semanal "Diário da (pseudo)Princesa".


Dia 08 de Agosto de 2002

A partir de hoje vou escrever aqui o meu novo "capítulo":

A Adolescência

Pois é... estou a crescer e ninguém o pode impedir...só a morte...
Bem, vou começar por falar de mim: Tenho 12 anos e faço anos dia 31 de Dezembro, passei para o 8º ano de escola.
Fisicamente sou...gira?! Não eu diria que sou muito bonita...OK eu sou convencida!
Tenho cabelo e olhos castanhos. Tento manter o meu peso de 48kg. Não me perguntes que altura tenho porque não sei...
Pessoas que eu ademiro: 

- Josh Hartnnet - é um bom actor e...é uma bomba.
- Michelle Branch - canta bem e é o meu nome virtual na cidade da malta...lolol! (É verdade eu gosto de navegar no site www.cidadedamalta.pt)
- Navegantes da Lua....ah!ah! Adoro quando se transformam!
- Sakura 

Neste momento não me lembro de mais. 

Hoje vou ao Norte Shopping no Porto. 


---------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Como é que eu não havia de sofrer de algum bulling?! Bem, eu era uma criança bem estranha e dava muitos erros. No fundo só queria ser amada...se me perguntarem porquê a culpa é da quantidade de porcarias que via na televisão e lia nos livros. 

E pleaaaase! O Josh Hartnett é tudo menos uma bomba e um bom actor! Onde é que eu tinha a cabeça?! E é engraçado ver como as pessoas que eu admiro nem são bem pessoas...

Esperem pelo próximo episódio...há mais tesourinhos deprimentes para desvendar. 


terça-feira, 6 de junho de 2017

"Quando abres a tua clínica veterinária?"

Não sei se acontece um pouco com todos os veterinários, mas parece que toda a gente assume que, por ser veterinária, tenho de abrir a minha própria clínica! Se não é agora, é daqui a meia dúzia de anos, mas é inevitável. 

Pois, só há um problema: eu não quero abrir a minha própria clínica veterinária. Não queria quando terminei o curso e quanto mais tempo passa, menos vontade tenho. 

Talvez seja consequência de ser filha de patrões. Enquanto crescia bem via a responsabilidade e a "prisão", que a gestão de uma empresa muitas vezes acarreta e o desgaste que isso pode ter nas pessoas. Por outro lado, tem as suas vantagens, quando corre bem...pode-se viajar mais e ter tempo livre, se a coisa for bem gerida...

No entanto, para já gosto de puder pensar no meu futuro como algo sem compromisso. Claro que às vezes sinto-me perdida e sem saber o que vou fazer, mas prefiro isso do que ter o telemóvel sempre a tocar, contas e ordenados para pagar, empréstimos para liquidar, chatices para resolver... Quero sair do trabalho e deixá-lo lá no sitio dele. Mesmo que no final do mês chova pouco, desde que durma bem de noite já fico contente. 

Por isso, para todos aqueles que me perguntam quando vai ser? Não me parece que vá ser. Mais depressa abriria um hotel para animais do que uma clínica. Já existem tantas, para quê abrir mais uma, quando claramente não faltam? Se o fizesse seria daqui a muitos anos e num local do interior do país, longe dos centros urbanos, que é onde poderá faltar esse tipo de serviço. Mas daqui a muitos anos eu vou estar cansada e com vontade de me reformar. 

Se querem saber, preferia ser professora na minha área. Acho que me iria dar um grande gozo. Gosto de falar com pessoas e na parte das consultas propriamente ditas gosto de sentir que estou a educar as pessoas. 

Quem sabe o que o futuro me reservará. Para quê estar já a pensar em prisões? 


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Onde enfardar em Guimarães - 1# Luzzo Pizzaria

Este fim-de-semana foi de urgência. Significa isso que seria arriscado ir laurear a pevide para longe da cidade-berço, não fosse algum bicho adoecer e o telefone desatar a tocar. Optamos, depois de muita insistência por parte do namorado, por ir até ao centro de Guimarães. A minha vontade era mesmo ficar em casa a curtir a depressão que é estar de urgência à chamada.

Não tinha grande fome, mas já eram 21h. A vontade dele era comer um hambúrguer daqueles "tradicionais", que andam muito na moda, mas claro que a essa hora todos os sítios do costume estavam a abarrotar. Lembrei-me de um pequeno restaurante, com uns néons todos catitas, que ficava perto do Toural.

Foto retirada do Facebook Luzzo Pizzaria Guimarães

O restaurante chama-se Luzzo e é uma pizzaria. 

Fomos espreitar o preçário e, como rondava o típico (9-12€ a pizza), resolvemos ficar. A noite estava amena e a esplanada permitia observar a gente que passava. Além do mais, a fachada dos edifícios, típicos da zona, dava algum abrigo e privacidade ao local. 



A forma como cada artigo era descrito no cardápio (alguém usa esta palavra, hoje em dia?), tinha também o seu quê de poético e dava vontade de comer tudo só de ler.

Como somos do género "esfomeado teso", fomos logo directos ao assunto: pizza salmone e limonada, para mim; pizza luzzo e vinho ao copo, para ele. Nada de entradas. O tempo de espera foi mínimo e a apresentação da mesa, apesar de simples era funcional e elegante. As pizzas eram exóticas! Quero com isto dizer que o menu tinha várias sugestões fora do vulgar. Fiquei curiosa em relação à pizza com anchovas e atum, mas como não me apetecia grandes aventuras gastronómicas, optei pela de salmão.


Sou o tipo de pessoa que detesta massa alta. Sinto-me sempre aldrabada, quando me espetam com uma pizza de massa "alta e fofa" à frente, porque raramente a coisa é boa. Se eu quisesse comer pão, pedia uma sande! Felizmente na Luzzo, a massa tem a espessura exactamente certa e por isso ainda sobra espaço para sobremesa. 

Pedimos um "cheesecake escangalhado" que estava uma delicia. Teria talvez dispensado as nozes na cobertura, mas dada a riqueza em omegas 3 e 6 deste fruto seco, acho que posso perdoar. 

A conta não atingiu os 30€ e, apesar de sermos interrompidos por uma chamada de urgência de uma gatinha com pneumonia, foi um tempo bem passado e um excelente local para enfardar em Guimarães.


Obrigada rapaz, por me obrigares a sair de casa. 


domingo, 4 de junho de 2017

A cena que mais me marcou

A cena que mais me marcou, desde que sou veterinária, aconteceu há duas semanas. 

Uma das vantagens do meu trabalho é que tenho sempre mil histórias para contar. Algumas são bastante caricatas e engraçadas, mas outras são daquelas que fazem chorar baba e ranho. Tenho por hábito contar as piores às minhas melhores amigas, por mensagem escrita. Só a parte de escrever e reviver as situações faz-me ficar emocionada. 

Esse dia parecia estar a começar normalmente. Ia atendendo as pessoas que estavam na sala de espera com alguma tranquilidade, até que chega uma rapariga de 11/12 anos a pedir ajuda e com a camisola manchada de sangue e um cachorrinho nos braços. Fomos logo para a sala de cirurgia, porque o bichinho vinha em paragem cardio-respiratória e com evidente traumatismo craniano. Comecei logo a fazer massagem cardíaca, enquanto a minha colega me arranjava um tubo endotraqueal, para começarmos a dar suporte de oxigénio. Quando fui para entubar, já era impossível e apesar do meu coração partido tive de engolir tudo isso e dizer à miúda que não tínhamos conseguido trazê-lo de volta. Só de me lembrar da tristeza estampada na cara da rapariga as lágrimas vêem-me aos olhos. Perguntei se havia alguém a quem pudesse ligar e tentei dizer-lhe algumas palavras de conforto, embora saiba que numa altura daquelas doí demais e que ela não deve ter ouvido nada do que lhe disse. 

Mais tarde, ficamos a saber o que tinha acontecido antes. A miúda ia a atravessar a estrada, NA PASSADEIRA, quando vem um carro a alta velocidade (a avaliar pelas marcas de pneus na estrada), que por sorte não a atropela, mas que atinge mortalmente o cãozinho que ia um pouco à frente da rapariga. Segundo uma vizinha, que estava no 6º andar e assistiu à cena toda, o carro preto parou um pouco à frente. Depois de ver que tinha atingido apenas o cão foi embora, sem prestar auxilio à criança, que estava sozinha e no meio do pânico teve a coragem de agarrar no bichinho e vir a correr para a nossa clínica que ficava a uns 100 metros do local. Infelizmente ninguém conseguiu a matrícula do carro. 

Não é novidade nenhuma, que as pessoas estão cada vez piores, mas estamos a falar de uma criança e o seu animal de estimação! Como é que há gente capaz de cometer esta barbaridade de fugir sem ajudar?! Sim, porque apesar de ter atingido o cão e não a miúda, não deixa de ser uma barbaridade e um crime! 

Fico doente com estas situações. Não é algo a que alguma vez me queira "habituar". Prefiro continuar a sentir, como sinto estas coisas. Não "é a vida". Recuso-me simplesmente a calar-me e a não denunciar estas coisas atrozes que vou vendo no meu dia-à-dia.  

sábado, 3 de junho de 2017

Sempre aqui, para si!

Hoje escrevo isto de cabeça quente. Dizem que escrever diários faz bem à alma. É isso que estou a tentar fazer, para quem não percebeu ainda a razão destes posts queixosos. 

O-D-E-I-O pessoas. Gosto de algumas, mas odeio aquelas que acham que o mundo gira todo à volta delas e que se lixem os restantes mortais e as suas vidas, para além do emprego. Estou a falar em particular daquelas pessoas que se recusam a fazer marcação no veterinário (ou outro sitio), porque nunca tiveram de fazer e sempre foram atendidas; as pessoas que fazem marcação, mas não aparecem nem avisam e não atendem o telefone, ou então aparecem 2 horas depois; as pessoas que vem 5 minutos antes do fecho com um cão/gato que está doente há uma semana; as pessoas que ligam para o número de urgência, porque querem que vá, fora de horas vender-lhes coisas, ou entregar animais que ficaram de ir buscar a uma determinada hora e não apareceram. 

Se fazem parte deste grupo - odeio-vos. Porque me tiram do sério pela falta de consideração que tem por quem está a tentar trabalhar de forma organizada e eficiente. 

Trabalhar numa clínica veterinária em Portugal não é fácil por várias razões, mas a principal é talvez a falta de pessoal. Normalmente uma clínica tem duas pessoas a trabalhar - auxiliar/enfermeira e o médico veterinário. Em algumas clínicas, com sorte, há três pessoas. Por isso, quando alguém marca uma cirurgia, ou uma tosquia e banho tem de perceber que está a ser reservada uma manhã, ou uma grande parte da tarde para aquele serviço. Todas as outras coisas passam (quando estamos a falar de cirurgias) para segundo plano e nada é marcado naquele horário. Imaginem o que é recusar outras marcações e depois, sem aviso prévio a pessoa e o respectivo animal, não aparecerem, ou chegarem 2 horas mais tarde. 

Trabalhar numa clínica veterinária não é só beijinhos e miminhos aos animais. É raro o dia em que temos tempo para socializar com eles. Não é tão fofo, como as pessoas acham. Trabalhar numa clínica veterinária implica tratar animais realmente doentes, que precisam de atenção constante; é limpar muita merda, chichi e vómito; é gerir toda uma série de stock médico; é organizar o tempo; é fazer chamadas a toda a hora; é estudar e desvendar casos complicados de vida, ou morte; é aguentar as lágrimas nos momentos mais difíceis; é mesmo com isto tudo a acontecer ao mesmo tempo, ter de mostrar cara feliz à próxima pessoa. 

Como é que as coisas poderiam melhorar? Se as pessoas pudessem delegar trabalho seria maravilhoso. Nunca me importei de ajudar a limpar, ou de ajudar nas tosquias, ou de telefonar aos clientes. Abomino pessoas que se servem do estatuto de médico veterinário, para nunca limparem seja o que for. No entanto, começo a perceber o porquê de existirem cargos diferentes. Na Escócia, por exemplo, a equipa da clínica tinha pelo menos 5 pessoas - uma recepcionista, 2 enfermeiras e 2 médicos veterinários. O movimento não era muito diferente do que temos aqui, mas como havia pessoal para fazer cada um a sua tarefa, tudo era mais organizado. Em vez de parecer que ando "a tapar buracos e a remediar tudo às 3 pancadas", poderia ter tempo para estudar novos tratamentos, falar com colegas, propor o melhor para cada paciente. 

Enquanto isso não acontece. Estou sempre aqui, para si!