quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Balanço Anal. Ups! Anual!

Chegou aquela altura do ano em que começamos a pensar naquilo que conseguimos fazer em 365 dias e no que ficou por fazer. No meu caso, 2016 foi um ano de muita mudança e crescimento profissional!

Janeiro começou comigo desiludida com o estágio em Bovinos. Felizmente, seguiram-se 3 meses super especiais no Reino Unido, onde andei entusiasmada com as viagens pela Escócia e o contacto com uma cultura e um estilo de vida bem diferentes do nosso. Foram três meses em que aprendi imenso e nos quais que percebi o quão rico é o nosso Portugal. Gostei imenso da Escócia, principalmente da fauna e flora deslumbrantes, mas ao terceiro mês já estava no limite! Quando voltei lembro-me de ter sentido uma imensa satisfação na barulheira do supermercado e na desorganização típica dos povos do sul da Europa (e na comida!). 

O Verão foi passado a empacotar coisas e a preparar uma mudança eminente de residência, assim como a estagiar em part-time num hospital veterinário que me ensinou muitas preciosas lições. A entrega da tese e o primeiro emprego foram o mais recente ponto de viragem e sinto que ainda não tive tempo de me adaptar à ideia de que sou finalmente veterinária. 

Nesta fase preciso de me reencontrar e perceber que percurso quero fazer não só a nível profissional, mas também a nível pessoal. Para já ainda me sinto um bocado perdida. Até agora o objectivo era terminar o curso. Nunca pensei muito no tipo de veterinária que gostaria de ser. Gosto de medicina e cirurgia de animais de companhia (cães e gatos, essencialmente). Gosto de medicina no geral, mas sei que é importante começar a especializar-me, ou serei simplesmente mais uma médica veterinária (entre 7000 mil e tal...). O meu problema é escolher. Odeio ter de o fazer e acabo por deixar a vida acontecer-me. Vamos ver o que acontece até ao final de 2017...

Além de perceber que tipo de veterinária quero ser, outra das minhas metas para 2017 é fazer finalmente a peregrinação a S.Tiago de Compostela. Não sou religiosa, mas há muito que quero seguir as setas amarelas...Se adicionalmente conseguir uns fins de semana numa qualquer cidade/país diferente, também me darei por satisfeita.

Uma inscrição no ginásio também é algo que vou ter de fazer. O meu horário de trabalho é mau. Desengane-se quem pensa que ser veterinário é ganhar bem e trabalhar pouco, porque nós ganhamos mal e trabalhamos muito. Saio de casa às 8:30 e só volto às 20:30. Tenho duas horas para almoçar, que acabo por passar no café, uma vez que não me compensa ir a casa. Ou seja, duas horas que posso rentabilizar num ginásio perto de mim!


No início de 2016 tinha como meta (um bocadinho tótó) fazer 10 novos amigos. Acho que superei a expectativa e fiz um número superior de novos amigos/conhecidos, que vieram acrescentar algo de novo à pessoa que sou!

 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Eutanásia ou a "Boa morte"

O tema da eutanásia em humanos tem sido tópico de discussão constante, mas na veterinária é uma opção que existe há bastante tempo.

Este é um procedimento pelo qual os donos podem optar e que o medico veterinário deve realizar sempre que exista uma justificação válida (doença terminal e irreversível, que comprometa a qualidade de vida do patudo, ou agressividade que coloque em causa a segurança das pessoas, por exemplo). O animal é normalmente colocado com um catéter na veia e é sedado. Depois é utilizado um fármaco de administração intravenosa, que funciona como um anestésico em dose excessiva que leva à depressão do SNC e paragem dos batimentos cardíacos, com consequente morte do animal. O animal morre sem dor e como se estivesse a adormecer. Não estrebucha, não tem convulsões, não vocaliza, não sangra...adormece e já está.

Sou veterinária há pouco tempo (ainda nem há um mês), mas já tive de fazer três eutanásias. Em todas as situações a qualidade de vida dos animais (já idosos) estava seriamente comprometida, ou este encontrava-se doente terminal. Já não comiam, estavam com dor crónica e um deles já nem conseguia andar ou controlar as necessidades. Os donos optaram por terminar o sofrimento deles com a mínima dignidade (se é que isso existe no momento da morte).

No entanto, um dos casos deixou-me seriamente emocionada, ao ponto de escrever isto me fazer vir lágrimas aos olhos. Claro que no momento usei a minha melhor pokerface, tentando explicar o que se ia passar e o porquê de ser a melhor opção no caso daquele patudo. O gatinho estava com uma infecção generalizada e imunodeprimido. Estava prestes a entrar em paragem cardio-respiratória. Já não comia há vários dias e vocalizava com dores. Já era idoso e eu sabia que mesmo com mais dias de tratamento ele dificilmente iria salvar-se. Fui sincera na minha opinião e pus as opções sobre a mesa - continuar a tentar, mesmo com ele a sofrer, ou deixá-lo ir com tranquilidade. Os donos, um senhor já dos seus 50 anos e um rapaz de 16, estavam visivelmente emocionados e optaram pela segunda opção. O que mais me emocionou não foi a eutanásia em si. Eu sabia que era o melhor para o animal, mas a tristeza no olhar daquele rapaz é difícil de esquecer. O gato era o companheiro dele há 11 anos, ou seja, desde os 5 anos dele...custa-me mesmo a dor dos donos e não consigo ainda criar uma barreira que me impeça de sofrer um bocadinho com eles. 

Pergunto-me muitas vezes o que poderia ter feito mais, o que teria acontecido se tivéssemos tentado mais tempo de tratamento, o que poderia ter feito melhor...Sinto que sou muito crítica em relação a mim mesma e que de certa forma isso é bom, mas que também acaba por prejudicar o meu bem estar emocional, fazendo-me sentir culpa e simultâneamente impotência depois de cada desfecho menos bom.

As pessoas dizem que com o tempo me habituo, mas será que quero criar esse tipo de barreira? Até que ponto é que não perco parte daquilo que significa ser humana? 


quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Cuidados especiais na Época das Festas!

Para benefício dos vossos patudos e para evitarem interromper o importante convívio de famílias com elementos veterinários, aqui ficam algumas medidas de segurança a ter durante esta época:

 
- Pendurem os vossos enfeites de natal o mais alto possível, ou fixem-nos bem longe do alcance dos gatitos e cachorrinhos mais aventureiros e exploradores. Por vezes estes adornos podem ser acidentalmente ingeridos, ou podem ter constituintes que provoquem reacções de toxicidade nos nossos amigos de quatro patas.

- Evitem oferecer aos vossos animais comida da nossa! Isto é especialmente importante com alguns alimentos que para eles são tóxicos - chocolates e uvas, são apenas alguns exemplos. Para além dos alimentos tóxicos, a abundância de "guloseimas" oferecidas um pouco por toda a gente da festa pode desencadear algumas gastroenterites pós-natalícias, ou mesmo pancreatites. Nesses casos teremos vómitos e diarreias especialmente perigosas em animais pequenos, que podem descompensar rapidamente e necessitar de tratamento médico imediato! 


- Se o vosso cão tem pavor de foguetes certifiquem-se de que durante o tempo destes eles se encontram num local de onde não consigam fugir! É bastante comum o desaparecimento de animais que entram em pânico com todo o aparato do fogo de artificio, típico destas ocasiões. Para além de levarem à preocupação dos donos, estas fugas podem resultar em acidentes graves e perigosos não só para o patudo, mas também para todas as pessoas que utilizam a via pública. 

- Cuidado com plantas decorativas típicas do Natal, que também são tóxicas para os patudos! Exemplos - Azevinho, Poinsétia, Amaryllis, ou Folhas de Pinheiro.

- Estar atento ao vosso cãozinho na altura de desembrulhar os presentes, ou, idealmente, não o ter na sala nesse momento. Pode acontecer de ele se lembrar de comer o que não deve e acabamos com um cão embrulhado por dentro...


Votos de felizes festas e acima de tudo, de festas sem acidentes!
 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

"American Gods", Neil Gaiman

Ei, oh mana, finalmente uma opinião sobre livros...tava a ver que isto agora era só histórias de veterinária e dilemas existenciais...- comentam vocês. 

Sim, já era tempo de publicar algo relacionado com o principal tema do blog...Contudo, não é sempre de opiniões positivas que se fazem as estantes e a inspiração tardava em chegar. 

Não estou habituada a ser desiludida pelos meus escritores favoritos, mas desta vez o Neil não me deixou muito satisfeita com este seu American Gods

O protagonista desta trilogia é "Shadow", um homem na casa dos trinta que havia cometido um crime e que se encontrava no final da sua pena de prisão. Tudo o que ele queria era voltar para a sua mais que tudo e deliciar-se com um belo banho de imersão. Mas algo de inesperado acontece e Shadow é libertado alguns dias mais cedo. A partir daí tudo corre de forma estranha, quase sobrenatural e o caminho do protagonista cruza-se com o de deuses desacreditados, que caminham entre os comuns mortais e que tentam sobreviver à modernidade e aos seus novos deuses. 

Esta história, apesar de dotada da típica narrativa do fantástico e com a mestria habitual de Neil Gaiman, acabou por me desiludir. Aparentemente tinha uma série de elementos que eu aprecio: história, mitologia e um enredo com potencial. No entanto, houve alguma coisa que falhou. O mais estranho é que não consigo precisar exactamente o que foi. Talvez tenham sido as inúmeras interrupções das narrativas, onde o escritor narrava uma serie de acontecimentos passados com o povo que colonizou o Novo Mundo. Senti que de certa forma quebravam o ritmo da história principal e algumas eram simplesmente aborrecidas, "deal breakers". 

A própria falta de rumo de Shadow era aborrecida e o que ainda ia salvando a situação era o vilão "Wednesday". Eram as suas tiradas irónicas e o seu comportamento enigmático que davam algum ânimo ao livro.

Demorei imeeeenso tempo a conseguir terminar este livro. Tinha grandes expectativas. Adorei o "The Graveyard Book" e o "Coraline", mas de facto eram livros para crianças/jovens e nesta vertente mais "adulta" não amei Neil Gaiman. Em 2017 vai começar uma nova série televisiva baseada nesta trilogia e de título homónimo. Não sei como vão tornar a história apelativa, mas vou estar atenta!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

"Do Arco da Velha" #2 Unhas de Gel

Um dia uma senhora veio a um local onde eu estagiava com uma "cadelinha" adulta de raça Dogue Argentina. Vestia uma camisola de mangas compridas cor de rosa. A cadela. Não a senhora. 

Achei engraçado, até à parte em que a senhora perguntou à veterinária se já tinha ouvido falar de unhas de gel para cães e se sabia onde é que as podia comprar e se a veterinária as podia colocar. Mais uma vez, na cadela e não na senhora.

Paciente e educadamente a veterinária fez algo que não se deve fazer: expressou a sua opinião sobre o assunto. "Não se deve personificar os animais. Eles não compreendem todos os nossos hábitos e comportamentos." 


Não sei se a senhora ficou ofendida. Tentou justificar-se dizendo que era por causa do barulho que as unhas da cadelinha faziam a caminhar...claro que pareceu simplesmente uma desculpa de alguém que é apanhado a fazer algo que não está completamente certo (para a veterinária).

Este episódio levanta questões importantes, como até que ponto não estaremos a maltratar os nossos animais de companhia, quando queremos fazer deles algo que não estão preparados para ser - pessoas?

Neste caso, a Dogue Argentina não iria compreender o que eram aquelas coisas coloridas e que causavam uma sensação estranha nas suas unhas. Melhor opção para ela poderia passar por roer e mesmo engolir as ditas cujas, ou desenvolver hábitos menos saudáveis, como a obsessão de lamber as patitas...e tudo porque a dona queria que ela ficasse bonita e fashion, como se fosse a sua criança. 

Neste mundo ocidental vivemos com duas realidades extremas - os donos que não fazem o basico e ainda tem os seus cães presos por correntes o dia todo, e os donos que exageram e maltratam igualmente os seus animais. Esta última é mais aceite pela sociedade, mas não deixa de ser igualmente condenável!





 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A Era da Informação já era!

A Era da Informação já era! Hoje vivemos na Era das Opiniões. Toda a gente tem uma. Se não tem, eu acho que devia arranjar...Viva!  Ashtag "só que não" (#sqn).

Alguns de vocês perguntam o que é que eu quero dizer com isto...estou a referir-me ao facto de a maior parte das pessoas, que há bem pouco tempo não tinham uma "voz", terem agora um espaço onde podem dar a sua opinião aka Facebook. É bom opinar, mas pode ser perigoso, quando uma opinião (superficial) é repetida várias vezes e vira informação.  

A verdade é que toda a gente tem uma opinião sobre tudo. Não ter uma opinião é a actual tragédia da vida ocidental. Isto faz com que a maior parte das pessoas baseie o seu ponto de vista em opiniões alheias, sem fazer a investigação necessária sobre o assunto e baseando-se em impressões superficiais. Tudo pelo opinar!

É tão difícil manter a mente aberta, quando sentimos esta necessidade de "achar" alguma coisa. Dou por mim a ter opiniões que podem ser facilmente moldadas e tudo porque na verdade não sei do que estou a falar. 

É por esta razão que no próximo ano quero passar a compreender muitos dos fundamentos em que se baseia aquilo em que acredito. Talvez dessa forma consiga ser mais decidida e menos influenciável.