sexta-feira, 8 de abril de 2016

Vet Life - Scotland #10 Visita a Dundee e Broughty Ferry

A quarta maior cidade da Escócia é Dundee. Como é relativamente perto do sitio onde estou, resolvi explorá-la sozinha, uma vez que também não é um local de destino turístico por excelência.

Comprei a viagem de comboio, mais uma vez pela Scotrail, com duas semanas de antecedência, via internet, para apanhar os melhores preços. Aconselho vivamente a que façam isto, uma vez que a diferença de preço é brutal! Além disso, quando compram via internet e pedem entrega em casa, o bilhete que chega nunca trás a hora da viagem, só o dia. Isto é perfeito, porque o revisor só olha para a data e vocês podem viajar na hora que vos apetecer, mesmo não tendo comprado o bilhete desse horário, que muitas vezes é mais caro. Já fiz isto três vezes e ainda não fiquei mal. Fica a dica!


Esta foi a primeira vez que viajei de comboio na Scotrail. Ao contrário dos autocarros, que podem ser velhos e fedorentos, os comboios são novos e muito confortáveis. Tive que trocar em Perth, mas a estação está bem sinalizada e é fácil perceber para onde temos de ir.  

A minha única infelicidade foi ficar sentada à frente de um puto que estava constantemente a tirar e a comer catotas do seu próprio nariz. O moço devia ter uns 13 anos e estava a fazer aquilo tão descaradamente ao ponto de olhar para mim, ver que eu estava a ver e mesmo assim continuar a fazê-lo! Fui o caminho todo a tentar abstrair-me da imagem das catotas amarelo-esverdeadas, gravada na minha cabeça!


Chegada a Dundee percebi que era demasiado cedo e as principais atracções ainda estavam fechadas. Não me importei e dirigi-me para a rua principal, que por aqui assume frequentemente o nome de "High Street", e entretive-me a ver a cidade acordar. 

As cores e a atmosfera de Dundee fizeram-me lembrar um pouco a baixa do Porto, embora as pessoas parecessem mais fechadas e silenciosas. Outra coisa que me apercebi é que existem pelo menos três centros comerciais na zona centro da cidade, o que a torna um local ideal para vir fazer compras. 



Após visitar a Catedral, segui para o Museu "MacManus Art Gallerries and Museum". À semelhança do museu em Perth, este apresentava uma galeria dedicada à vida em Dundee, desde a antiguidade até ao momento actual, e uma parte de obras de arte cedidas por habitantes ricos da região, ou criadas por artistas originários de Dundee. Achei interessante descobrir que 1 em cada 10 empresas de electrónica do Reino Unido tem a sua sede em Dundee e fiquei espantada por saber que o famoso jogo GTA, foi criado aqui! Um jogo que sem dúvida marcou a minha infância e me fez tornar naquilo que sou hoje - uma péssima condutora, viciada em casinos e frequentadora dos bares de pior fama!



Depois de passear mais um bocado pela cidade e de visitar o cemitério onde o inventor do selo (das cartas, não o outro tipo de selo...) está sepultado, senti-me aborrecida e ainda nem era hora de almoçar. Antes de vir para cá tinham-me falado de uma pequena vila chamada Broughty Ferry, perto de Dundee. Decidi apanhar o autocarro no centro da cidade e visitar a vila, onde existe um castelo com o respectivo museu.  


A vila é engraçada. Com a sua rua principal cheia de lojinhas e pequenos cafés é ideal para relaxar de todo o stress e agitação de Dundee. Perto do castelo havia um bando de cisnes mesmo fofos! O castelo não era lá grande coisa, mas a vista valia a pena. 


Depois de parar numa pastelaria para um donut e um capuccino e após partilhar o meu almoço com os cisnes, regressei a Dundee. Como ainda achava que tinha que esperar pela hora X para poder apanhar o comboio, tentei arranjar mais formas de matar o tempo. A cidade vê-se numa manhã, daí o meu aborrecimento.


Fui ao museu de Arte Contemporânea, mas a exposição era menos interessante do que a casa de banho. Segui depois para o centro comercial, onde namorei umas sapatilhas que em Portugal custam o dobro e, após pensar que era estúpido vir à Escócia para gastar tempo a olhar para sapatilhas, fui passear na margem do rio. 


Finalmente desisti e resolvi arriscar voltando no comboio mais cedo, pronta a usar o típico "faz-te de burra", caso o pica resolvesse implicar. Ele mal olhou para o meu bilhete e voltei exausta, mas mais cedo do que o esperado, a Pitlochry!

Foi um dia bem passado. Podia também ter visitado o museu do Discovery, barco usado em explorações do Ártico, mas era caro e eu sou pobre. Gosto de conhecer sem gastar dinheiro em coisas que posso ver/aprender na internet...





sábado, 26 de março de 2016

"The Curious Incident of the Dog in the Night-Time" - Mark Haddon

"The Curious Incident of the Dog in the Night-time", narrado na primeira pessoa por Christopher Boone, um rapaz de 15 anos com algo do género Síndrome de Asperger's (o autor não especifica), é diferente de todos os livros classificados como mistério policial, que já li!

Tudo começa, quando Christopher descobre Wellington, o cão da vizinha, assassinado de forma violenta. Inspirado pelo seu herói, Sherlock Holmes, o rapaz decide descobrir quem foi o autor de tão injusta morte e escrever um livro, enquanto tenta desvendar o mistério. 

Ao longo da narrativa vamos descobrindo a forma singular como o cérebro deste rapaz funciona; a sua incapacidade de compreender e de se relacionar com as outras pessoas, o modo estritamente racional e lógico dos seus pensamentos, as suas rotinas, tudo o que se passa na sua cabeça... Compreendemos como a morte da sua própria mãe, parece não o afectar por aí além, desde que a ordem das coisas se mantenha a mesma. É assim que ele funciona! 

Há passagens que são tão baseadas na lógica, que chegam mesmo a ser cómicas, como a seguinte reflexão que o protagonista faz sobre a religião:

"I think people believe in heaven because they don't like the idea of dying, because they want to carry on living and they don't like the idea that other people will move into their house and put their things into the rubbish."

É também sobre a perspectiva de Christopher, que vamos descobrindo (talvez antes mesmo de Christopher compreender), que a morte de Wellington é apenas a ponta do Iceberg numa série de acontecimentos desencadeados por fortes emoções, incompreensíveis para o rapaz. 

É isso que é tão fascinante e ao mesmo tempo triste em todo este livro - a forma como todos aqueles que amam o protagonista, vêem o seu amor não correspondido. A solidão que parece afectar de forma negativa todos à excepção de Christopher, e a forma como o seu modo de ser afecta tudo à sua volta e o condiciona. 

Ainda assim, em certos aspectos, somos todos um bocadinho como ele. E há uma passagem que relata exactamente aquilo que sinto, quando olho para o céu numa noite estrelada (coisa que faço, especialmente se estou triste):

"And when you look at the sky you know you are looking at stars which are hundreds and thousands of light years away from you. And some of the stars don't even exist any more because their light has taken so long to get to us that they are already dead, or they have exploded and collapsed into red dwarfs. And that makes you seem very small, and if you have difficult things in your life it is nice to think that they are what is called negligible which means that they are so small you don't have to take them into account when you are calculating something."

É um livro que aconselho aos curiosos e aos que procuram alguma coisa diferente do habitual mistério/livro para crianças/adolescentes!

segunda-feira, 21 de março de 2016

Vet Life - Scotland #8 Visita a Perth

No meu segundo fim-de-semana escocês, resolvi visitar Perth. O tempo não estava nada de espectacular, mas aproveitei a boleia de uma amiga, que ia à cidade fazer compras. Preparei uma bela sanduíche, fruta (e bolachas gordas, coff coff...), água e roupa confortável e lá fui à descoberta! 

Perth é a cidade mais próxima de Pitlochry. Situada nas margens do rio Tay, é a capital administrativa do concelho de  Perth e Kinross e do município de Perthshire. Não é muito grande (cerca de 50.000 habitantes), mas foi, em tempos, considerada a capital escocesa, por ser um local de destino da realeza deste país. Para provar esse facto, é aqui que se localiza a "Scone Abbey" (nos arredores da cidade, para ser mais exacta), local onde estaria presente a pedra da coroação, onde os Reis escoceses eram coroados (The Stone of Destiny aka a Pedra do Destino).


Depois de chegar à zona comercial da cidade, onde as grandes superfícies comerciais estão presentes, dirigi-me para o centro da cidade.  A rua principal, "High Street", é a zona mais movimentada da cidade, com montes de lojas e lojinhas, e a entrada para o Shopping da cidade. Resolvi deixar esta vertente mais comercial de lado e segui para o Museu de Arte, na zona norte. 


Pelo caminho, um senhor perguntou-me se era turista. Eu disse que sim e ele disse "Eu também!". Pensei logo, "É AGORA QUE VOU SER ASSALTADA/RAPTADA/VIOLADA/VENDIDA PARA TRÁFICO HUMANO..." e respondi: "De onde?" Ao que ele responde "da Islândia." E depois mais blahblah sem interesse e cada um seguiu o seu caminho. Foi engraçado, mas um pouco random...é estranho, como longe do nosso habitat natural é mais fácil conversar com estranhos (E PERIGOSO! MÁ LUISA! MÁ!).

No museu não desgostei do que vi. É um sitio sossegado e dá para ter uma ideia geral do desenvolvimento da região, assim como do estilo de vida das pessoas ao longo dos tempos. 

Depois de feita a rápida visita, segui para Sul, tendo como destino a Galeria Fergusson. Pelo caminho encontrei o cemitério e tive que parar...eu e a minha tara por lugares mórbidos, mas extremamente bonitos. Um dia prometo fazer um post sobre cemitérios...hoje não.


A Galeria Fergusson foi uma agradável surpresa. Apesar de ter estudado Arte, e de ter tirado uma excelente nota no exame de História de Arte, sou uma terrível apreciadora de coisas artísticas. A minha sensibilidade é inexistente, mas estas visitas que tenho feito na Escócia aos museus (que são grátis, daí eu visitar...), sozinha e com tempo, tem-me revelado algumas coisas que desconhecia, ou que havia encerrado aqui dentro, bem no fundo do meu ser - eu gosto de histórias e, na maior parte das vezes, as obras de arte escondem uma. Mais do que ver o que está à frente dos meus olhos, se me esforçar e fizer o meu cérebro trabalhar, começo a ver aquilo que está por detrás do mero desenho e de toda a tinta.

Foi isso que fiz neste museu e gostei de imaginar as histórias por detrás das obras do pintor John Duncan Fergusson, embora nenhuma delas me tenha feito sentir especialmente emocionada. O homem gostava de mulheres...e as mulheres deviam gostar dele (aqui está, a minha sensibilidade artística em todo o seu esplendor!).


À saída do museu, as senhoras da entrada, que já me tinham perguntado de onde eu era e após ouvirem a resposta responderam, todas contentes, que na semana seguinte iam a Portugal, fizeram-me parar. Perguntaram se por acaso falava espanhol. Ao que eu respondi em tom hesitante, que arranhava qualquer coisa...Elas sacam de bilhetes de comboio e de reservas em hotel e pedem-me para traduzir, visto que elas também iam a Madrid, mas não sabiam se aquilo eram os bilhetes de comboio. Senti-me aliviada, porque por momentos senti o complexo de portuguesinha a abater-se sobre mim, achando que elas simplesmente assumiram que em Portugal se falava espanhol, porque na realidade nós éramos um distrito de Espanha!

Depois de salvar o dia, resolvi aproveitar para visitar a Poundland! Para quem não sabe, aqui nos UK, existe esta cena que é tipo um supermercado com tudo a 1£ (tive que procurar durante 3 minutos o símbolo de libra estrelina no teclado...). As coisas que vendem aqui, são provenientes de lojas/supermercados que faliram, fecharam, ou cujas coisas estão com o prazo de validade muito próximo (whatever...). Estava à espera de encontrar mais coisas de comer, mas ainda assim é um bom local para comprar coisas de higiene pessoal e porcarias para comer, tipo bolachas, chocolates, batatas fritas, massa (não é porcaria...).  


Depois de ter os sacos cheios do que achei que ia precisar para a semana fui embora. E pronto. Em meio dia, vi tudo e fiz compras, e pus-me a andar. Perth é giro e tal, mas é pequeno. Nos arredores há o Scone Palace, mas nesta altura do ano está fechado ao Sabado, e o Huntingtower Castle, mas não me apeteceu lá ir com a chuva que estava.
 

quinta-feira, 17 de março de 2016

Vet Life - Scotland #9 O Momento em que Conheci a J.K.Rowling

O momento em que, por mero acaso, conheci a J.K.Rowling, a escritora da saga que marcou a minha geração, Harry Potter, foi dos mais espectaculares imprevistos da minha vida!

Sabia que a escritora morava algures nos arredores de Aberfeldy, mas foi quando voltávamos do passeio ao Glen Etive, que a cena se sucedeu.   

Já era final da tarde e o sol estava a pôr-se. Estávamos mesmo a passar em frente à casa dela e a minha amiga estava a explicar-me que era ali que ela morava e que tinha comprado todas as casas à volta, para ninguém a perturbar, quando travámos de repente. Foi um travar de repente com chiar de pneus e cheiro a borracha queimada. Apanhei um susto descomunal! Eu, que odeio andar de veículos (Seja ele qual for), porque acho sempre que posso morrer. À nossa frente, pelo meio da estrada, tinha acabado de passar um galgo a correr, que fez com que o nosso condutor tivesse de travar daquela forma. Pouco depois passa uma silhueta de cabelo louro, casaco creme e calças de ganga, que depois de apanhar o seu cão, veio pedir imensas desculpas ao vidro do condutor. 

Não foi preciso muito para perceber, que aquela era a J.K.Rowling em carne e osso. Todos percebemos, mas só eu é que fiquei maravilhada, visto ser a única fã dos livros que viajava no carro.  Depois de arrancarmos fiquei o máximo de tempo que pude a olhar pelo vidro de trás, mal acreditando no que tinha acabado de acontecer....


E foi assim que, depois de alguns parágrafos de incredibilidade, vocês aprenderam que eu só conto disparates e que tanto posso dizer verdades, como depois mentir com quantos dentes tenho. Heis a beleza da internet!

domingo, 13 de março de 2016

Vet Life - Scotland #7 Gordices

Estou sempre a dizer que assim não consigo viver! E é verdade! Há tanta coisa diferente e gorda no Supermercado, que sempre que lá vou nunca consigo comprar só o que está na lista! Vou virar obesa, se não começar a atinar com estes horários e a praticar desporto, quando acordo!

Perco-me sobretudo na secção de chocolates e bolos...não admira que esta gente tenha índices de obesidade tão elevados! Aqui a marca que predomina é uma das minhas preferidas em Portugal - Cadbury - com a diferença na variedade de oferta da marca. Desde brownies, passando pelo clássico chocolate com passas, até aos recheios mais exóticos, como os de oreo, ou menta. 


E é assustador o que a maior parte das pessoas leva no carrinho...montes de batatas fritas, pizzas, hambúrgueres e sopas enlatadas (existe um corredor inteiro só de sopa enlatada)! Tudo pré-feito e quase pronto a comer!

Por outro lado, cá em casa tenho muita sorte com a família que me acolheu. Tenho provado muitas coisas diferentes e boas graças a eles e tem sido uma experiência de intercâmbio cultural muito interessante!  

Ainda não tive coragem de provar o "Black Pudin"...acho que nunca vou ter, mas já provei outra coisa típica - "Haggis". Segundo a Wikipedia, é um prato tradicional da cozinha escocesa e consiste num bucho de carneiro recheado com vísceras, ligadas com farinha de aveia...A versão que provei não incluía o bucho do carneiro. Basicamente era o recheio, em forma de bola, mergulhado num preparado tipo tempura e frito. Foi servido com um molho de arando e vinho do Porto. Adorei o contraste de sabores doce/salgado.

P.S. Se a marca Cadbury estiver interessada em patrocinar o meu blog, terei todo o gosto em provar e avaliar os vossos produtos! É só mandarem para cá os "goodies"!!


 

sábado, 12 de março de 2016

"A Street Cat Named Bob", James Bowen

"A Minha História com Bob", é o nome em português para o livro "A Street Cat Named Bob" de James Bowen. Mais uma vez, as traduções portuguesas no seu melhor!

Este não seria um livro que escolheria espontâneamente. A minha experiência com os "não-ficção" ficou-se por aqueles livros de relatos na primeira pessoa, das mulheres muçulmanas. Leituras que não gosto de recordar, pela pouca satisfação que me davam...Felizmente, existem outros livros bem mais interessantes, com relatos de vidas reais, como por exemplo o fantástico "Sete Anos no Tibete". Mesmo assim, teria bastantes dúvidas antes de escolher este.

"A Street Cat Named Bob", foi sugerido por uma amiga aqui na Escócia (onde quase toda a gente lê!), que me deixou uma montanha de livros para me emprestar durante a minha estadia. Como tenho andado a ler livros para crianças, decidi começar a voltar aos "para crescidos" devagarinho. Pareceu-me uma boa opção começar com este.

James Bowen é um toxicodependente em fase de desintoxicação, sem nenhuma motivação ou ambição na vida. Um dia, por acaso, depara-se com um gato laranja à sua porta. Com o passar do tempo, acaba por adoptar o gato baptizando-o de Bob e é a partir desse dia que a sua vida começa a tomar um novo rumo. 

Gostei bastante deste livro. Não é nenhuma obra prima, mas está escrito de forma muito simples e clara. É muito interessante ver a relação que este ser humano cria com Bob e o modo como este passa a ser o motivo para a sua luta contra a dependência nas drogas. Por vezes questiono-me, do ponto de vista psicológico, até que ponto esse afecto desmedido será saudável para James e o que irá acontecer quando o gatinho morrer, mas no final acho que tudo acaba por se resumir ao "agora". Se resultou para ele, ainda bem. Quem sou eu para julgar a vida e os sentimentos das outras pessoas.

Adorei ver a forma como a ligação entre o humano e o animal se desenvolveu e espero que este livro ajude a desmistificar a ideia de que os gatos são filhos do diabo! Porque não são e só quem tem um é que pode dizê-lo.