Não sei falar de livros.
Não é minha culpa, juro! Mas não tenho com quem falar de livros. Escrevo sobre eles; por vezes nem isso sei fazer. As minhas tentativas de críticas podiam ser mais trabalhadas e dou por mim a querer editar constantemente o que escrevi há uns meses atrás. Podia realmente tentar ir ao cerne das questões, mas não tenho formação para isso. Sou burra! Mas tenho uma auto-estima bem alimentada!
Falando a sério, ainda tenho muito que caminhar no que diz respeito a expressar a minha opinião. E se por escrito ainda vou tendo a blogosfera para treinar, oralmente não é bem assim. É a triste realidade de Portugal (e talvez de grande parte do globo). Conto pelos dedos da mão o número de pessoas que conheço, que gosta de ler. Dessas poucas pessoas, muitas lêem coisas que eu não aprecio propriamente, ou então são quadradas demais para desafiar a minha opinião.
Uma vez estava com uma colega da universidade que lê, mas só coisas com vampiros, sexo, anjos (anjos e sexo na mesma frase...hmmm...ok lugar no inferno garantido) e magia, e veio à baila o que eu tinha achado das "50 Sombras de Grey". Estava eu a dizer de forma simpática, visto que tinha sido ela a emprestar-mo, que tinha achado o livro uma grande [inserir palavra má à escolha], e a resposta dela foi "É também não gostei muito. Nem cheguei a acabar o terceiro. Agora estou a ler outro parecido. Não me lembro do nome...".
A sério? Se não gostou muito porquê que está a ler um parecido? Fiquei a achar que na realidade gostou, mas como eu não gostei, não quis dar-se ao trabalho de discordar de mim. O que achei ridículo, mas como não somos amigas próximas, não tive o à vontade para o dizer.
Moral da história: não basta conhecer alguém que leia, para se poder ter um discussão oral significativa. São precisos uma série de outros requisitos, como por exemplo, ter carácter para o fazer, ter lido os mesmos livros, ou saber pelo menos do estilo que estamos a falar e isto são requisitos impossíveis de encontrar, já que raras são as pessoas que lêem na vida real (entenda-se, fora do cyberespaço).


