quinta-feira, 18 de outubro de 2012

"Nunca soube o que queria. Desde nova que vivia em dúvida. Achava que queria uma coisa, mas quando a tinha desejava sempre mais e mais. A perpétua insatisfação fazia-a infeliz. Tanta coisa para ver, tanta coisa para fazer, tanta coisa para ter e apenas uma vida. Tão pouco tempo.

O que queria realmente? Contentamento."

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Ingrid Michaelson

Enquanto vagueava pelas entranhas do Youtube deparei-me com esta cantora. Já conhecia algumas das canções dela. É música pop. Alegre, engraçada e optimista. Aquele tipo de música despreocupada, simples e sem grandes complicações. Pode não ser muito "intelectual" ou diferente, mas não é necessariamente menos boa que essas. Desde que nos faça sentir :)



sábado, 13 de outubro de 2012

" O velho que lia romances de amor" - Luis Sepúlveda



António José Bolivar, aprendeu a viver na selva com os índios Shuar. Não sabe escrever, mas cedo descobriu que conseguia juntar letras e palavras formando frases na sua cabeça; sabia ler. Depois de quarenta anos na selva, longe do “mundo civilizado”, é através dos livros trazidos pelo dentista Rubicundo Loachamín, que Bolivar descobre a janela para mundos completamente diferentes do seu. Assim, António José Bolivar goza a sua velhice na companhia destes romances de amor.

Certo dia o rio traz um cadáver de um gringo. Bolivar não gosta deles, mas rapidamente há quem tente culpar os índios da sua morte, coisa que o Velho sabe ser mentira. Sabe também que haverá mais mortes, porque um animal que procura vingança é um inimigo perigoso.

 Os olhos de António José Bolivar tornam-se assim nos nossos olhos, enquanto este procura a sua presa, evitando tornar-se nela. É através deles que nos é dada a conhecer o verdadeiro protagonista desta história, a Floresta Amazónica. 

Com uma história incrivelmente simples, Luis Sepúlveda consegue transportar-nos para o interior deste extraordinário ambiente, abrindo-nos uma pequena janela para um mundo tão distante do nosso e transformando-nos no velho que lê romances de amor.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

"Mãos, o espelho da alma"

As mãos são o espelho da alma, pensei enquanto percorria a antiga linha de comboio, que liga a minha casa ao trabalho. É um erro comum acharmos que são os olhos a janela para o nosso eu mais profundo, mas é uma ilusão propagada por esses mentirosos e atraentes globos oculares. 
Poderão os olhos agarrar, afagar, apertar, dar um abraço, um cumprimento, uma carícia ou consolação? Poderão os olhos magoar, agredir, construir maravilhas, ou deitar por terra sonhos?
Com a sua beleza os olhos enganam e seduzem. Uma mão nunca pode enganar. É aquilo que parece, faz aquilo que faz.
É o espelho da alma.


domingo, 7 de outubro de 2012

-001-



"Não era a primeira vez que o via. De facto já o conhecia de vista. Mas desta vez havia algo nele de diferente. Soube que era dele que estava à espera. Todos aqueles meses de sofrimento e de angústia podiam terminar. O rapaz do cabelo castanho, aquele que todas as noites eu imaginava de costas para mim, sem nunca lhe ver o rosto estava à minha frente. Foi assim que o vi a primeira vez naquela noite de Verão.
Há quem diga que, quando conhecemos alguém que vai mudar a nossa vida, ou que vai ter um grande impacto sobre nós, sabemos. Eu soube mesmo antes de falar com ele. Nunca fui supersticiosa, ou pessoa de seguir sinais, mas aquela noite esteve repleta deles. Hoje, depois de vários anos, sei que a trovoada e a chuva daquela noite quente, queriam dizer alguma coisa. Talvez fossem um aviso."