sábado, 4 de junho de 2011

Atenção, atenção! Nova moda literária encontrada!

Num comentário a um post anterior, uma leitora interrogava-se sobre qual seria a nova tendência literária depois desta última, totalmente sem vida.
Quero agradecer a essa leitora porque me deu a ideia que me vai tornar milionário!
Imaginem vampiros. Fácil, não? Seres pálidos, frustrados por não conseguirem arranjar o cabelo ao espelho e por nunca poderem comer um bife com o tempero acertado. Seres que respiram e transpiram estilo, porque ar e suor não podem respirar/transpirar. Porquê? Porque estão mortos. Este é o ponto de ligação. Eu não acho que o sucesso destas obras fantásticas (fantásticas em género, não em termos qualitativos) se deve ao intemporal amor proibido ou ao fascínio mútuo entre espécimes de diferentes castas. Não. O fascínio vem do facto do protagonista estar morto!
Imaginem zombies. Não tão agradável, mas não deixa de ser fácil. Seres descarnados e com hábitos alimentares tão pouco variados como o dos vampiros – se bem que mais saudáveis (um cérebro por dia, não sabes o bem que te fazia). Lembrei-me agora da bruxa que alimenta Hensel para engordá-la e para depois a comer e imaginei um zombie que prendia um humano numa jaula e lhe dava centrum de manhã, à tarde e à noite, com propósitos semelhantes. Outra história milionária. Mas voltemos à primeira. Em vez de um amor impossível entre um vampiro e uma humana, um amor entre um zombie e uma humana!
O zombie sente-se intrigado pela humana porque ela, obviamente, não tem cérebro. A humana apaixona-se porque, pela primeira vez na sua vida, alguém está curioso pelo que lhe vai (ou, para corrigir, não vai) na cabeça em vez do que aquilo que ela insiste em mostrar, trinta centímetros abaixo.
A família de ambos não aprova o relacionamento. O zombie vem de uma família de zombies-snobs e o facto de a menina não ter cérebro torna-a numa nora indigna do seu estatuto social (só QIs de 80 para cima, para manter as aparências).
Do outro lado, a família da menina não aprova. Um vampiro ainda seria tolerável, um copinho de sangue ainda se arranja, agora um cérebro humano a tempo de um jantar de domingo assume proporções logísticas incomportáveis.
Bem, acho que já lhes dei pormenores a mais. Vou guardar o resto para mim, ou ainda dou de mão beijada a minha galinha de ovos de ouro.
Vou só registar a patente e já volto.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Injustiçazinhas


Ah, injustiça! Porque mostras tu essa feia cabeça e fazes com que o sono me iluda?! É que injustiça à tardinha, com um refresco, numa esplanada, ainda se tolera; agora, depois das duas da manhã já chateia!
O dia já se aproxima, mas as pestanas teimam em não se juntarem. Porquê? Porque a injustiça causa-me um frio na barriga ou as chamadas borboletas que, apesar de serem comummente associadas à paixão, agora têm uma conotação muito menos colorida. A mesma sensação para descrever este sentimento deveria ter outra expressão. Algo como “Sinto casulos na barriga.”; perdia-se o colorido inapropriado e fazia-se jus à realidade. Depois deste devaneio semântico deixo-me de questiúnculas e passo à questão: Porque é que a injustiça me mantém acordado?
Falta de igualdade no trabalho, tratamento diferente para as mulheres, criancinhas em África a morrer à fome. Não, com isso posso eu bem. Com o que não posso é aturar com injustiças que eu sinta na pele sejam elas graves (nunca são) ou moderadas (raramente são). Normalmente são injustiçazinhas. Enganam-se e dão-me mal o troco, compro algo mais caro que o “preço recomendado”, dão-me menos umas décimas num trabalho ou frequência. São injustiçazinhas depois de as armazenar nas gavetas mais escondidas do meu cérebro, ou até deixam de o ser quando passado umas horas me esqueço delas. Mas quando elas, ainda frescas, me estão na cabeça, não são injustiçazinhas. Não. Alguém me roubou descaradamente, alguém me enganou e me fez passar por palhaço, alguém está deliberadamente a comprometer o meu futuro.
Mas depois, com o tempo, passa. Às vezes demora uns dias, outras vezes umas horas; quando demora uns segundos nem sequer estranho. É normal. Chato é quando não me deixa dormir.

p.s. Divagações de alguém frustrado por uma nota que não lhe interessa, de uma disciplina que não lhe faz falta, de um curso que não lhe diz nada.

Os Vampiros/anjos/alquimistas e as estudantes.

Depois de ler para aí uns cinco livros que começavam todos da mesma forma, fartei-me. A prova disso é que a semana passada comecei a ler dois livros e desisti quase ao virar da primeira página. Como é possível estes livros não serem considerados plágio do Crepúsculo (que por sua vez é plágio do Sangue Fresco)?!
Começam sempre com uma rapariga, vítima de uma tragédia qualquer, que conhece um rapaz na escola que a faz perder a cabeça assim que o olha. Depois de algumas semanas, descobre que o rapaz em causa tem um poder especial qualquer e entra, ou não, em estado de negação, acabando por inevitavelmente cair nos braços do seu amante sobrenatural.
Por esta razão, tomei uma resolução: exceptuando a série do” Sangue Fresco” da escritora Charlaine Harris e os livros da Anne Rice, acabaram-se os vampiros, os anjos e os alquimistas, até, pelo menos, o final do ano!

Chegou a altura de evoluir para algo diferente...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

"EU DIRIA QUE A HISTÓRIA É A CASA DAS ESTÓRIAS"



Nesta entrevista Jorge Laiginhas fala-nos um pouco do que é ser escritor, leitor e português.
Nascido em Safres, aldeia portuguesa mas, como ele teimosamente lhe chama, ibérica, Jorge Laiginhas acumula no seu currículo uma licenciatura em História, uma pós-graduação em Ciências Documentais, e um punhado de livros publicados (“Pare, Escute e Olhe”, o “Padroeiro da Ibéria” ou “O Segredo de D. Afonso Henriques”).


O que o motivou a começar a escrever?

Penso que o que me incentivou a escrever foi a leitura. Leio todos os dias. Ler faz-me exercitar os sentidos, todos os sentidos… Ler é um dos grandes prazeres da minha vida. Completa-me.


O processo criativo é algo penoso? Ou acontece com naturalidade?

O processo criativo é penoso. Exige treino. Aprende-se a contar uma estória contando-a e recontando-a. Escrevendo e reescrevendo. Também há algo de natural, de inato, no processo criativo… Muita transpiração temperada com imaginação quanto baste.


As temáticas que aborda nas suas obras são escolhidas segundo algum critério em particular?

Não. Não há qualquer critério salvo em dois casos: O livro “Pare, Escute, Olhe” que fiz com o fotojornalista Leonel de Castro tem como objectivo específico dar visibilidade ao Vale do Rio Tua e registar para a posteridade um momento daquela região que estava a chegar ao fim – a circulação do comboio na via-férrea; no caso do livro “Viva a República – Diário de um Monárquico” foi escrito no âmbito das Comemorações do Centenário da Implantação da República e publicado semanalmente, ao longo do ano de 2010, no Jornal de Notícias. Obedeceu a critérios editorais algo rígidos.


Por exemplo n'O Segredo de D. Afonso Henriques, qual o motivo que o levou a cruzar o romance com a tese académica?

Quando estava a escrever “O Segredo de D. Afonso Henriques” tinha como propósito parodiar o romance histórico e, em simultâneo, parodiar a tese académica. Apenas isso: parodiar.


Subscreve as palavras de Eça, quando ele afirma que a história é uma grande fantasia?

Eu diria antes que a história é a casa das estórias.


Noutra das suas obras (O Padroeiro Da Ibéria) faz a apologia do Iberismo. Pode explicar esta sua posição?

Eu sou Ibérico porque nasci na Península Ibérica. A Ibéria poderá vir a ser uma grande nação de nações quando todos descobrimos que é muito mais aquilo que nos une do aquilo que nos separa.


Acha que Portugal subsistiria à união com um país (Espanha) já em si tão dividido?

A questão da união ibérica só será uma realidade quando todas as nações que habitam o território da Península Ibérica entenderam que juntas – uma grande nação de nações – terão um futuro mais promissor, uma voz mais forte, no seio da União Europeia.


Em relação ao seu trabalho, há neste momento algum projecto em que esteja a trabalhar ou projecto que gostaria de desenvolver no futuro?

De momento estou a trabalhar no guião de um documentário sobre o Vale do rio Tua.


Tem algum conselho para novos escritores que tentem agora entrar no mercado?

Penso que o mais interessante que posso dizer a quem pretende ser escritor é… Que leia, e escreva, e leia, e escreva…
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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Visita à 81ª Feira do Livro do Porto

Depois de semanas de testes e de muito estudo, tivemos finalmente a oportunidade de visitar a 81ª Feira do Livro do Porto. Como escolhemos um dia a meio da semana, não havia muita confusão, o que é perfeito para vasculhar os melhore livros e adquiri-los pelos melhores preços. Infelizmente depois de passarmos por todas as bancas, concluímos que desta vez, e para espanto meu e do Luís, não íamos trazer nada para casa. Não porque faltasse por onde escolher, ou clássicos para acrescentar ás nossas colecções pessoais, mas a necessidade de poupar para outras coisas falou mais alto. Ainda hesitei quando vi alguns volumes da saga “ As Crónicas dos Gelo e do Fogo” a menos seis euros do que o preço “normal”, mas como o segundo volume estava esgotado, decidi poupar os meus escassos trocos.

Pelo menos adquiri gratuitamente mais marcadores de livros para a minha colecção! Não posso também esquecer-me que em Agosto haverá mais, quando ocorrer a feira do livro na Póvoa de Varzim. Pode ser que nessa altura haja mais margem de manobra em termos monetários.

Visitem a feira, mas tenham cuidado com o sol e levem água, pois a ausência de sombra é um dos inconvenientes da Avenida dos Aliados.

Queixinhas



Será que daqui a uns meses, quando Passos Coelho encabeçar o novo governo, os mesmos anti-socráticos de hoje que culpam o primeiro-ministro pelo défice, pela crise económica, pelo terramoto no Japão ou pela subida do desemprego, não se irão desfazer em elogios pelo então ex-primeiro ministro e dizer, Ah, o Sócrates é que a sabia toda?Será que depois de Passos Coelho ser deposto e do PSD ser sucedido pelo PAP (Partido Anarquista Português), os anti-passistas, não irão também olhar para trás com saudade, e dizer, Ah, o Passos é que a sabia toda?

Deixando de lado suposições e invenções, quero falar do saudosismo de que padecem os portugueses, e digo dos portugueses porque só posso falar da realidade que conheço, ou melhor, só quero falar da realidade que conheço, porque desde 74 que posso falar do que bem entender (Tecnicamente só desde 89 porque foi quando nasci e, ainda mais tecnicamente desde 91, quando comecei a falar, se a memória não me falha). O português que conheço vive no ontem e para o amanhã. Não é que haja nada inerentemente mau a esta característica. Não. É só chato.
Claro que estamos a viver uma grave crise económica, que a precariedade é uma constante a todos os níveis, que o futuro se avizinha difícil, mas quem é que já não sabe isso?Parem com as queixinhas! E sim, eu sei que estou a fazer queixinhas dos queixinhas, mas ao fazê-lo estou a incluir-me no lote dos aqueixantes (pessoas que são alvo de queixinhas) o que é muito mais interessante do que lançar queixinhas a torto e a direito, quando se possui um auto-escudo-invisível-imaginário-anti-queixinhas sempre ligado; digo eu.
Por que não, de vez em quando, mas muito de longe a longe, para não se tornar tão chato como as queixinhas, olhar para a nossa realidade e ver as suas coisas boas?
Porque não olhamos para os avanços tecnológicos, por exemplo? Tanto podia estar a escrever este texto com um desktop como com um portátil, ou com um netbook ou com um tablet; podia até escrevê-lo num telemóvel e publicá-lo num blog, ou numa rede social, e saber o que leitores, um pouco por todo o mundo, acharam dele (se bem que preferiria não saber). E podia fazer tudo isto no conforto do lar ou num banco de avião, durante uma viagem que me custaria o mesmo que um farto almoço numa loja de comida rápida, para qualquer ponto da Europa.
Ou então, que tal olhar para o Sócrates e imaginar que em vez de um fala-barato como primeiro-ministro, teríamos um Kadafi no poder. Convenhamos que as suas mentirinhas e enganos não são particularmente agradáveis, mas ditadura, repressão e assassínio em massa não iriam ao encontro das necessidades de um povo de brandos costumes como o português.
Porque é que nunca entro num café e oiço alguém a dizer: “Ah, mas que bela medida esta, do primeiro-ministro” ou “Ui, que estes voos para Madrid estão mesmo baratos”. Porque é que em vez disso oiço: “Ah, o *******(substitua *******pelo insulto da sua preferência) do Sócrates só fez *******(substitua ******* pelo medida positiva que mais lhe agradar) só para enganar o povo”? Talvez seja porque não entro muitas vezes em cafés. Mas também há uma forte possibilidade de as pessoas simplesmente não o dizerem.
E é a essas pessoas que quero fazer um apelo. Parem com as queixinhas! Não porque há coisas boas no mundo, não porque as queixinhas denigrem a imagem do nosso país, não porque temos de pensar positivo; mas porque já chateia.