quarta-feira, 1 de junho de 2011

Visita à 81ª Feira do Livro do Porto

Depois de semanas de testes e de muito estudo, tivemos finalmente a oportunidade de visitar a 81ª Feira do Livro do Porto. Como escolhemos um dia a meio da semana, não havia muita confusão, o que é perfeito para vasculhar os melhore livros e adquiri-los pelos melhores preços. Infelizmente depois de passarmos por todas as bancas, concluímos que desta vez, e para espanto meu e do Luís, não íamos trazer nada para casa. Não porque faltasse por onde escolher, ou clássicos para acrescentar ás nossas colecções pessoais, mas a necessidade de poupar para outras coisas falou mais alto. Ainda hesitei quando vi alguns volumes da saga “ As Crónicas dos Gelo e do Fogo” a menos seis euros do que o preço “normal”, mas como o segundo volume estava esgotado, decidi poupar os meus escassos trocos.

Pelo menos adquiri gratuitamente mais marcadores de livros para a minha colecção! Não posso também esquecer-me que em Agosto haverá mais, quando ocorrer a feira do livro na Póvoa de Varzim. Pode ser que nessa altura haja mais margem de manobra em termos monetários.

Visitem a feira, mas tenham cuidado com o sol e levem água, pois a ausência de sombra é um dos inconvenientes da Avenida dos Aliados.

Queixinhas



Será que daqui a uns meses, quando Passos Coelho encabeçar o novo governo, os mesmos anti-socráticos de hoje que culpam o primeiro-ministro pelo défice, pela crise económica, pelo terramoto no Japão ou pela subida do desemprego, não se irão desfazer em elogios pelo então ex-primeiro ministro e dizer, Ah, o Sócrates é que a sabia toda?Será que depois de Passos Coelho ser deposto e do PSD ser sucedido pelo PAP (Partido Anarquista Português), os anti-passistas, não irão também olhar para trás com saudade, e dizer, Ah, o Passos é que a sabia toda?

Deixando de lado suposições e invenções, quero falar do saudosismo de que padecem os portugueses, e digo dos portugueses porque só posso falar da realidade que conheço, ou melhor, só quero falar da realidade que conheço, porque desde 74 que posso falar do que bem entender (Tecnicamente só desde 89 porque foi quando nasci e, ainda mais tecnicamente desde 91, quando comecei a falar, se a memória não me falha). O português que conheço vive no ontem e para o amanhã. Não é que haja nada inerentemente mau a esta característica. Não. É só chato.
Claro que estamos a viver uma grave crise económica, que a precariedade é uma constante a todos os níveis, que o futuro se avizinha difícil, mas quem é que já não sabe isso?Parem com as queixinhas! E sim, eu sei que estou a fazer queixinhas dos queixinhas, mas ao fazê-lo estou a incluir-me no lote dos aqueixantes (pessoas que são alvo de queixinhas) o que é muito mais interessante do que lançar queixinhas a torto e a direito, quando se possui um auto-escudo-invisível-imaginário-anti-queixinhas sempre ligado; digo eu.
Por que não, de vez em quando, mas muito de longe a longe, para não se tornar tão chato como as queixinhas, olhar para a nossa realidade e ver as suas coisas boas?
Porque não olhamos para os avanços tecnológicos, por exemplo? Tanto podia estar a escrever este texto com um desktop como com um portátil, ou com um netbook ou com um tablet; podia até escrevê-lo num telemóvel e publicá-lo num blog, ou numa rede social, e saber o que leitores, um pouco por todo o mundo, acharam dele (se bem que preferiria não saber). E podia fazer tudo isto no conforto do lar ou num banco de avião, durante uma viagem que me custaria o mesmo que um farto almoço numa loja de comida rápida, para qualquer ponto da Europa.
Ou então, que tal olhar para o Sócrates e imaginar que em vez de um fala-barato como primeiro-ministro, teríamos um Kadafi no poder. Convenhamos que as suas mentirinhas e enganos não são particularmente agradáveis, mas ditadura, repressão e assassínio em massa não iriam ao encontro das necessidades de um povo de brandos costumes como o português.
Porque é que nunca entro num café e oiço alguém a dizer: “Ah, mas que bela medida esta, do primeiro-ministro” ou “Ui, que estes voos para Madrid estão mesmo baratos”. Porque é que em vez disso oiço: “Ah, o *******(substitua *******pelo insulto da sua preferência) do Sócrates só fez *******(substitua ******* pelo medida positiva que mais lhe agradar) só para enganar o povo”? Talvez seja porque não entro muitas vezes em cafés. Mas também há uma forte possibilidade de as pessoas simplesmente não o dizerem.
E é a essas pessoas que quero fazer um apelo. Parem com as queixinhas! Não porque há coisas boas no mundo, não porque as queixinhas denigrem a imagem do nosso país, não porque temos de pensar positivo; mas porque já chateia.

domingo, 29 de maio de 2011

O Futuro da Televisão



É incrível como as cores berrantes que vejo sempre que ligo a televisão, ajudam a pintar um cenário tão cinzento. Há muitos anos que se fala da morte da rádio ou da morte do livro, mas a morte da televisão parece-me muito mais próxima.
A diferença entre a rádio e o livro da televisão é que os dois primeiros não têm alternativas que os substituam. Não há outro entretenimento possível que não a rádio, enquanto se conduz (haver há, mas estou-me a referir a um que não provoque acidentes, mortes e essas coisas aborrecidas). O livro vai continuar a ser lido. A literatura tem milénios de história e, se isso não é razão suficiente, e não julgo que seja, a importância que ainda se lhe atribui no sistema de ensino vai tratar de adiar a sua morte precoce. As alternativas que se encontram ao livro não são alternativas, são formatos diferentes. Se o livro como suporte físico for eclipsado, o que também não me parece provável dado ao enamoramento de que quase todos os bookaholics padecem pelo seu inconfundível tacto e odor, o que morrerá será o suporte e não o conteúdo. E um livro é mais que papel, é palavras.
Ao contrário destes dois meios de comunicação “moribundos”, a televisão possui alternativas. Cada vez mais os espectadores chegam a casa depois de um dia de trabalho ou estudo ou ócio, e optam por ver conteúdos que verdadeiramente querem ver, em detrimento de conteúdos que simplesmente suportam ver, entremeados por publicidade. A internet proporciona essa alternativa e a televisão está a ser lenta no seu combate.
Se olharmos para o panorama televisivo português (a toma de um antidepressivo antes deste empreendimento é altamente recomendável), podemos observar um recurso estilístico recorrente: a repetição. O que teve sucesso no passado (telenovelas e reality-shows) é repetido ad infinitum, e as consequências desta estratégia de baixo investimento/alto retorno, não são levadas em conta. Alguém precisa de contar aos directores de programação a história do rapazinho que adorava Chocapic, mas que depois de comer isso ao pequeno-almoço durante um ano, ficou enjoado.
Podemos dar inúmeros exemplos de como a televisão portuguesa falha em inúmeros aspectos. Um deles é o acervo de filmes que a RTP2 possui e que está simplesmente a ganhar pó. Qual é a ideia de um canal com audiências tão baixas não tirar do fundo da gaveta os filmes clássicos e mostra-los a um nicho de cinéfilos, que provavelmente suplantará em número os espectadores habituais? E quando eles o fazem simplesmente não o publicitam. Há algum tempo, não sei quanto, o Jorge Mourinha criticava isso mesmo no Público. Foi nessa crítica que li que, ao que parece, estava a decorrer uma maratona de grandes filmes na RTP2. Já não fui a tempo. Os outros canais também têm uma gestão que lhes é mais danosa que proveitosa. Eles esquecem-se que ao basearem o grosso da programação num ciclo de entretenimento fácil, que se repete e repete, estão a alienar os jovens no presente, que serão os telespectadores do futuro.
A televisão como a conhecemos está em crise e, se de vez em quando não aparecer um filmezinho ali, e um documentário acolá, um filme português em vez de uma telenovela, uma série portuguesa em vez de um reality-show, um dia o espectadores terão a sua vingança. Quando encontrarem um Francisco Pinto Balsemão ou o Joaquim Pina Moura ou até um Eduardo Moniz, de chapéu na mão a pedir esmola, lhes vão dar uma cassete dos Batanetes e outra d’Os malucos do riso, para lhes matar a fome.

“A Guerra dos Tronos” - George R. R. Martin

Há já alguns meses que andava para experimentar este autor, mas como andamos em crise, e as bibliotecas municipais que frequento ainda não descobriram as maravilhas de George Martin, fui adiando o momento. Finalmente, por altura dos meus anos, ofereceram-me o livro.

Escolhi a época de frequências para o começar a ler. Não houve pior escolha literária que pudesse ter feito. Se reprovar a todas as cadeiras a culpa será, sem sombra de dúvida, destas “Crónicas do Gelo e do Fogo”. Não apenas porque o livro nos faz partir para um mundo onde a Anatomia e a Histologia são derrotadas por Espadas e Lobos, mas também porque nos faz esquecer que vivemos no século XXI, onde não podemos passar o dia deitados na cama a ler durante horas.

“A Guerra dos Tronos” é o primeiro volume da saga “As Crónicas do Gelo e do Fogo”. A história passa-se num mundo totalmente fictício, muito ao estilo de Tolkien, mas cujas personagens possuem um toque muito mais humano. O livro está organizado em capítulos que se dedicam exclusivamente a uma personagem de duas famílias rivais, os Stark e os Lannister, demonstrando a habilidade do autor em relacionar todos os detalhes da história, tendo obtido como resultado uma das melhores obras da fantasia dos últimos tempos.


Para concluir, e não querendo revelar nenhum detalhe da história, arrisco-me apenas a referir que “ As Crónicas do Gelo e do Fogo”, apesar de pouco ter em comum com “O Senhor dos Anéis” de J.K.Tolkien, alcançaram um lugar ao nível deste êxito da literatura do fantástico.



sábado, 28 de maio de 2011

O Descanso do Guerreiro


O meu Kindle a descansar depois de um árduo mês de trabalho.
Entre o Público e o Financial Times, O Mandarim do Eça e o David Copperfield do Dickens, o meu gadget favorito não teve descanso. Ou melhor, teve, mas só depois de vários avisos de bateria fraca, que ignorei sempre em detrimento de mais um parágrafo, mais um linha, mais uma palavra.
Finalmente, porque até o mais aplicado trabalhador merece descanso, cedeu à inevitabilidade da bateria vazia. Nem o Kindle ainda a consegue iludir. Ainda.